A história de um regresso


Teresa Ribeiro,

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Phoenix

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Quantos filmes vi eu sobre o nazismo? Entre séries, documentários e fitas de fundo foram muitos! O tema é inesgotável e ainda bem, porque pulula por aí gente que se aplica em negar esse passado que é de todos, não apenas de judeus e alemães.

Phoenix, de Christian Petzold, levou-me mais uma vez à Berlim devastada do pós-guerra. Ainda há poucos dias tinha lá passado, pela mão de Rossellini, em Alemanha, Ano Zero, uma coincidência que torna impossível não relacionar os dois filmes. Ambos contra a corrente, revelando a realidade não sob o ponto de vista dos vencedores da guerra, mas dos derrotados.

Em se tratando deste tema não estamos habituados à perspectiva dos culpados, destroços humanos sem direito à autocomiseração, muito menos à compaixão dos outros. Christian Petzold conduz-nos o olhar por esse caminho pouco percorrido, que atravessa ruínas humanas bem enquadradas pelos escombros da cidade, quase sempre mal iluminadas, pois como diz a cantiga de uma das cenas do seu filme, a Berlim daquele tempo “não é para se ver ao sol”.

O realizador, alemão de nascimento, mostra-nos como o pós-guerra berlinense é, também ele, um cenário de holocausto, aonde os espectros das vítimas regressam para assombrar os seus habitantes. Aliás, “Phoenix” é a história de um desses regressos. Um regresso que nos passeia pela indignidade e ignomínia, pelo que tendencialmente os seres humanos são quando… um passeio pelo indizível sem puxar à lágrima, tão contido e por isso tão elegante que nos aperta e deslumbra ao mesmo tempo. Com um desempenho inesquecível de Nina Hoss. A não perder.

Realizador: Christian Petzold

Actores: Nina Hoss, Ronald Zehrfeld, Nina Kunzendorf

Alemanha, 2014

0 comentários em “A história de um regresso”

  1. Confere.

    Já agora, do Petzold, “Barbara” é também excelente.
    Raras vezes vi alguém a filmar silêncios desta forma.

  2. Teresa:
    Já o vi, mesmo assim muito obrigado por este seu texto.
    É também a leitura que fiz do filme: seco, escorreito, sem rodriguinhos nem sensacionalismos.
    Mas muito duro sobre um dos lados negros do ser humano: a traição, a mentira, o interesse material, a falta de valores éticos.
    Aproveitei e vi, de seguida, numa sala ao lado, O Sal da Terra, outro grande filme/documentário a não perder.

  3. Para quando filmes sobre o outro lado da moeda, o comunismo? Não só fazê-los, mas dar-lhes a mesma publicidade. Fazem-se 100 filmes sobre o hediondo nazismo, e 1 sobre o também hediondo comunismo. Terão as artes e seus artistas complexos de abordar a questão?

    1. Há uns anos vi um sobre a Alemanha de Leste, Adeus Lenine, de Wolfgang Becker.
      Muito bom.
      Não é às pázadas que se mede a paridade da denúncia dos 2 totalitarismos, é pela qualidade e criatividade das obras.

      1. Também vi esse.Gostei muito da abordagem. Original e com imenso sentido de humor.Outro que não esqueci foi “A Vida dos Outros” (2006), de Florian Henckel Von Donnersmarck. Ganhou o oscar de melhor filme estrangeiro, com todo o mérito.

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