A golpada


Pedro Correia,

BE, CDS, PSD e PCP contestam, sem ambiguidade, a golpada de hoje na TVI. Muito bem.

O Sindicato dos Jornalistas critica, sem rodeios, a "ingerência ilegítima" da administração da TVI numa área da estrita competência da Direcção de Informação. Muito bem.

A ERC anuncia a abertura imediata de um processo de averiguações. Muito bem.

O ministro Santos Silva considera "absolutamente incompreensível" a decisão do Grupo Prisa de afastar Manuela Moura Guedes dos ecrãs e pôr fim ao polémico Jornal Nacional. Muito bem.

A redacção da TVI repudia "quaisquer actos que ponham em causa a sua dignidade profissional e independência jornalística, bem como a liberdade de imprensa em geral", contestando a supressão do Jornal Nacional. Muito bem.

A administração da TVI, em comunicado, atreve-se a dizer que defende a "independência, o rigor e o profissionalismo" da estação. Muito mal. É preciso não ter um pingo de vergonha para vir agora com uma arenga destas.

17 comentários em “A golpada”

  1. Finalmente, fica aqui tudo dito. Tudo dito até ao momento, porque está tudo por dizer e o que falta saber tem de ser dito para que se saiba.
    Marcaste o ponto da agenda, compadre. De forma precisa. Venha agora o que interessa, que é a explicação, para que termine a especulação e se possa entender o que aconteceu.

    1. A explicação, para mim, é óbvia: houve um excesso de zelo no momento errado. A decisão veio do Grupo Prisa, à revelia da Direcção de Informação da TVI. É uma decisão ilegal, pois a administração de uma empresa jornalística, à luz da lei portuguesa, não pode interferir no conteúdo editorial de um órgão de comunicação social. Pior que isso foi verificarmos como a estratégia editorial de um órgão de informação português – a TV com mais audiência – pode ser delineada em Madrid, como há pouco salientou o Miguel Sousa Tavares. Tudo preocupante.

  2. A liberdade decepada,
    nesta época eleitoral,
    é uma acção dopada
    e totalmente imoral.

    Há muito por destapar
    e verdades escondidas,
    há quem queira “lerpar”
    em jogadas desmedidas.

  3. Resta-me pois concordar com quase tudo, com especial incidência no último ponto. A excepção vai para aquele ponto em que se diz muito bem da ERC, que declara a intenção de fazer um inquérito, sim, mas só depois de já ter condenado um eventual culpado. Triste.

  4. Todos concordam, no entanto a TVI acaba com o seu produto de sucesso.

    Todos dizem querer o JN de volta mas a administração da TVI prescinde de “vender” um produto que parece aue reune aceitação.

    Estes administradores da Media Capital estão a arruinar a empresa. Alguém acredita?

    1. A ordem para extinguir o Jornal Nacional – que recebeu violentas críticas de José Sócrates, em Abril, no congresso do PS e em entrevista à RTP – veio de Juan Luis Cebrián, administrador da Prisa e há 30 anos o maior aliado do Partido Socialista espanhol na comunicação social. E eis como um espanhol interfere directamente numa decisão editorial do mais relevante canal de TV portuguesa, violando a lei portuguesa. Recordo: em Portugal, nos termos da lei, quem toma as decisões de carácter editorial é a Direcção de Informação, não a administração da empresa, seja ela qual for. E a decisão de retirar MMG do ecrã e de suprimir o JN é uma decisão editorial.

      1. O Jonal Nacional não foi suspenso, vai para o ar como todos os dias. Quem foi suspensa foi a Moura Guedes. E isso qualquer adminitração de uma empresa pode fazer.

        1. O jornal de sexta-feira tinha características únicas, como bem sabe. Se acredita mesmo no que escreveu, considera certamente absurdo que se tenha demitido a Direcção de Informação da TVI em bloco e que os jornalistas da estação se tenham insurgido por unanimidade contra esse ‘diktat’ da administração. Mais: nessa hipótese também a posição do Sindicato dos Jornalistas se tornaria absurda e a do próprio ministro Santos Silva idem aspas.
          Lamento contradizê-la mas, ao contrário do que diz, a decisão de manter ou tirar do ar uma pivô compete em exclusivo à Direcção de Informação, que foi claramente ultrapassada e desautorizada neste caso. Não é nem poderia ser um acto de gestão, da esfera do Conselho de Administração.

      2. 1- A Prisa cortou com o PSOE, como já deves saber…
        2- É bom não misturar o “despedimento” de MMG com outras coisas. A TVI não desmantelou a equipa, a investigação sobre o Frreport pode seguir com a mesma equipa e com MMG
        3- Se existe. REPITO: se existe uma peça com novos desenvolvimentos, a TVI tem obrigação de a divulgar. Se o não fizer , há razões para adensar as suspeitas de intervenção do governo nete imbróglio.
        4- Se a TVI não transmitir a peça, MMG tem obrigação de divulgar o seu conteúdo. Espaço onde o possa fazernão lhe falta.
        5- MMG ( nem nenhum jornalista) é dono de um espaço informativo.
        6- Não sei se é jornalismo sério, utilizar um espaço para fins políticos. Era isso que MMG estava a fazer. Porque razão não avançou noutras investigações como o caso BPN, ou BCP? Aí haveria pluralismo informativo.
        7- Acho INADMISSÍVEL a decisão da PRISA.Se é ilegal, não sei. Mas tenho a certeza que é ilegal despedir com recurso à chantagem, como no caso que referi ontem. É também ilegal despedir jornalistas grávidas e/ou em licença de parto. No entanto…
        8- O fim do Jornal da sexta estava marcado desde o dia em que JEM saiu da TVI. Foi ele mesmo quem disse que era um projecto dele. Se Moniz saiu, é natural que se procedam a mudanças. Isso acontece em qualquer tipo de empresa e em qualquer parte do mundo.
        9- Bernardo Bairrão quis manter MMG e isso ajuda a perceber muita coisa
        10- Está a valorizar-se demasiadamente um caso, a partir de suposições. Admito perfeitamente que os blogs o façam. Não aceito é que alguma imprensa siga o mesmo rumo.

    1. O capital está cada vez mais prisioneiro do poder político, Sérgio. Em todo o lado – e Portugal não é excepção. O grupo Prisa, que já foi um potentíssimo império editorial, anda com a corda na garganta, sem liquidez: teve mais olhos que barriga e a morte recente do patriarca Jesús Polanco só agravou as coisas.
      Até por isso não é possível vislumbrar ‘lógica de mercado’ no que acaba de ocorrer na TVI, que era (e ainda é, resta ver por quanto tempo) uma grande fonte de receitas para o grupo.

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