A importância dos detalhes


Teresa Ribeiro,

Ler na Imprensa que “um ministro ameaçou divulgar na Internet dados pessoais de uma jornalista” tem um impacto tremendo. A indignação é inevitável, o escândalo previsível. Mas quando se sabe que a intenção enunciada era a de divulgar que essa jornalista vive com o militante de um partido da oposição percebe-se os contornos da contenda e já não é bem sobre inadmissíveis abusos de poder que ficamos a cismar mas sobre as vicissitudes das relações entre políticos e jornalistas. 

Hoje o Público esclarece que não fosse a jornalista em causa levar todo este caso ao Conselho de Redacção, o assunto nem teria chegado a transpirar para fora do jornal. A fazer fé no que este artigo revela, Miguel Relvas exaltou-se ao telefone, disse o que não devia, mas depois pediu desculpa. É certo que um ministro de Estado não se deve exaltar ao telefone com jornalistas, mas fazer deste incidente o seu auto de fé político parece-me manifestamente exagerado. Nunca fui fã de Relvas, mas por princípio sempre que um ministro cai, gosto que seja por razões que o justifiquem.

37 comentários em “A importância dos detalhes”

  1. Nunca entendi a razão do porquê da classe de jornalistas ser considerada a mais pura e sagrada:
    Não há corruptos, caloteiros, difamadores, desonestos, etc

    É tudo boa gente, acima de quaisquer suspeitas… Irra… tantos santos e santinhas!

  2. Por acaso a (o) “am” tocou no nervo da questão:
    – Porque é que a classe jornalística goza de um permanente estado de graça, como se usufruisse de um estatuto de imunidade e de presumida boa fé universal? Em métodos e em intenções?… Nada mais imerecido. Ou por outra, nada de tão abusado que não se tivesse tornado imerecido.
    Esta Bárbara R. não me convence, desculpem-me…
    E se o M. Relvas não está nada bem na foto, também é verdade, como já disse noutro sítio:
    – Isto não vos cheira a nada?! Caramba, fabrica-se o monstro e depois do anátema é só servir o petisco à medida. Come-se qualquer coisinha…
    Temos, pois, mais uma novela, à medida dos noveleiros que por aí pululam.
    Sirva-se do banquetezinho miserável quem quiser.

    1. E entretanto o juiz Carlos Moreno hoje no Parlamento disse que “há benefícios sombra” para os privados nalguns contratos das PPP, coisa de somenos, e que repercussão é que isso teve comparado com esta novela do Relvas e do Público?
      Não se entendem estes critérios jornalísticos.

      1. Eis um bom exemplo… esse que dás.
        Este hábito (ia dizer truque…) de espremer tangerinas anãs até à pura exaustão é simplesmente deplorável. E os limões?… São demasiado acres para o estômagozinho dos portugueses? São.

  3. Um jornalista e um politico não podem ter um relacionamento amoroso?

    É obrigatório um jornalista declarar publicamente com quem anda a dormir?

    Se as notícias que essa jornalista publica são falsas é preciso “denunciar” com quem ela dorme para as refutar?

    Ameaçar alguém de tornar público um seu relacionamento caso saia determinada notícia no jornal, no mínimo mostra baixeza de carácter, no máximo mostra uma apetência pidesca.
    Tenho pena que a Teresa não o compreenda, ainda para mais num país que para alguém se demitir só fazendo cornos em plena AR.

    Realmente se há coisa que este governo conseguiu provar é que o povo tem sempre razão e que as moscas lá se vão revezando.

    1. “Se as notícias que essa jornalista publica são falsas é preciso “denunciar” com quem ela dorme para as refutar?” – acredita mesmo que era isto que ia acontecer? Já leu a notícia do “i” que eu linkei no post que escrevi mais acima?

  4. 1. O ministro não foi eleito. Como qualquer ministro.

    2. Isto é tudo treta. E estou como a Teresa: detesto personalidades como o Relvas, o “umbada” (musica do Clemente), o festivaleiro, e porreiraço, fixe, ganda bué de pinta.

    3. Mas, tretas de puto: o menino diz à menina “se não me fizeres trabalho de casa , digo à mamã que beijaste o Ricardo ontem por detrás da capela”, e ela ela…ela …ficou “pressionada”. Que “pressão”…que jornalismo…

    4. Valha-me Deus, Reino da Nadologia.

    5. Se Relvas respeitasse o contribuinte que lhe paga, já teria eliminado câmaras e freguesias, e extinto a RTP por emergência nacional pois é “corte”.

    6. Se Relvas respeitasse o contribuinte que lhe paga, já teria posto na ordem os dirigentes da bola ou até acabado o futebol.

  5. Pois eu acho que a telenovela revela o carácter do senhor Relvas. E eu scho que tenho o direito de exigir que as pessoas que me/nos governam sejam pessoasa de carácter moral, ético e cívico de excelência. Só assim pderão governar bem, com sabedoria e independência. E depois, um ministro que, irado, logo parte para o “queixinhas”, é muito ridículo, pobre e sobretudo muito petigoso. O homem é perigoso ( a incompetência associada á falha de carácter é uma bomba atómica ).

    1. cblue,
      Tem toda a razão. Além do mais parece-me incompetente e incapaz de fazer as reformas.
      Quanto à jornalista, não se pode pôr no mesmo plano: posso deixar de comprar um jornal, mas já é bastante mais difícil evitar ser afectado por decisões de ministros incompetentes.
      Pôr um ministro e um jornalista em pé de igualdade só mesmo neste país! Como Nixon devia gostar de ter vivido por cá!

  6. Volto com uma sugestão aos senhores e senhoras jornalistas:

    Em telefonemas “oficias” façam como a PT/Zone e quejandas…

    ” A sua chamada será gravada…”
    Tão simples… mas não… o que lhes convém é o enredo da novela.

    A directora do Publico e a jornalista, merecem tanta confiança como o Relvas e os relvados deste mundo subterrâneo…

    Que tal, por exemplo, o C. Manhã ” manchetar”:
    “Caso Relvas
    Directora do “Público” recebeu telefonemas da Associação de Municipios” para….etc

  7. O meu comentário de hoje de manhã ainda não foi publicado, ao contrário de outros posteriores. À boa maneira do Relvas portanto. Se fosse a elogiar… Estou esclarecido quanto à liberdade que aqui (não) se pratica… Vai na volta foi uma pressão da minha parte…

    1. Temos na barra lateral o arquivo de todos os posts que aqui foram publicados. Pode fazer consulta segundo a data e segundo o autor. Não lhe faltarão exemplos de pluralismo e isenção. São duas características do Delito de Opinião de que nos orgulhamos. Porém, como reparou, os comentários que aqui chegam são sujeitos à nossa aprovação. Pretendemos com isso evitar os que não correspondem à ética e educação que exigimos a nós mesmos enquanto autores do blogue.
      Acha mesmo que eu consentiria que um comentador, ainda por cima anónimo, se servisse de um post meu para criticar injustamente pessoas que não menciono no texto e nada têm a ver com o assunto que trouxe à discussão? Se é apreciador dessse género de “debate” veio bater à porta errada.

  8. Os ministros são nomeados por escolha pessoal do primeiro-ministro, a qual – não é o caso presente, bien sur, até pode ser torpe. Mas não são, por isso “democraticamente eleitos”, e a sua legitimação dura o que deve durar.
    Na Grã-Bretanha ou em qualquer outro país do 1º mundo já estava demitido, por esta e por outras, há muito tempo.

    1. Já tinha reparado que os ministros são eleitos por escolha do primeiro ministro. De facto a expressão que eu usei não foi rigorosa. Achei, porém, que não era preciso detalhar. Mas já está emendado.

  9. Li a totalidade dos comentários e verifiquei que todos tocam no acessório, tal como o post da Teresa Ribeiro: o caso Relvas-Público é apenas um iten do CASO Relvas-Secretas . Acho menor que o ministro seja demitido pelo diz-que-disse-à-jornalista-mas não-disse , mas já me surpreende que possa ser mandado para a OCDE ou para a UNESCO, ou para onde entenderem, por causa de todas as contradições (mentiras) que são notórias à medida que se conhece o dossier sobre o relacionamento com o tal de Silva Carvalho.
    Um governante deve ser um exemplo, mas este saiu-nos um grande exemplar.

    1. É do caso Relvas-Público que fala este post, caro Observador e justamente para dizer que não é importante. Sim, o caso Relvas-secretas é que é relevante, mas como não gosto de me precipitar e alinhar em linchamentos públicos sem saber exactamente o que se passa, estou à espera, a ver se da montanha sai um rato, uma ratazana ou um bicho de grande porte.

  10. Este post é inacreditável… Temos um ministro que está envolvido em quase tudo o que é dúbio. Temos um ministro que é responsável pela comunicação social e liga para uma jornalista a fazer ameaças porque a jornalista lhe apanhou mais uma mentira. Note-se que não liga a justificar que a informação descoberta pela jornalista está errada, liga, sim, para ameaçá-la com coisas muito democráticas como um blackout do governo ou revelações da vida privada. Se isto não são razões mais do que suficientes para um ministro cair, então realmente temos o país que merecemos.

    1. “Hoje o Público esclarece que não fosse a jornalista em causa levar todo este caso ao Conselho de Redacção, o assunto nem teria chegado a transpirar para fora do jornal”
      Percebe Sara?Não? O problema é que a jornalista, essa parvalhona, “levou o caso ao Conselho de Redacção”!!!Para quê?Uma coisita sem importãncia!Tudo isto são, digamos assim, as “vicissitudes “,ui como eu adoro esta palavra, dá para tudo,…até para cismar!!!!Pois …

        1. Não consigo abrir o link , mas lá irei. Quanto ao jornal I, por acaso, só por acaso, também ouvi o que a jornalista Ana Sá Lopes, disse no programa da RDP 1 ás 19h de sexta feira!!!
          Minimizou tudinho…uma maravilha.
          Hoje, segunda -feira, teve o “brinde”: o Relvas deu uma entrevistinha ao jornal I, ´só ao jornal da senhora, ….é caso para Cismar, né?

    2. Não vá na onda, Sara. Não seja tão apressada a fazer julgamentos de carácter. E já agora, se tiver tempo, passe os olhos pelo link que deixei num post aqui em cima. Cumpts.

  11. Será que era só isso que o Relvas tinha para divulgar? Eu não tenho grande opinião sobre o jornalismo hoje em dia, mas mesmo assim, acho pouco plausível que uma jornalista se fosse expor ao rídiculo de queixar-se publicamente de pressões de denúncia da vida privada, quando a única coisa de que estamos a falar é ela viver com um militante de um partido da oposição…
    Uma coisa que me incomoda mais é este caso da jornalista passar a ser “o caso”, quando este devia ser a relação entre as secretas e o Relvas.

    1. “Uma coisa que me incomoda mais é este caso da jornalista passar a ser “o caso”, quando este devia ser a relação entre as secretas e o Relvas” – inteiramente de acordo.

  12. Vamos a factos; 1º -O Espião foi nomeado pelo governo Sócrates 2º -O ministro Relvas recebeu uns mails do espião agora na Oingoig a recomendar nomes para nomeações, mas não ligou e nem nomeou. 3º – O espião pediu para afastar uma deputada chata do PSD, mas Relvas não ligou e até a promoveu. 4º -O ministro Relvas foi ao Parlamento ser inquirido e respondeu a todas as perguntas. 5º -Uma jornalista ligou ao ministro e fez uma pergunta exigindo uma resposta em 32 minutos. 6º -O ministro reclamou para a diretora do jornal acabando por ser grosseiro, reconsiderou e pediu desculpa. 7º – Alega-se pressão, é palavra do ministro contra a palavra da diretora. 8º -O ministro foi responder pessoalmente á Erc. 9º – O ministro Relvas tem 2 dossiers muito difíceis, o sistema autárquico e a privatização da RTP que vai mexer com toda a comunicação social. 10º – Portugal necessita que as reformas se façam, que avancem custem a quem custarem.

      1. Está claro isto tudo.A culpa agora é do ranholas do engenheiro. O famoso espião,ão,ão, só almoçou com o Relvas.Pergunta:seria um almoço muito “gorduroso”?Realmente há gente que acredita no Pai Natal.E não é que tentam, tentam, é de cismar!

        1. Mais uma vez não se põem em causa os factos.
          Querem que estejamos entretidos a discutir se no almoço se serviu pescadinha de rabo na boca ou costoleta de vitela.
          Repete-se as vezes que for preciso ” não tem condições ” até ser verdade inquestionável e sem explicar porquê.
          Fico por aqui…

          1. Somos todos tão desconfiados perante jornalistas, mas tão acessíveis a “factos” colocados num comentário de um blogue por sabe-se lá quem, só para continuar a defender a tese de que o mundo estará contra Relvas injustamente. Eu prefiro os factos (sem aspas) colocados pelo sr. Luís M. Jorge num post mais acima. Porque vão ao encontro da minha opinião? Não. Porque derivam de trabalho jornalístico e foram publicados num jornal de referência, e não num comentário de um blogue (que se baseia num post do Aventar, e que é delirantemente parcial). É a tal importância dos detalhes.

            Mas vamos a estes “factos”.

            1- “Jorge Silva Carvalho foi nomeado por Sócrates”.
            E isso prova o quê exactamente? Há uma coisa que caracteriza muitos dos que, estando fora de partidos, sobem nas hierarquias de poder. Chama-se ‘samba político’. E é também por isso que olho sempre com ar desconfiado para líderes de partidos e ministros que assumem pastas para as quais não têm qualquer competência. Às vezes para se subir na hierarquia, é preciso vender a alma ao diabo que tem mais poder. E depois retribuir com qualquer coisinha, claro está.

            2- Apesar de não serem conhecidos todos os e-mails que trocaram, isso só provaria que Silva Carvalho não manda em Relvas. Provaria que Silva Carvalho sugeriu nomes, e que Relvas preferiu outros. Esse ponto é um facto para esta discussão sequer? Não. Mas, ainda que não seja, parece que afinal…
            “Silva Carvalho dizia à boca cheia que voltaria para liderar as secretas, tornando-se o próximo director do SIRP (Serviços de Informações da República). Chegou mesmo a enviar ao ministro dos Assuntos Parlamentares, Miguel Relvas, vários sms onde sugeria os nomes daqueles deviam integrar cada serviço. Pessoas do seu círculo mais próximo.
            Algumas delas ainda estão ao serviço das secretas. Outras já foram acusadas pelo Ministério Público – como João Luís, antigo director do Departamento Operacional do IED, que terá fornecido informações ao antigo responsável – ou afastadas dos serviços na sequência do despacho de acusação elaborado pela procuradora Teresa Almeida, conhecido na semana passada. É o caso de João Bicho, braço-direito de Silva Carvalho, cujo nome surge na acusação do Ministério Público, ou de Francisco Rodrigues, director de segurança, cujas demissões foram aceites pelo secretário-geral do SIRP, Júlio Pereira.” (…)

            3- “O espião pediu para afastar uma deputada chata do PSD, mas Relvas não ligou e até a promoveu.”
            Este argumento é de quem não se deu ao trabalho de ler absolutamente nada sobre o caso. Silva Carvalho queria tirar Teresa Morais do Conselho de Fiscalização dos Serviços de Informações. E conseguiu! Teresa Morais foi “promovida”, o que implicou sair do cargo onde estava e era incómoda para o espião!

            4- Acho que nem é preciso justificar este. Que “facto” é este, o de responder a todas as perguntas? Não interessa se respondeu mal a todas, ou mentiu? Ainda bem que a jornalista que ouviu as respostas não se contentou com a mediocridade e lhe descobriu uma contradição, a tal da notícia sobre George Bush.

            O que me leva ao ponto 5. Descoberta a contradição temporal, a jornalista podia ter publicado a notícia sem a resposta de Miguel Relvas. Daí os 32 minutos. Seria preferível não dar tão pouco tempo, obviamente, mas a contradição estava feita. No máximo, a jornalista estava a dar a Relvas uma oportunidade para se retratar, para justificar o porquê da discrepância factual 2010 – 2007. Todos se queixam dos 32 minutos, para a verdade é que o gabinete teve mais do que tempo para responder. Só que optou por fazê-lo com uma não resposta e um telefonema com pressões políticas.

            9- Cada um com as teorias da conspiração que prefere. Só que para o caso são irrelevantes, quando há factos que deitam por terra “factos” como os aqui apresentados.

          2. Cara Sara, eu prefiro pensar pela minha cabeça. Acabou por concordar comigo na minha enumeração de factos. Referi que o governo sócrates tinha nomeado o Dr. Silva Carvalho, só para demonstrar que o dito não é obra deste governo e se o governo sócrates achou por bem dar este lugar de capital importância, é porque tinha a certeza que essa pessoa
            estaria acima de toda a suspeita. Já ouviu alguém perguntar como foi possivel nomear-se uma pessoa deste calibre a provarem-se as acusações. De quem foi a culpa e como foi feito o processo de nomeação, já ficamos em dúvida se não terá havido pressões do Dr. Silva Carvalho para ser nomeado, no governo passos não resultou. No ponto 2 também concorda que as pressões não colheram. O ponto 3 da sua argumentação é de bradar aos céus. Sériamente acha que se promove alguém para ficar junto a si num lugar de grande responsabilidade, para fazer um favor a uma pessoa ? Ou seja o treinador de futebol coloca o roupeiro, como treinador adjunto só porque um jogador quer ficar com três pares de meias ?
            Depois disto fico sem vontade de continuar a argumentar, estamos a discutir o sexo do anjos, no entanto no mundo e em Portugal sucedem-se coisas que ficamos sem tempo para avaliar.

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