André Jordan, que há dias deu uma grande entrevista ao Expresso, é um empreendedor como eles gostam. Soube, ao longo dos 43 anos que gere a Quinta do Lago, interpretar a tempo as tendências do mercado, como eles gostam. E é por isso que continua a ser um caso de sucesso, criando postos de trabalho, que é o que interessa para fazer a economia funcionar. Exactamente como eles gostam.
Seria um exemplo a seguir não fosse o caso de já estar velho e de pensar como um velho. Alegando conhecer bem o país, diz que “acabar com o Estado social é um erro brutal até por causa da economia”. “Se transformarmos as pessoas apoiadas em pobres oficiais, isso vai afectar negativamente a economia”, explica. “Também não podemos”, adverte, “dar poder a pessoas que têm a desumanidade de defender isso e acham que ser ultraliberal é chique”.
E vai por aí fora, a falar como um socialista subsídio-dependente. Como é possível ser-se um empreendedor, mais do que um empreendedor, um visionário, conhecer bem o país, dizer que o ama, alcançar o sucesso e não ter um pensamento liberal?! Afirmar que “o Estado social é a maior conquista da civilização europeia” e que acabar com ele “seria um retrocesso civilizacional irreparável” é, num homem com o seu perfil, verdadeiramente patético.
Mas enfim, temos que lhe dar o desconto. Isto é da idade.


Cara Teresa,
O adianto mental que impera no nosso país não se pode compadecer de empreendedores e empresários de antanho.
Digo mais, o adianto mental do país não se pode compadecer com as pessoas, essa fonte de despesa.
É um judeu da velha escola. Os judeus são tradicionalmente de tendência socialista.
E a pura verdade que “o Estado social é a maior conquista da civilização europeia” (ou uma das maiores) e que acabar com ele “seria um retrocesso civilizacional irreparável”. A questão é: a dimensão do Estado Social tem de ser SUSTENTÁVEL. Não se pode dizer Estado Social e pensar que pronto, está tudo definido e só há um.
É (e não E) a pura verdade…
…Mas relendo o post parece-me que é irónico e que nele afinal se CONCORDA COM O QUE JORDAN AFIRMOU. Como não podia deixar de ser…
Claro que concordo, como não podia deixar de ser.
parece-me que está habituado a pagar aquilo que come. mesmo na muche, esperemos que os filosofos de coisa nenhuma percebam
Que a autora deste artigo ignore o que seja a economia social de mercado, realidade que tornou grande a Europa nos seus melhores anos (1945-1990), é um problema que só a ela diz respeito; que tente fazer desrespeitosamente passar por senil quem não compartilha da sua ignorância – e, quiçá, insensibilidade, para não dizer mesmo inumanidade – isso é algo que já me parece francamente grave.
Realmente, os anos da governação de Passos Coelho comprovam-no, verifica-se subsistir em Portugal uma direita cavernícola dos interesses que se supunha já não existir – e eu de direita me assumo e afirmo, mas de uma direita de valores – que só estará contente quando o país tiver regredido à estrutura social, não de 1960, não sequer de 1930, mas de 1850, e que a todo o transe tenta privilegiar o capital sobre o trabalho e a classe plutocrática possidente sobre a classe média.
Triste, muito triste, de facto.
Mais triste é tresler um texto e tirar conclusões precipitadas.
Cara Senhora, tem total razão: já lhe apresentei as minhas desculpas em comentário que estranhamente ainda não foi publicado; fico a aguardar que tal suceda. Sem prejuízo, reitero-lhe uma vez mais as minhas desculpas.
Patético é a sua atitude, sendo com certeza mais nova, já está velha, porque o que defendem estes ditos liberais são as mesmas políticas no final do século XIX…e já agora os grande empresários estão completamente dependentes do estado e dos seus subsídios, ao contrário dos que trabalharam durante uma vida inteira, estão ficando sem reformas condignas e com acesso à saúde cada vez mais restrito…
Não é surpresa, pode ser mais um da enorme quota dos empresários que se tornam socialistas e estatistas quando atingem o sucesso.
O que é preciso é que não apareçam novos concorrentes, e o Estado Social ajuda e de que maneira a que não apareçam novos concorrentes.
Para começar o poder que dá aos Governos que assim se podem manobrar para acabar coma concorrência.
Por isso o “por causa da economia”, pode ser “por causa da minha economia”.
A economia que nos lembremos há 40 , 50 anos tinha impostos neo liberais e crescia a 5% sem truques de endividamento.
Quando construiu a sua empresa os impostos eram neoliberais.
Parece que não quer o mesmo para os outros hoje.
Ainda menos quer que as pessoas escolham o seu caminho.
O Estado Social é o maior crime contra a Liberdade da civilização europeia. Vai matá-la.
Esta entrevista a Jordan não é de agora. Já vi isso, mas numa edição de há uns anos. A não ser que ele tenha repetido as declarações, e nesse caso prova-se que não muda de opinião de um ano para o outro.
Teresa, acho que poucos te perceberam. E é pena.
A ironia não é o forte de alguns leitores. Toca a apertar o gatilho antes de ler correctamente um texto.
Ana e Pedro, bem hajam. Já estava a pensar que não me tinha feito entender. A ironia é sempre um risco…
Um risco, sim, sobretudo quando é subtil. Mas também é quando ela é melhor. 🙂
Teresa,
Temos muitos “snipers” por estas bandas. Atiram sobre tudo o que é “postado”, mesmo sem perceberem o que lêem, o que só confirma o quadro nacional em matéria de iliteracia.
“…o que só confirma o quadro nacional em matéria de iliteracia…”
Obra do Estado Social.
Cara Senhora, reli o seu artigo todo. Inicialmente, com a pressa, não percebi – confesso-o – que V. estava a escrever num registo irónico. Estou embaraçadíssimo. Dê sem efeito e NÃO PUBLIQUE o meu comentário inicial (nele envergonha-me não o que disse, mas a quem o disse), do qual lhe apresento desde já as minhas desculpas. Agradeço a sua compreensão.
No meu entender, duas razões, entre outras, explicarão o inconseguimento do entendimento:
1. Calculo que em geral se visita este blog (assim como outros) durante um dia com outras ocupações, se lê rapidamente e se parte para outra informação, daquela enorme quantidade que nos submerge.
2. A generalidade dos visitantes não conhecerá pessoalmente os autores, e não sabe que ironia ou sentido ou humor os caracteriza.