
O Primeiro-Ministro é useiro e vezeiro em justificar decisões absurdas com base na imagem de Portugal para os estrangeiros. Na altura em que rejeitou a tolerância de ponto aos funcionários públicos no Carnaval, obrigando-os a trabalhar enquanto todo o sector privado folgava, também usou o argumento de que estava cá a troika e não se poderia dar má impressão. Agora, depois de ter faltado à sua promessa (de 1º de Abril) de que não iria cortar os subsídios, falta também à promessa da sua reposição em 2014, com o argumento de que seria mau para a imagem de Portugal orçamentar essa despesa em 2013. O argumento é absurdo, pois se lá fora dá má imagem a Portugal pagar os salários que o Estado contratou com os seus funcionários e as pensões dos seus pensionistas, naturalmente que essa má imagem tanto se verificará em 2014 como em 2020, 2030 ou até 2050. Eu, pelo contrário, acho que a má imagem vem de o Estado não honrar os seus compromissos.
E já agora, há outras coisas que também dão má imagem a Portugal e que deveriam preocupar o Primeiro-Ministro. Não se preocupará o Primeiro-Ministro com os 50.000 funcionários públicos que vivem com salários penhorados, graças à sua decisão? Com a taxa de desemprego que atingiu os 14,8%, a mais alta desde que Portugal entrou na União Europeia? Com o número de insolvências das empresas, que já tinha disparado desde a crise financeira, e aumentou 42,5% no princípio do ano? Com o número de pessoas que todos os dias devolvem as casas ao banco, número que irá ser agravado com a subida do IMI? Com o aumento cada vez maior da recessão em Portugal, apenas ultrapassado na Europa pela Grécia? Tudo isto deve dar uma imagem idílica de Portugal no estrangeiro.
Em qualquer caso, parece-me óbvio que o Primeiro-Ministro de Portugal se deveria preocupar mais com a situação dramática de muitos portugueses e menos com a imagem que as suas decisões provocam nos credores estrangeiros. Governa o país graças ao voto dos eleitores portugueses e não devido a um qualquer mandato dos credores estrangeiros.

Professor:
1. Estamos a pedir. Não temos, estamos a pedir…
2. Apesar de concordar com muito do que afirma (maxime: as escolhas de corte, sendo a dos salários gritante e violadora de qq confiança Estado/cidadão em vez de na educação (há 100 000 profs a fazer o quê?!) ou nas câmaras, cheias de “novos ricos” com visões duplas (interesses paroquiais) mas que nada vêem), o certo é que a crescer como nos últimos 10 anos…não vamos lá.
3. Portugal tem 65% de trabalhadores não qualificados, tem uma taxa de iliteracia do patronato gigantesca, tem uma juventude muito habituada ao “adquirido”, “à borla”; tem uma classe politica de incompetentes que nada tiveram no privado nem serão capazes de ter; …mas tem um povo compreensivo, consciente e firme.
4. O problema de Portugal é o das elites: não há elites de conhecimento ou de sabedoria, há a mais pura vaidade que ofusca o Real.
5. Mas, …mas seria bom dizer ao Povo Português que escolhas foram feitas nos últimos 10 anos por ministros, autarcas, “empresários” públicos e que acabaram com um tecido “construído” na fortuna e com um tecido construído na coesão (o ttecido antes da entrada na CEE).
“Governa o país graças ao voto os eleitores portugueses e não devido a um qualquer mandato dos credores estrangeiros”
Meu Caro…nesta altura do campeonato quem.nos governa é o crédito estrangeiro…
seja qualquer partido que o votos dos portugueses eleja.
Isto claro se o primeiro ministro de Portugal não fosse o pau mandado de toda a Europa, ou melhor o capacho da Frau Merkel, que até já diz que é alemão.
Ás vezes não vale tudo para defender uma ideia, ainda mais com alguns links que pouco abonam a favor do argumento.
O governo brevemente ainda vai ter que criar um curso para ensinar funcionários públicos a gerir o seu dinheiro e a saberem escolher as pessoas a quem “fiam”.
“Na altura em que rejeitou a tolerância de ponto aos funcionários públicos no Caranaval, obrigando-os a trabalhar enquanto todo o sector privado folgava”
Cheguei até aqui, não mais além. Quando um texto tem uma mentira descarada logo no primeiro parágrafo, o resto só pode ser esterco.
Ainda bem que não leu as restantes heresias, que poderiam abalar a sua fé, daquelas que move montanhas. Mas não há mentira nenhuma no primeiro parágrafo. Foi ou não retirada a tolerância de ponto do Carnaval aos funcionários públicos? Foi. Foi abolido o feriado de Carnaval imposto pelas convenções colectivas no sector privado? Não.
Não é uma questão de fé, é de higiene. Gosto muito de ler coisas que “abalem a minha fé”, conquanto o façam com argumentos sérios e válidos.
“Todo o sector privado” é muito mais abrangente do que o sector privado que é abrangido por “convenções colectivas”; que, diga-se de passagem, é irrisório por comparação.
Facto: tem uma mentira descarada no primeiro parágrafo. Facto: tenta ocultar essa mentira com argumentação falaciosa. Pobres dos tolos que vão nessa conversa.
Tolo é quem fala do que não sabe e ainda chama mentirosos aos outros. Quase todos os trabalhadores do sector privado folgam na terça-feira de Carnaval. Apesar de ser um feriado facultativo é habitual a sua concessão por convenção colectiva ou contrato de trabalho, já tendo na sociedade estatuto semelhante aos feriados obrigatórios. E os trabalhadores do sector privado abrangidos por convenções colectivas não são assim tão poucos como refere.
“Quase todos” já começa a parecer melhor, mas ainda é diferente de “todos”. Mas não é menos mentira. Nem de perto, nem de longe, é “quase todos”.
Já agora, cite as convenções colectivas que forem necessárias para abranger 50.000 trabalhadores. Força. Eu espero. Mas sentado.
Toda a gente percebeu quem é que anda a falar do que não sabe…
À mentira e desonestidade intelectual junta-se agora o ataque pessoal, a ver se cola. Não cola. Continue a mandar postais.
Nunca disse “todos”. Disse “todo o sector privado”. É a verdade nua e a crua. Só o sector público é que foi abrangido pela medida e mesmo assim nem todos, pois houve autarquias que deram a tolerância de pontos.
Obrigado pelos qualificativos. Com certeza que continuarei a mandar postais. Mas não espero ter grande sucesso com eles pois já declarou que não os lê até ao fim. Em qualquer caso, mesmo sem ler, escreva sempre.
Ilumine-me lá, qual é exactamente a diferença entre “todo o sector privado” e “todos os trabalhadores do sector privado”?
Na volta eu é que sou o burro, como dizia o outro, mas parece-me que as expressões querem dizer exactamente o mesmo, não?
Não. Todo o sector privado está sujeito ao regime do art. 235º do Código do Trabalho, que permite a qualificação da terça-feira de Carnaval como feriado por instrumento de regulamentação colectiva ou contrato de trabalho. É por isso prática habitual no sector a existência desse feriado, como é prática habitual o feriado municipal, sujeito ao mesmo regime.
Isso não significa que não haja trabalhadores que trabalhem nessa data, assim como há trabalhadores que trabalham em qualquer outro feriado. Nas empresas que não têm que encerrar aos domingos os trabalhadores têm que trabalhar nos feriados (art. 236º, nº1, do Código do Trabalho).
Se não conhece essas regras, deveria informar-se primeiro. Não deveria ser eu a ter que as explicar.
A mim, que trabalhei sempre no sector privado, não tem que explicar de certeza.
Leia lá o 235º outra vez: as palavras-chave são “podem” e “mediante”.
Quantos trabalhadores em Portugal estão abrangidos por esse “mediante”? Todos? Não? Então continua a ser mentira aquele primeiro parágrafo.
Já agora, nem todos, nem metade, nem sequer um quarto.
Tem estatísticas para comprovar o que afirma? Ou generaliza o seu caso pessoal? E já agora também não folga no feriado municipal? Pode ter a certeza que a empresa onde trabalha é uma raridade no sector privado. Em todas as empresas que conheço se folga nesse feriado.
Conhece muito poucas, então. Ou conhece as erradas.
O motor da nossa economia são as PME – e as PME não fazem contractos colectivos e de certeza que não vão colocar cláusulas absurdas sobre o Carnaval nos contratos de trabalho.
A expressão “todo o sector privado” é mentira enquanto houver um único trabalhador a vergar a mola nesse dia. E há muitos.