
O ataque em curso a Mocimboa da Praia é o maior cometimento do movimento fascista islâmico em Moçambique, e é prenúncio de um verdadeiro descalabro. Ao que se noticia os terroristas (convém explicitar que a imprensa simpática a este movimento terrorista, moçambicana e estrangeira, continua a denominá-lo pelo afável termo de “insurgentes”, uma simpatia que advém tanto por deriva multiculturalista como por ser financiada por grupos económicos simpáticos à causa do integrismo islâmico) ocuparam hoje a vila, chegando a içar a bandeira. A fragilidade da soberania – apesar dos apoios militares mercenários russos – face à expansão das movimentações desta guerrilha fascista é notória. Pois se já Mocimboa pode cair que nos trará o futuro breve? ….

Continua a haver várias interpretações, incompetentes e desonestas, sobre o conteúdo deste movimento armado. Desde as teorias conspiratórias, que apontam como causas os interesses “multinacionais americanos” – como é tradicional nos imbecis – ou a “Frelimo”, como é típico da paranóia, rebuscando teses sobre as estratégias esconsas das tais “multinacionais americanas” dedicadas à exploração dos recursos energéticos no norte do país. Até às interpretações vazias, que doutoralmente apontam a “pobreza” e a “exclusão” como causas deste processo.
Deixemo-nos de coisas. Este é um movimento fascista (o “ur-fascismo“) de cariz teocrático. Tem dinâmicas internacionais, de recrutamento e organização. Foi induzido e dinamizado por várias elites económico-religiosas islâmicas do Índico ocidental. E tem profundas cumplicidades, até por temor, com sectores islâmicos muito mais moderados, tanto no país como no estrangeiro. Ou seja, o fascismo islâmico, tanto naquele recanto nortenho de Moçambique, como em largos contextos em África e alhures, tem a cumplicidade, estratégica ou meramente defensiva, de vários sectores político-económico-religiosos islâmicos. Uma “direita” e um “centro-direita” islâmicas, se se quiser manter a analogia.
Estas são também as inimigas. Talvez as principais. Por mais carregadas de capital que surjam, e disponíveis para o “investirem” sem os limites impostos por ditames de “condicionalidade política“, como foi sendo prática dos países e até sociedades da União Europeia. E por mais difusoras da retórica do Islão “religião da paz”. O que, de facto, desde a sua origem, não é – e por mais que a docência marxista multiculturalista, corrompida, o negue, a história do islão recente e antigo é uma sucessão de crescentadas. Escravistas, já agora.
Agora venham os supersticiosos, obscurantistas, ignorantes, crentes nas patetices religiosas, em mezinhas e deuses patéticos, dizer-me que estou a falar contra a religião muçulmana. Não estou. Estou a falar de política. E de décadas de cumplicidade das elites muçulmanas, dos núcleos enriquecidos muçulmanos, com estes movimentos fascistas. São eles os inimigos, não apenas estes infectos terroristas a fugirem-se de campónios miseráveis.

Não será fingirem-se?
Não. É mesmo assim. No texto e no real.
“Desde as teorias conspiratórias,” Também não vou em teorias conspiratórias. Mas há coisas que necessitam de explicação, não é só porque a uns malucos apetece espalhar a palavra de Alá por todo o mundo. É preciso armamento, munições, veículos, alimentação para os combatentes, máquina de recrutamento, etc. Além dos referidos malucos tem de haver muito mais para fazerem o que estão a fazer. Eles fabricam armas e munições ou utilizam as fabricadas por outros? Fabricam a c comida ou compram-na? Com que dinheiro?
Na escola primária ensinaram-me que as descobertas foram devidas ao espírito de aventura. Mais tarde percebi que era preciso dinheiro para barcos, homens etc. Por isso a Fernão de Magalhães não bastou o espirito de aventura.
Certo.
E outra coisa. Sempre me fez confusão o isis, que agora não anda aos tiros, facadas ou bombas na Europa com medo do covid19, nunca ter feito nenhum
estrago em Israel.
Há dinheiro, como é óbvio. Aludo a isso no texto. Não sei exactamente onde, claro. Mas a rede de coranização, desde Arábia Saudita e Sudão como pólos fundamentais, é conhecida desde os anos 1990s.
Desembarquei em Mocímboa da Praia em 1968 por uma Chuvada Monumental. Trilhei esses caminhos. Pelo que diz a guerra agora é bem pior.
Ainda não o é. Mas se não for controlada sê-lo-á.
A fugirem-se ou a fingirem-se…
Fugirem-se,
“a história do islão recente e antigo é uma sucessão de crescentadas” A cristã não.
Caro Cunha:
Quando há guerra é sempre o inimigo que é uma besta, nunca nós. E pensa-se assim dos dois lados da barricada.
A. O seu comentário é literal. Nesse caso é errado.
B. O seu comentário é capcioso. Nesse caso é uma imbecilidade. Habitual. Eu explico, não a si, J. Cunha, porque o seu execrável viés ideológico não lhe permitirá compreender, mas a quem aqui passe: o postal é sobre um movimento terrorista islâmico, presente no norte de Moçambique e com ramificações internacionais (provavelmente agora oriundo do Congo, e com formação ao longo das duas últimas décadas com mobilização de quadros docentes [corânicos] desde a Arábia Saudita e no Sudão, e provavelmente noutros locais da costa oriental africana). As quais são ainda mais latas, inseridas num contexto internacional bem conhecido, em processos multipolarizados e até tendencialmente rizomáticos.
Sobre este processo moçambicano, bem como sobre estes processos internacionais, há inúmeras vozes que negam ou desvalorizam a dimensão islâmica deste processo. O qual é, em primeiro lugar, uma luta interna ao Islão, entre diferentes (e nada dicotómicas) concepções de religião e da sua articulação com a sociedade. Nesse sentido é constante o discurso que promove a ideia de que o Islão é uma religião da paz. Nisso contrastante com a cristandade, seja a moderna e contemporânea (associada ao colonialismo, ao capitalismo, à escravatura). Um exemplo dessa produção ideológica é o delicioso livro de Malouf, celebrizado, “As cruzadas vistas pelos árabes”. Independentemente dos méritos do livro, o que ali e em tantas sequelas avulsas, se sedimenta é a ideia de que a cristandade é, desde sempre, agressiva evangelizadora e “bárbara”. No fundo, feita de devastadoras e exploradoras cruzadas. E que o islão é contrastante com isso. Aliás, por alguma razão, a mera analogia que faço questão de usar “crescentada” nunca é usada. Apesar de estar – ao contrário da guerra evangelizadora – incrustada no cerne do discurso corânico e de estar presente desde o início da expansão corânica. e na sua continuidade histórica.
Ora, ao referir um processo histórico actual desta expansão corânica violenta, que bebe na tradição da coranização – o que não implica que esta tenha sempre sido violenta, pois assumiu múltiplas formas, tal como a evangelização, ou a diferente hinduização [que também existiu, bem para além do mito que o hinduísmo não se extroverteu], por exemplos – sublinho que este processo não pode ser escamoteado pela papaguear da versão ideológica do bom islão, que serve para arengar contra a má cristandade (de facto contra o mau “ocidente”, que nada mais é do que o básico anticapitalismo). Ou seja, sublinho que este caso é um processo que não é estranho à história do islamismo, da coranização.
Para dizer isto, para referir o enquadramento ideológico actual e associá-lo ao historial do Islão, não preciso de referir o historial do hinduismo, do budismo ou do cristianismo. Pois não são esses que estão aqui em discussão – e para qualquer patetice que se queira dizer conviria lembrar que esta coranização não incide fundamentalmente em populações que sigam outras religiões universais, “de Livro” como se dizia. Ao falar de “crescentada” não preciso de me escudar, desculpar ou aludir às “cruzadas”. Pois não é relevante, não é o assunto. Poderia ser noutro assunto, noutro contexto. Mas não neste.
E só um abjecto imbecil é que precisa de vir saracotear a autoculpabilização “ocidental”. Estamos em período de confinamento, que os imbecis que tudo aproveitam para se saracotear o vão fazer para a respectiva varanda. E não poluam os outros com os seus patetas perdigotos.
Eu não tinha consciência de que possuía um execrável viés ideológico. Até me considerava um “gajo porreiro” como se costuma dizer em português corrente. Mas penso que você tem razão ou, pelo menos, alguma pois todos (ou quase) se auto consideram assim. Se calhar até você. Agradeço a sua análise que só peca por ser demasiado longa para um blogue. Vou imprimi-la pois tenho de a estudar muito bem para tentar compreender e tentar emendar o meu viés. E penso que o outro comentador, M. Alves, também tem alguma razão. Quase todos se consideram “gajos porreiros” e quase todos consideram (sobretudo em caso de disputa violenta como guerras) o adversário como uma besta ou um sub humano. Vale a pena frequentar blogues: tenho aqui muito que pensar. Obrigado a todos os que lêem o que escrevo e comentam. E vamos acabar com os vieses e vamos todos pensar direito. Pelo menos tentar.
É uma espécie de cruzada, aproveitando a situação mundial para ver se cola. Moçambique deverá pedir apoio à África do Sul para conter a situação.
É um problema internacional, com ramificações nos países vizinhos. Algum desenho multilateral virá a acontecer, estou disso convicto.
Uma dúvida, Moçambique sempre teve alguma comunidade islâmica ou a mesma só se começou a implantar após a independência ?
Não se passou o mesmo na Guiné Bissau ?
WW
Então o quem eram os habitantes da Ilha de Moçambique quando o Vasco da Gama passou a primeira vez por lá? Foi um piloto muçulmano que levou a caravela até à Índia.
A primeira grande comunidade muçulmana que se fixo por cá, a partir de 1974, era oriunda de Moçambique.
Diz-se até que o pequeníssimo potentado da Ilha era Mussa Al Bique (ou grafia similar) que terá originado o nome ao país, e que seria um muçulmano (o contexto suaíli). Mas de qualquer maneira, e à excepção de pequenos contextos no litoral nortenho [e central], a coranização começou em XIX, cerca de meados, e muito superficial, entre algumas elites entre Niassa e Cabo Delgado. Cresceu desde finais de XIX, tal como a cristianização.
Obrigado pelos esclarecimentos.
WW
Obrigada pelo post. Há algum livro, blogue, jornal etc… Que aconselhe para ir seguindo este assunto? Obrigada, marta