A Grécia sobrevive no Euro


Rui Rocha,

 

Que os gregos são maus gestores, pouco produtivos, falhos de eficiência? Não em matéria de bola. Na verdade, não deve haver por aí outra selecção que, de tão pouco futebol, faça tão extraordinários resultados. A selecção grega, no passado com Rehagel, agora com Fernando Santos, não herdou o ideal de vida bela e feliz da antiga Atenas. Não encontraremos em Karagounis, em Katsouranis ou nos seus companheiros preocupações de estética futebolística ou de sensibilidade no trato de bola. Dir-se-ia, em contrapartida, que são descendentes directos dos velhos espartanos e que foram submetidos aos mesmos princípios de educação que estes defendiam. E que tinham como objectivo último desenvolver soldados exemplares em termos de combatividade e bravura. Sem heróis que se destaquem do conjunto porque heróis são todos. A selecção grega é, por ironia do destino, o exemplo acabado de que, em futebol, a austeridade funciona. E que, ao contrário de originar espirais recessivas, pode revelar-se extremamente expansionista. O PIB do futebol grego, medido em títulos e qualificações, é altíssimo nos últimos anos. Sobretudo se tivermos em conta a escassez de matéria prima com talento. A selecção grega faz mais com o menos que obriga os adversários, muitos deles com grandes orçamentos, investimentos e estímulos, a jogar. Portugal em 2004 e a Rússia em 2012 que o digam.

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