Já várias vezes tenho escrito aqui sobre a importância das primeiras frases para cativar a atenção do leitor. Podemos fechar de imediato um livro se não gostamos do parágrafo de abertura ou podemos lê-lo sem interrupção se esse parágrafo for capaz de nos seduzir. Acaba de me acontecer com Primeira Guerra Mundial, obra do historiador britânico Norman Stone, agora editada em Portugal (pela D. Quixote). Começa assim: “O primeiro tratado diplomático alguma vez filmado foi assinado na cidade de Brest-Litovsk, na Rússia Branca, às primeiras horas do dia 9 de Fevereiro de 1918” (tradução de Miguel Mata).
Um livro de História com esta frase inicial conquista-me sem qualquer dificuldade. Foi o caso: em dois dias já li cem páginas.


Esse parágrafo de abertura é mágico, compadre.
Muito bem escrito, este livro. Quem disse que a História tem de ser uma maçada?
Estou curioso para ler o livro.
Já tinha ficado quando li o destaque no Hoje Macau
Lê-se muito bem, Pedro. Em regra, sabemos muito pouco sobre a I Guerra Mundial. Mas foi ela que moldou o mundo em que vivemos.
É uma pena que não se compreenda melhor a I Guerra Mundial e que tão poucos livros (comparativamente à II) se publiquem.
Pessoalmente vejo as I e II Guerras Mundiais como uma e a mesma. A II nunca aconteceria sem a I, especialmente sem que a primeira tivesse seguido como seguiu e tivesse terminado como terminou. Compreender a I Guerra Mundial e aquilo que levou à mesma é absolutamente fundamental para se compreender minimamente a II.
Sem dúvida, João. Entre 1914 e 1945 o mundo não deixou de estar em guerra, com 20 anos de paz podre de permeio. É curioso, aliás, verificar que muitos dos protagonistas da II Guerra Mundial, como decisores políticos, foram combatentes na I: Hitler, Churchill, Mussolini, De Gaulle, Truman…
há muitos meses que não encontro um livro que me faça esse click!
Eu, felizmente, tenho encontrado. Ainda esta noite encontrei outro: ‘A Biblioteca Privada de Hitler’, de Timothy W. Ryback. Frase de abertura: «Hitler foi um homem que ficou mais conhecido por queimar livros do que por os coleccionar e, ainda assim, quando morreu com a idade de 56 anos, tinha em sua posse cerca de 16 mil volumes.»
Dá ou não dá vontade de ler mais? Claro que dá. Comprei-o. Já tenho mais um livro à cabeceira.
Tenho toda a paixão de ler, menos o dinheiro para saciar todos os meus impulsos de leitor insaciável, meu caro Pedro.