Esta empresa dá prejuízo atrás de prejuízo. A TAP que, por lei, não pode controlar a empresa, na prática, controla-a. Há muito que a companhia aérea nacional procura um investidor privado que queira comprar a Groundforce (como já referi, a legislação a isso obriga). Contudo, dificilmente alguém estará interessado numa empresa que em 2008 apresentou um prejuízo de cerca de 36 milhões de euros. Uma reestruturação da mesma é necessária. Os sindicatos, em nada aproveitando o facto de estarmos próximos de eleições, forçam a adopção de um acordo que dificulta qualquer reestruturação, pedindo a acção do governo para salvar postos de trabalho na empresa. O governo, através da TAP, cede à pressão dos sindicatos. Nem tão cedo aparecerá um privado interessado na empresa. Nem tão cedo a empresa deixará de apresentar prejuízo. Para um privado o prejuízo constante não é opção. Em empresas controladas pelo Estado é. Todos sabemos quem é que paga. Para o contribuinte não há quem o salve. Neste país, o direito à greve, legítimo e justo, está totalmente desvirtuado, aproveitando sobretudo a quem procura extrair rendas junto do contribuinte.
A greve compensa
jorgeassuncao,

Nem os governos precisam de subir impostos. A gente paga directamente as Grondforces todas, que nunca abrem falência nem mandam trabalhadores para o desemprego. Este País continuará a ser para alguns. Poucos.
Qualquer manual básico de economia esclarece que o sucesso para uma empresa está, entre outros, no seu modelo de gestão e não no seu quadro accionista.
O Jorge, com as suas certezas cristalinas, a culpa nunca é dos gestores, pagos em Portugal de forma obscena, mas dos seu quadro accionista! Haja Deus!
Quer-me parecer que a imagem apresentada já não é a actual da Groundforce…Pelo menos, o slogan já não o é seguramente. Actualmente é
“você carrega-nos e nós voamos”, que é como diz, você leva-nos às costas e nós vamos tranquilamente nas asas das exigências loucas que fazemos e que sempre alguém paga: – os carrejões do costume, é claro.
Ou seja: de algum modo, a gente carrega-os e eles voam…
Estou certo de que voltaremos a falar nesta questão quando a construção do Novo Aeroporto de Lisboa estiver avançada. Aposto que, nessa altura, com reestruturação – o que equivale, em Portugal, a despedimentos – e com a súbita, mas periclitante, viabilidade dela resultante, surgirá algum benfeitor que não se importará de livrar os contribuintes portugueses desse ‘cancro’. Claro está que o volume de negócios, com a centralização dos serviços num mega-aeroporto , aumentará e tornará a Groundforce ou o seu sucedâneo em mais um sucesso da iniciativa privada em Portugal, um pouco à imagem das semi-estatais Galp e EDP ou da privada PT. Mas tudo isso se deverá, sem sombra para dúvidas, ao brilhantismo da gestão privada, e não ao desmembramento de uma empresa e à entrega de um aeroporto novo, pago por esta e pelas próximas gerações, bem como dos gordos dividendos que gerará, à maior ‘competência’ dos privados. Hoje e no futuro será tempo do contribuinte pagar; quando for tempo de começar a receber, os bons samaritanos dos portugueses darão a quem mais precisa, aos do costume. Ainda vou ver políticos que hoje são incapazes de encontrar uma solução de viabilidade e de futuro para a Groundforce serem transformados em brilhantes e competentíssimos gestores – com ‘ordenados’ condizentes – da Groundforce privada, seja qual for o bendito nome que venham a dar-lhe. Afinal, basta olhar para a dança de cadeiras permanente nos oligopólios nacionais para ter um vislumbre do futuro.
Sem dúvida. Subscrevo.
“Estou certo de que voltaremos a falar nesta questão quando a construção do Novo Aeroporto de Lisboa estiver avançada.”
Sobre o Novo Aeroporto de Lisboa não é preciso esperar para falar dele, afinal, o que é a privatização da ANA, nos moldes em que está pensada? Será estranho que o primeiro consórcio a apresentar uma proposta tenha sido o Astérion, que junta a Brisa e a Mota-Engil? Os grandes investimentos públicos, de que também não há quem salve o contribuinte, com as suas derrapagens, são sempre uma oportunidade para os políticos retribuírem favores. Mas isso não é um argumento contra as privatizações, é antes um argumento contra a gestão pública que temos. E é também um argumento contra todo o conjunto de investimentos públicos que este governo quer empreender.
“reestruturação – o que equivale, em Portugal, a despedimentos”
Equivale em Portugal e na maior parte dos outros países. Especialmente numa empresa onde 70% dos custos são com pessoal. Nesse caso não há volta a dar quanto ao que a Groundforce precisa. Os gestores públicos, que não sei se são mais ou menos brilhantes que os gestores privados, iam no bom caminho. Pena é que por motivos eleitoralistas o actual governo tenha barrado esse caminho. Talvez isso ajude a explicar a típica falta de brilhantismo da gestão pública.
“basta olhar para a dança de cadeiras permanente nos oligopólios nacionais para ter um vislumbre do futuro.”
Oligopólios nacionais criados e mantidos em boa parte com a ajuda do governo, onde domina a mentalidade de favorecer os denominados “campeões nacionais”. E dança de cadeiras porque, por cá, nada de importante é realizado sem conhecimento e autorização política. Diminuir a influência do governo na economia nacional é, também por isso, um imperativo.