A hora dos Cidadãos


Pedro Correia,

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Fixem este nome: Albert Rivera. É o nome do líder do partido Cidadãos, que irrompeu apenas há dois meses na cena nacional espanhola, oriundo da Catalunha, com uma meta ambiciosa: regenerar o sistema político. “Somos um partido constitucionalista, democrata e progressista”, sublinha Rivera, que tem apenas 35 anos.

Dir-se-iam lugares-comuns. Mas na Espanha de 2015, com uma  taxa de desemprego de 24%, políticos de todos os quadrantes detidos por corrupção e sérias ameaças separatistas na Catalunha e no País Basco, nada está tão arredado da prática quotidiana como o senso comum.

Rivera não promete a lua, não proclama a revolução, não sonha com o impossível. Traça objectivos muito concretos: luta sem quartel contra o cancro da corrupção, que tem minado a democracia duramente implantada na década de 70; oposição frontal aos nacionalismos que ameaçam fragmentar o Estado espanhol; pacto constitucional destinado a preservar o essencial do espírito da lei fundamental de 1978, conciliando a economia de mercado com as conquistas já alcançadas no campo social.

 

São mensagens que os espanhóis querem ouvir e explicam a crescente popularidade de Rivera, expressa em diversas sondagens.

Mensagens que transcendem barreiras ideológicas e se impõem num quadro social muito complexo. Rivera, que é deputado no Parlamento autonómico da Catalunha, decidiu dar o salto para a política nacional fazendo frente aos dois principais blocos políticos espanhóis: os conservadores do Partido Popular, liderados pelo primeiro-ministro Mariano Rajoy, e os socialistas agrupados em torno do PSOE, agora encabeçado por Pedro Sánchez.

Dois partidos em crise, duas famílias políticas em risco de desagregação. Já valeram mais de 80% dos votos. Nas europeias do ano passado, pela primeira vez, não ultrapassaram os 50%. E estão em recuo ainda mais acelerado. Porque foram perdendo o contacto com as aspirações populares e não acompanharam as profundas mudanças ocorridas no País.

 

A boa notícia do ano político espanhol é o fim do bipartidarismo, pulverizado à esquerda com a erupção do Podemos, de Pablo Iglesias (que agora, curiosamente, se proclama “nem de esquerda nem de direita” e apela ao voto “pós-ideológico”), e fragmentado mais à direita pela aparição do partido de Rivera, moderado, centrista, mas radical na recusa dos velhos vícios ancorados no país.

Amanhã ouviremos falar dele quando fecharem as urnas na Andaluzia – região onde o PSOE governa ininterruptamente desde 1982 e deve revalidar o primeiro posto, embora com um sério recuo eleitoral.

Seguir-se-ão mais quatro escrutínios em 2015: municipais, autonómicas, eleições antecipadas na Catalunha e legislativas a nível nacional.

Em vez de dois partidos dominantes, haverá pelo menos quatro. O que é salutar. Porque o imobilismo político é um dos factores que mais potenciam a corrupção.

 

Em Portugal, vários anos atrás, surgiu um embrião de Podemos – corporizado no Bloco de Esquerda. Foi uma boa tentativa, mas falhada devido a um clamoroso erro estratégico da liderança bloquista, que transformou o partido numa espécie de PCP dos pequeninos, sem duas componentes essenciais: a autárquica e a sindical.

Falta surgir o equivalente aos Cidadãos. Mas é bem possível que a dinâmica criada em Espanha por Rivera inspire alguns deste lado da fronteira.

Por mim, seria óptimo.

0 comentários em “A hora dos Cidadãos”

  1. “e do partido de Rivera, moderado, centrista, mas radical na recusa dos velhos vícios ancorados no país.”

    Hahah! recusa o défice e a dívida? pois claro quer não. É essa a génese da corrupção.

    1. Para si, portanto, o melhor é deixar estar tudo na mesma. Porque quem vem de novo é igual aos que já estão: nem o benefício da dúvida merece.
      No fundo, você é um nihilista. Um pessimista radical.

      1. Ser contra a corrupção é fácil. Sem mais não passa conversa fiada.

        Para começar definir o que é corrupção.

  2. Mais um Deus para esquerda ateia (nem importa se ele é de esquerda ou direita. Desde que diga aquelas coisas que as crianças gostam de ouvir, a esquerda aplaude de pé, aliás a aquela aliança na Grécia prova isso mesmo ).
    Desta vez é que é. Com este é que vão ser elas. O povo unido numa dança sem fim, rumo ao paraíso.

      1. Depende. Na Grécia teria sido melhor deixar tudo na mesma a ter que andar a pedinchar para pagar as contas no fim do mês. Na Venezuela seria melhor mudar para alguém que conseguisse conter a inflação e que conseguisse conter a falta de bens nas prateleiras dos supermercados. Em Cuba seria melhor mudar para alguém que conseguisse evitar que 90% da população feminina se prostituisse, e que conseguisse mais para a sua população que um frango e um peixe por mês.
        Em Portugal, no tempo do Durāo/Santana teria sido melhor deixar tudo na mesma para não sermos roubados á força toda pelo gang socialista dos milagres económicos. Nem teriam havido Sócrates nem Santos Silvas e a prisāo de Évora não abriria telejornais.

        Lentamente fui percebendo que a esquerda não é ateia. É politeísta.
        Acredita nos deuses que disserem algo do género : Vou acabar com a corrupção; a culpa é dos capitalistas/judeus/alemães/neoliberais/da chuva; É preciso taxar mais os ricos exploradores, É preciso educar o povo, É preciso criar condições para o crescimento, É preciso acabar com a austeridade, etc, etc.

        Assim se percebe como hitler chegou ao poder. Não se podia deixar tudo na mesma. Era preciso dar um contributo (como é óbvio não estou a fazer comparações com os ciudadanos que nem sequer conheço, acho apenas piada aqueles que veem em todo e qualquer político a salvação para tudo).

        1. “Nem teriam havido Sócrates “. Desculpe lá mas tem de estudar o verbo haver. E acho melhor não falar de política sem primeiro aprender português.

          1. E tu, meu perfeito imbecil, não voltarás a opinar sobre lingua Portuguesa, porque não a dominas. Limita-te á tua condiçāo de retardado mental e estuda o futuro do pretérito composto do verbo haver.
            Não bastava misturares lingua Portuguesa com política, não bastava quereres derrotar o meu argumento com um possìvel erro linguístico (que nem sequer existe), ainda tinhas de me críticar por não saber Português quando quem não sabe nada de lingua Portuguesa és tu. Fica-te bem o papel de anónimo, não passas vergonhas e ninguém fica a saber com que atrasado mental se está a falar. Perdem-se apenas dois minutos a desmascarar pessoas como tu, e a mostrar o quāo imbecis são
            http://www.conjugacao-de-verbos.com/verbo/haver.php

          2. “não passas vergonhas”, de facto não passo vergonhas, quem passa é o senhor Jorge Gaspar. Parece-me, pelo seu argumento, que não percebeu onde está o erro. O problema não está no “futuro do pretérito composto “. Mas deixe lá que tenho ouvido gente com alguma cultura dar o mesmo erro. Na minha opinião grave.

          3. Caro anónimo:
            É óbvio que Jorge Gaspar não percebeu que o problema está no “terem” apesar de a causa de tudo ser o verbo haver. Fala-se mal português e o que ouço na TV é desanimador. De quem é a culpa? Da Escola? Do chamado eduquês? O acordo ortográfico também contribuirá? Hoje lêem-se os clássicos em Portugal? Que lerá J. Gaspar?

          4. Conjugação do verbo haver no futuro do pretérito composto:

            eu teria havido
            tu terias havido
            ele teria havido
            nós teríamos havido
            vós teríeis havido
            eles teriam havido

            Frase errada segundo alguns iluminados: “Nem teriam havido Sócrates nem Santos Silvas” ( foi minha intenção não referir-me apenas ao Sócrates e ao Santos Silva, mas aos vários Sócrates e Santos Silvas que por aí andam, cheios de vontade de herdar o dinheiro proveniente dos milagres económicos socialistas, ou herdados por parte da família da māe)

            De quem é a culpa de haver quem não saiba conjugar o verbo haver? Será da escola? Será da Clotilde? Será do guaraná? Será do acordo de Lisboa?

            O que ouço na tv é muito desanimador. Falta mais gente em Portugal que saiba que a frase “teriam havido” não contém qualquer erro. Que lerão estes palermas?

            Agora ficas a saber conjugar o verbo haver, imbecil.

          5. “Desculpe lá mas tem de estudar o verbo haver”.
            “Parece-me, pelo seu argumento, que não sabe onde está o erro. O problema não está no “no futuro do pretérito composto”.”

            Vamos lá ver uma coisa, tenho que estudar o verbo haver ou não? É que dizer “não teriam havido” não é um erro como prova uma breve consulta ao futuro do pretérito composto do verbo haver.
            Portanto, se o problema está na construção da frase, nāo foi isso que tu disseste, tu disseste que eu tinha de estudar o verbo haver, provavelmente por pensares que “teriam havido” não existisse. Existe, e és portanto, tu quem tem de estudar o verbo haver. É precisamente quem acusa, que tem de fazer aquilo que aconselha outros a fazer. A não ser que te tenhas exprimido mal. Tens algum problema em usar a lingua Portuguesa para te exprimires?

            Tens que decidir. O problema está na conjugação do verbo ou não? Pareces ter dificuldade na tomada de decisão.

            É que o teu primeiro comentário parece indicar que pensas que o erro está no facto de colocar a frase no plural, mas não há nenhum erro aí porque, eu disse Sócrates e Santos Silvas. Se és parvo o suficiente para não perceberes que eu coloquei as duas personagens no plural, e que não encontrando plural para o nome Sócrates diferente do singular do mesmo nome, não poderia ter colocado o plural do nome Sócrates de outra forma. Eu poderia ter dito : Não teria havido Sócrates nem Santos Silva nem outros do mesmo género, mas isso seria dizer exactamente o mesmo que disse. Também poderia ter dito existido em vez de havido, mas mais uma vez não encontro diferença alguma.

            Parece-me portanto que se há aqui alguém com dificuldades em compreender, interpretar e se exprimir em Português és tu e não eu, sendo espectacular o facto de eu, não tendo qualquer preocupação em não cometer erros linguísticos cometer menos erros que a madame anónima.

            Na verdade, numa discussão política ou económica acusar alguém de não saber Português e por isso não puder falar desses assuntos, é admitir o fracasso dos seus argumentos. É admitir que nada mais lhe resta, não existe argumentação, não existe capacidade lógica, não existe inteligencia suficiente. Só lhe resta aproveitar-se de um erro linguístico que nem sequer existe. É triste, vêr pessoas assim, decadentes.

            Por último, a frase “passares vergonhas”. Tens razão, meti um s a mais numa frase qualquer, e por causa disso nunca mais voltarei a falar de assuntos políticos ou económicos.

          6. Desculpa lá mas Você entende tanto de politica com eu entendo de lagares de azeite!
            Para se pronunciar sobre política é necessário saber-se conjugar\estudar devidamente o verbo haver?
            Diga isso á grande maioria dos Presidentes da Junta de Portugal, e logo entenderá que provavelmente é Você que não entende patavina quer de política como também de Língua Portuguesa .

  3. Caro Pedro Correia:
    Que pena não ser espanhol, votava no Ciudadanos sem o menor problema e até com entusiasmo, coisa que não consigo fazer cá.
    Voto por convicção democrática, se perdermos esta conquista ou a deixarmos degradar por imobilismo cívico acrítico perdemos a democracia: umas vezes voto em alguém sem grande entusiasmo, outras em branco, mas vou sempre votar.
    O Pedro disse: «Foi uma boa tentativa, mas falhada devido a um clamoroso erro estratégico da liderança bloquista, que transformou o partido numa espécie de PCP dos pequeninos, sem duas componentes essenciais: a autárquica e a sindical.»
    NÃO POSSO ESTAR MAIS EM DESACORDO. O principal problema do BE não foi a falta dessas duas componentes, embora sejam importantes.
    O problema principal foi a matriz esquerdista de natureza mais ou menos totalitária da facção UDP e a matriz radical revolucionária das outras componentes (PSR, etc.)
    Todas elas imbuídas de preconceitos ideológicos que não conseguem ultrapassar.
    Do ponto de vista sindical o BE até tem o melhor sindicalista português da actualidade, na minha opinião, o António Chora, da Autoeuropa, íntegro, sensato, competente e realista.
    Não percebo porque pertence à agremiação: ninguém é perfeito, não é?

    1. Eu, se fosse espanhol, provavelmente também votaria no partido de Rivera. Um partido centrista, moderado, constitucional, europeísta, que recusa os nacionalismos e os extremismos.
      O problema do BE foi o mimetismo em relação ao PCP. O que constituiu um suicídio estratégico: entre o original e a fotocópia, é sempre preferível o original. Até porque já existe um PCP dos pequeninos, chamado partido “verde”. E o eleitorado potencial do BE nada tem a ver com o dos comunistas – mais idoso, mais rural, mais da classe trabalhadora, mais conservador nos costumes.
      António Chora é, de facto, um excelente sindicalista. Mas nunca deixou de ser uma espécie de carta fora do baralho no Bloco de Esquerda, que fala muito no mundo do trabalho mas conhece-o muito menos do que proclama.
      O Podemos, em Espanha, não cometeu o mesmo erro: demarcou-se claramente dos comunistas da Esquerda Unida e agora Iglesias até já apela a um voto “pós-ideológico”, sem alusões a esquerda ou direita.

      1. Caro Pedro Correia:
        É muito generoso da sua parte considerar os melancias um PCP dos pequeninos.
        Nem chega a ser isso: é uma mera secção dos seniores a funcionar com uns quantos marmanjos destacados para lá, para dar a ideia de que se trata de uma verdadeira coligação.
        E para duplicar a propagação do discurso nos fóruns onde tal seja possível.

        1. Tem razão. Estou muito generoso em relação a eles.
          Mas noutras circunstâncias já lhes chamei “muleta”, “apêndice”, “partido fantasma”, “embuste político” e até “filhotes de canguru”.
          É um tema sobre o qual já escrevi várias vezes:

          – O partido que nunca existiu
          http://corta-fitas.blogs.sapo.pt/298019.html
          – O PCP coligado consigo próprio
          http://corta-fitas.blogs.sapo.pt/2509147.html
          – Vermelhos pintados de verde
          http://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/43087.html
          – A leal muleta
          http://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/1076063.html
          – O segundo partido comunista
          http://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/2950424.html
          – Estereofonia
          http://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/3127225.html
          – Falar claro sobre os “verdes”
          http://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/5576273.html

  4. A seguir com atenção e prudência.Intenções gerais necessariamente vagas mas interessantes.O principal é saber como vai pegar nos dossiers escaldantes da corrupção dos principais partidos,na liquefacção europeia,na segurança interna e externa,nas provocações do czar,na economia catalã e espanhola integradamente,que assessores terá e que tem a dizer sobre a intenção do “poderemos” de instalar “guilhotina na Porta do Sol” e o reactivar potencial da catástrofe que é uma guerra civil.E que não seja outro Márinho a borboletear por onde lhe dão palco.DEpois disso e se por cá…talvez voltasse a votar.

      1. É a vantagem das democracias,essa de os cidadãos livremente se poderem constituir alternativa(s) aos que governam e lhes merecem censura.E agruparem-se num partido chamado Cidadãos,e serem eleitos ou não.Cabe aos restantes avaliarem os discursos e as obras.Aguardemos.

  5. Por enquanto inspirou Marinhos Pintos (e outras figuras que não se enxergam, como Sampaio da Nóvoa e assim)… Se não se passar disso…

    1. De Veremos:
      É capaz de discorrer um pouco (sim, porque não concretizou nada) das objecções contra António Nóvoa?
      Terão que ver com o facto de ele ter levado a bom porto uma tarefa que os velhos do Restelo diziam impossível, por afrontar e afectar os interesses de muitos grupos e grupinhos na Academia: isto é, sem convulsões, conseguiu unir duas velhas universidades (uma com um século de existência autónoma, a Univ. de Lisboa, de 1911; a outra com quase um século, a Univ. Técnica, de 1930).
      Mais nenhuma universidade fez isto e há algumas que o deveriam fazer.
      Todos falam que é preciso reformar o Estado, mas, em abstracto, como arma de arremesso político nesta luta sem tréguas e sem sentido entre Direita e Esquerda (até parece que não pertencem ao mesmo país, que, por mais diferenças de opinião que possam ter, não há nenhum interesse comum), dizia eu, todos falam que é preciso reformar o Estado, mas quando alguém dá um passo significativo nesse sentido, ignora-se.
      Foi o que se passou também em Lisboa, que reduziu a inutilidade de freguesias de 53 para 24 pois a divisão administrativa do tempo da reforma liberal de Mouzinho da Silveira, com os acrescentos que o tempo gera, já não correspondia ao que existe no terreno.
      Mais alguma cidade fez isso?
      Não!
      Mas como foi o Costa, agora candidato a 1.º ministro, o promotor (por acordo com o PSD na Assembleia Municipal), ignora-se.
      É a miserável política à portuguesa.
      Que este seu miserável comentário ilustra bem.
      Diga o que conhece de António Nóvoa que lhe mereça censura, descontando o facto de ser mais para a Esquerda do que para a Direita.
      Nas universidades dos EUA e em muitas outras de países igualmente importantes da Europa souberam dar-lhe valor.
      Em Portugal temos estas miseráveis opiniões não fundamentadas, destes miseráveis anónimos cobardes como o senhor (ou senhora), que nem sequer é capaz de assumir o nome próprio.
      Depois queixam-se de o país estar como está.
      Imbecis!
      Manuel Silva

      1. Sampaio da Nóvoa quando fala não diz nada. E vá chamar imbecil à sua família.

        1. Antes não dizer nada do que abrir a cloaca para sair porcaria, como o senho faz.
          O senhor é que não se enxerga.
          Comenta para dizer o quê?
          Primeiro passa atestados de nulidade aos outros sem o mínimo de fundamento ou substância na argumentação.
          Depois limita-se a repetir a indigência mental.
          Quem assim procede é o quê?

  6. Espera-se que tenham mais vergonha na cara que o Podemos:

    “O líder do Syriza e atual primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, esteve em Madrid em novembro, para participar no congresso fundacional do partido espanhol Podemos. Mas a presença do político grego teve um custo para o Podemos: quase 6.000 euros, de acordo com o jornal espanhol ABC.

    Tsipras não foi sozinho a Espanha. Levou com ele a esposa e três assessores do Syriza. E as despesas daquele fim de semana foram totalmente custeadas pelo partido espanhol. Ao todo, conta o jornal ABC, foram gastos 5.734,33 euros com a deslocação da delegação do Syriza, entre bilhetes de avião, aluguer de automóveis em Madrid, alojamento num hotel do centro da capital espanhola e uma jantar com membros da cúpula do Podemos. Da fatura de Tsipras consta, por exemplo, uma despesa de 829,50 euros de um jantar para 21 pessoas.

    A essa verba junta-se ainda outra fatura de 130 euros que foi quanto o Podemos pagou por um quarto, no mesmo hotel e no mesmo fim de semana, pela francesa de esquerda Martine Billard, que também foi convidada para o congresso, em novembro. Essa verba ficou registada nas contas do pacote de gastos da delegação grega, conta o jornal espanhol.”

    1. O camarada anda enganado.O camarada sabe muito bem que os intelectuais proletários que vão encabeçar e dirigir a revolução têm direito a utilizar todas as facilidades que a burguesia ainda lhes faculta,mesmo que no fim(e no princípio)seja o bom povo a pagar.Alem de que ao fazê-lo a guarda-avençada mostrar ao povo as regalias que lhes irá proporcionar quando o amanhã cantar.

    2. Nem merece resposta. Sabe o que são 5.000 euros e o que isso significa para os homens da massa? Quanto gastam os banqueiros, os administradores, etc em deslocações? Quantifique os desperdícios em casa de quem é rico. Quanto se gasta em armamento mais ou menos inútil (salvo se se considerar que matar e destruir é útil). Sabe quanto vale um obus? É ridículo pensar que alguém de um partido de esquerda deve viajar á boleia, pedir esmola ou renunciar ao vencimento que tenha. Só os partidos da direita é que podem ter assessores?
      Não seria melhor discutir os projectos políticos em vez de passar o tempo a desviar a conversa com trivialidades?

    3. 130 euros? Ninharia. Costumo ficar em quartos desse preço e até mais caros. Sou funcionário público e só tenho uma fonte de rendimento que é o vencimento. O da minha mulher é idêntico ao meu. Só posso concluir que fica bem a Tsipras não ir para um hotel do preço daquele onde estava D. Strauss Kahn. Ou onde fica a senhora Lagarde. Ou R. Espírito Santo (tanto antes como depois da falência).
      José Lameiro

    4. A brigada que toda a desvergonha desculpa aos da cor de um país arruinado e trapaceiro e também aos que vêm dar lições e são a mesma trampa que os outros saíu da toca, toda arrebitaducha.

  7. «Joana Amaral Dias, ex-dirigente e ex-deputada do BE, vai ser a cabeça de lista do AGIR, formação que se legalizará aproveitando o já existente Partido Trabalhista Português (PTP).

    O acordo feito entre os ativistas do AGIR e o PTP prevê que agora este partido atualize a sua designação para AGIR-PTP (ou vice-versa, não está decidido).»

    (DN Online)

    Assim vamos longe, carago!

      1. Devia não haver chico-espertismo e barrigas de aluguer partidárias. Mas quem não quer sequer entender isso, que passe bem.

  8. Parece que não se confirmou a derrocada do PSOE, Pedro. O PSOE tinha 47 e com 47 ficou. Foi mais o PP a cair (tinha 50 passou para 33). E também a IU que tinha 12 e ficou com 5. Os votos do PP foram para o Podemos e o Ciudadanos.

    "El PSOE logra mejor resultado de lo previsto y se quedan a ocho diputados de la mayoría absoluta; el PP, con 33, pierde 17 asientos; Podemos es la tercera fuerza, con 15; Ciudadanos logra 9 e IU que pierde siete y se queda con cinco diputados"

    1. Em nenhum momento falo em derrocada, Sérgio. Até porque a vitória socialista nunca ali chegou a estar em causa. A Andaluzia nunca deixou de ser um bastião do PSOE. É, aliás, hoje o único que resta ao partido. E, em 17 comunidades, só ali governa (além das Astúrias, onde está em minoria).
      Escrevo isto: “O PSOE (…) deve revalidar o primeiro posto, embora com um sério recuo eleitoral.”
      Não foi tão sério, mas caiu quatro pontos – embora tenha mantido o número de deputados com a distribuição de votos por mandatos. E registou o pior resultado de sempre na Andaluzia.

      Mas ali mais em cima volto ao assunto, como aliás me competia. Não basta escrever antes: há que escrever também depois.

  9. Há alguns anos tive esperanças no MEP (que até era apoiado pelo simpático blog Adufe), que dali brotasse algo como parece ser este partido espanhol. Infelizmente desapareceu, não sei bem quais as razões internas e decerto que devido ao peso do nosso triste pentágono partidário

    1. Também acho que já faltou mais, João Pedro. Mas, seja qual for o partido ou movimento, precisa de ter um líder inspirador, com boa imagem e o dom da palavra. Não basta haver boas ideias, bons sentimentos e boas intenções.

      1. Eu referi o Nós, Cidadãos porque tenho seguido a sua evolução, pela coincidência de ter entregue por estes dias as assinaturas necessárias no TC, e pelas suas semelhanças (sobretudo pelo nome e pelas cores e grafismo, mas em parte também políticas) com o Ciutadans/Ciudadanos. Bem mais do que o do novel Agir, por exemplo, esse projecto de Joana Amaral Dias acoplado ao PTP. Estou curioso para saber se vai haver campanha conjunta dela e José Coelho.

        1. Dizia eu que o líder é importante, João Pedro. Mas não basta. Tem de ser alguém aceite pela “corporação” da comunicação social lisboeta. Caso contrário é-lhe feito um boicote pelo silêncio. O Livre, de Rui Tavares, está nos antípodas: tem uma projecção nos média muito superior à implantação no terreno.
          Furar a barreira de silêncio mediático implica duplicar os esforços de qualquer candidato. Por exemplo: Fernando Nobre conseguiu 14% nas presidenciais de 2011 apesar dessa barreira. Foi claramente um candidato subvalorizado pelas televisões e pela generalidade dos jornais.
          No final, apareceu o batalhão de comentadores do costume – com estudado e requintado cinismo – confessando o seu “espanto” face à percentagem obtida pelo candidato.

          1. Sem dúvida. Mas a verdade é que as redes sociais têm conseguido contornar muitas vezes essa barreira e provocar esses “espantos”. E nas lutas eleitorais o contacto directo é essencial. Confirmei (mais uma vez) isso quando acompanhei a campanha de Rui Moreira. Embora nesse caso houvesse a tal figura inspiradora e conhecida do público.

          2. Certo. O cerco está a furar-se. As referências “incontornáveis” contornam-se afinal. Para espanto de muito jornalista habituado a rotinas de longos anos e aos mesmos nomes de sempre.
            A realidade é hoje muito mais dinâmica do que os analistas do costume imaginam.

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