Os acontecimentos da semana que passou – a manchete do Sol, as declaracões que alumiaram a nossa economia (trocadilho rasco, eu sei), o affair Crespo – confirmam a (certeira) tese do Luís M. Jorge: a indiferença é o derradeiro legado de José Sócrates. E essa indiferença vive desligada do muito que se tem escrito nos media e nos blogues. No fundo, todos estes escândalos foram, individualmente, "apenas mais um", dos muitos a que temos assistido nos últimos anos. A capacidade de nos indignarmos, essa, esgota-se num encolher de ombros e na utilização de um "eles" absolutamente impessoal. Eles são todos iguais, diz-se. Comem tudo. No início da semana passada, uma amiga perguntava-me o que pensava eu do caso Crespo. Nada, respondi-lhe. Aconteceu antes, ainda que em lugares menos gourmet. Dir-lhe-ia o mesmo sobre a primeira página do Sol: não vimos todos já este filme? Encolho os ombros. A indignação já não serve de muito, verdade seja dita. Eles, como se diz, vão continuar todos exactamente onde estão. Os casos vão ser esquecidos em breve, como se esqueceu a licenciatura duvidosa (um caso a que não foi atribuída a importância devida), a Cova da Beira, o apartamento à Castilho, o Jornal das Sextas, e todos os pequeninos atritos que eles foram tendo com este e aquele. As escutas, com ou sem indícios criminais, serão metodicamente destruídas – pelo fogo ou pelo passar do tempo e da memória. Quanto a nós, continuaremos a caminhar alegremente e lindamente para a bancarrota (até ao final do ano, tenho outra grade de "minis" apostada). O buraco em que Portugal se enfiou é político, é económico, é tudo e mais alguma coisa – e todos nós, todos os dias, o tapamos (e nos tapamos) um bocadinho com a nossa indiferença e encolher de ombros.
Se nos indignamos não estamos indiferentes, diz-me a minha amiga. É quase verdade. Só que a nossa indignação, infelizmente, conta muito pouco. Viu-se em Setembro. Ou algum dos casos que aconteceu de Setembro a esta parte foi uma surpresa para alguém?

O primeiro sinal à imprensa terá sido o do A. Cerejo, ou estou enganado?
Gostei deste ‘post’ também.
Tive de ir reavivar a memória. Os casos são tantos que o das “casas” da Covilhã escapou-me – e não foi por ser menos grave (é grave e sintomático, para além de todos os aspectos éticos e estéticos a considerar). Mas sim, é possível que a ofensiva contra a comunicação social tenha começado aí.
Se bem que os sarilhos começaram com a licenciatura, devido à investigação de António Balbino Caldeira. O que também foi sintomático.
Certo, John. A verdade é que os casos são tantos que não há memória que aguente.
1.Cerejo- Jornalista perseguidor de socialistas.Vitorino,Costa,Socrates ,Pedro da Silva Pereira,etc. Apontem um unico caso em que Cerejo tenha
investigado um politico de outro partido.
2.Licenciatura-O Ministerio Publico fez um inquerito ouvindo professores,alunos etc.Provou-se que Socrates assistiu as aulas,fez exames etc.Licenciatura limpa,processo arquivado.
3.Apartamento-Herman Jose comprou 2 apartamentos no predio de Socrates na mesma altura exactamente pelo mesmo preco.
4. Cova da Moura-investigacao do Ministerio Publico demonstra que Socrates nao teve nada a ver com ocaso.
5.Jornal de Sexta-MMG afastada por manifesta falta de credibilidade.No seio de uma empresa privada.Depois das eleicoes.Moniz recebeu 3 milhoes de indemnizacao para ir para administrador da Ongoing que espanto dos espantos controla aTVI.
6.Sobre as escutas preparem-se para ver a sova que Socrates vai dar a oposicao no proximo debate parlamentar se tiverem coragem de o confrontar com elas.Lembram-se do ultimo debate na Assembleia sobre o mesmo assunto?
1. Gostei muito do “jornalista perseguidor de socialistas”. A juntar ao “jornalismo de buraco de fechadura”.
2. Vou ler sobre o assunto, novamente. Lembro-me de qualquer coisa ao domingo, e de uma certa universidade encerrada compulsivamente.
3. É provável. De todos, terá sido um “fait-divers”. Ainda assim, a lógica que o mário apresenta já foi vista noutros locais, sobre outros temas.
4. A reler, também.
5. Não vou reler sobre o tema – prefiro passar directamente para as fábulas de La Fontaine.
6. Não é suposto haver “sovas”. É preciso é que tudo seja esclarecido. Se é para mais uma sessão de arrogância injustificada de Sócrates, onde esperneia muito mas não diz nada, mais vale ficar quieto.
De qualquer maneira, se é para haver “sovas”, então prefiro que em São Bento façam a coisa à moda do sudoeste asiático. É mais divertido de ver, e origina melhores imagens de televisão.
Concordo totalmente: malhar no hemiciclo em directo tem muito mais piada.