A graça


enlil,

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Do que eu gostava mesmo nem era de estar assim de perna partida. Podia ser Verão e em Nova Iorque (lá está, a perna fazia falta), mas ainda não seria isso que contava.

Era de ser desperto por uma sombra durante a sesta e que da penumbra, uma brisa de futura princesa, viesse celebrar comigo com um vestido tão branco-e-negro como o debate entre a beleza e a virtude. Depois do beijo.  

Nem pedia que me fosse servida ao domicílio a lagosta suada do “21” por um valete detrás da porta – que ela esfriasse na casca. E se dissesse que estava perfeita como sempre, seria sem sarcasmo nem tédio.

E mais posso jurar que em caso algum desdenharia da frivolidade do mundo, nem estaria disposto a trocar o luxo desta miragem loira por um par de botas e um jipe no Paquistão. Danem-se os vizinhos e a vida deles – será da idade?

9 comentários em “A graça”

  1. Meu caro Zé Navarro, o que eu gostei deste teu texto. Se fosse homem também teria um sonho igual ao teu. Porque de facto, sendo mulher, não vejo por aí nenhum príncipe à altura da Grace… Nem mesmo quando era nova.
    Mas, então como agora, jamais desperdiçaria a lagosta suada do “21” porque há pecados que se impõe cometer!
    Tem um Natal a teu gosto, que será sempre o meu desejo para os amigos.

  2. Funcionou! 😉

    E valeu a pena, que a Grace ficou uma graça, assim inclinada sobre os teus sonhos que nenhuma janela indiscreta há-de perturbar. Cá para mim, o que ela quer é um beijo.

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