O caso Alexandra, que abordei aqui e aqui, tem-me apaixonado pelas diferentes componentes que o envolve e não se esgotam na vertente humana – sem dúvida a de maiores consequências para os envolvidos, mas com pouca relevância no foro jurídico.
As decisões contraditórias dos juízes de Barcelos e Guimarães evidenciam uma vez mais que a justiça portuguesa é uma roleta russa onde a vida dos cidadãos é decidida de acordo com o juiz que lhe cai em sorte.
Como dizia ontem uma amiga advogada, à maioria dos juízes apenas interessa o aspecto processual, ignorando outras vertentes que mereceriam análise.
O tratamento jornalístico do caso em Portugal e na Rússia também me suscita especial atenção. Penso estamos perante um caso que irá permitir uma análise ainda mais rica do que o caso Maddie, em que a manipulação noticiosa da imprensa britânica era demasiado visível. Será também uma boa oportunidade para perceber em que nível está a liberdade de imprensa na Rússia
Temos, depois, a análise do comportamento social e cívico. Os imigrantes russos podiam ter ficado calados, mas decidiram sair em defesa da família portuguesa e ponderam organizar uma manifestação para o demonstrar aos portugueses, mas também às autoridades russas. De registar, para memória futura.
Finalmente, temos a vertente política. Se já havia sinais de que o caso Alexandra se poderia transformar num caso político, a recusa do visto à família portuguesa, para participar no programa de televisão onde se ia encontrar com Alexandra, vem retirar quaisquer dúvidas.
A partir de agora, o caso joga-se em mais um tabuleiro e convém estar atento ao desenvolvimento das jogadas.
Adivinho, a breve prazo, a abertura de uma outra frente. Na cabeça de alguns guionistas (atenção, Moita Flores!) já anda certamente a bailar a hipótese de fazer um filme ou uma novela sobre o assunto. Em breve, aparecerá um livro (pelo menos) onde toda a história será relatada.
Alguma imprensa irá explorar o assunto à exaustão. Tal como Maddie, também Alexandra irá permitir a alguns a obtenção de bons lucros. Esperemos é que as histórias que surjam sejam bem contadas.
Entretanto, é bom não esquecer, estamos a cinco dias do Dia Mundial da Criança. Espero que este caso seja lembrado nessa data. Como caso exemplar de violação dos seus direitos.

http :/ causavossa.blogspot.com /2009/05 pust-govoriat-but-in-silence.html
Em Portugal perdeu a justiça e a dignidade e não foi o primeiro caso: Lembro-me de um Padre na Madeira condenado por pedofilia e assassínio de uma criança que depois fugiu pró Brasil, tendo aparecido depois na praia a botar “postas de pescada ” contra a justiça portuguesa; o caso da menina Maddie, desaparecida no Algarve e cujos pais botaram depois também “postas de pescada” acerca da justiça portuguesa; o caso do anterior presidente do Benfica Vale e Azevedo, que se refugiou em Inglaterra, onde também tem botado “postas de pescada” acerca da justiça portuguesa.
Os nossos Tribunais têm cumprido as leis, mas, na realidade, não têm sido capazes de fazer justiça, não tanto por culpa ou incompetância dos seus profissionais mas dada a baixa qualidade das leis que os nossos políticos têm produzido, muitas delas completamente divorciadas de realidade. Há máxima que passo a transcrever: “Os Tribunais existem para vigiar a aplicação das leis”. Por isso, se as leis forem justas é feita justiça quando o Tribunal as aplica, porém se o não forem, os Tribunais podem aplicar as leis mas não é feita justiça. COMPETE AOS POLÍTICOS A CONCEPÇÃO DAS LEIS.
Zé da Burra o Alentejano
É mais ou menos isso, meu caro. Mas não precisa de escrever em maiúsculas, porque todos nós entendemos a força das palavras e nenhum de nós é surdo.
Não acha que está a ser um pouco optimista?
Alto e pára o baile! Não comeces a meter ideias na cabeça do Moita Flores. Já não há pachorra!
De certeza que ele já se lembrou disso antes de mim, João
Boa análise, Carlos.
Também espero que o Moita Flores não te leia. Livra, já chega!
Só se for moita carrasco.
:))
E a esposa vai fazer o papel principal…
Devo confessar que, inicialmete, gostei de algumas coisas dele, apesar de perverter um pouco a História Lembro-me por exemplo de “A Raia do Medo” do caso dos “Ballet Rose”. Não sei se o Alves dos Reis também era dele…