A Gente Daninha


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A (in)ministra demite-se, com ela presume-se que cairá o abstruso homem-de-mão do PS que foi a secretário de estado. O CDS apresentou uma moção de censura que obrigou a uma movimentação do quadro político, em particular do PR. Mas convém lembrar três coisas:

1) A ministra foi-o porque assessorou Costa quando ele foi ministro desta tutela, e acompanhou as medidas estruturantes que ele tomou nesta matéria, e que tanto influenciam a actualidade. A sua nomeação foi uma declaração de continuidade. Tudo isso foi esmiuçado aquando da primeira mortandade, em Agosto. A cabeça da ministra (e a do amanuense que lhe foi “adjunto”) não pode satisfazer. Costa tem, como ex-ministro e como actual PM uma enorme responsabilidade nisto. Há que lhe cobrar isso (a minha factura seria o despedimento mas cada um que ponha a sua sentença).

2) Em Pedrógão Grande o PR sufragou, de imediato, a política governamental (em particular a partidarização da protecção civil, que levou a este total desconchavo). Agora teve que arrepiar caminho, até para sua salvaguarda. Chega de aplausos conjunturais, aponte-se-lhe directa responsabilidade nestes 40 mortos, pelo tempo de inércia e gestão tresloucada, que uma sua intervenção política poderia ter evitado.

3) Assunção Cristas, à frente do CDS, apresentou uma moção de censura, algo correcto, que o governo não pode passar incólume na AR diante de tanta aleivosia na relação com os cidadãos e sob um PM com tanta responsabilidade política nisto tudo. Mas cessem os aplausos a Cristas – há que lembrar que ela foi Ministra da Agricultura, Mar, Ambiente e Ordenamento do Território de 2011 a 2015. E era muito louvada, lembram-se? Alguém pode fazer um relatório, mero sumário executivo que seja, sobre as boas medidas neste assunto que ela avançou? Duvido muito.

 

Urgem novas políticas, um gigantesco inflectir de visões e concepções. E, nisto como em tantas outras coisas, uma enorme varridela. Estas pessoas não servem. E deste molde de gente – o aparelhismo – nada sairá de bom. A terra está queimada, e não pode ser semeada com gente daninha.

10 comentários em “A Gente Daninha”

  1. Na minha óptica o que conduziu ao desastre não foi nenhuma ausência de cadastro florestal, nem de limpeza de matos, ou jihadistas pirómanos, de algum autonominado Califado

    A responsabilidade é exclusivamente da Autoridade da Protecção Civil, com as suas abstrusas fases alfa e ómega, a descoordenação completa como geriu o combate aos fogos , e por arraste do Ministério que a tutela.

    Costa é também um dos grandes responsáveis. Do seu tempo, como ministro administração interna, data a extinção do Serviço de Guardas Florestais e a compra do SIRESP (via PT/BES). E foi essa a razão porque ele aguentou a Ministra. Porque demiti-la, ou permitir a sua demissão seria visto, subliminarmente, como um mea culpa. Oxalá o CDS e o PSD o peguem por aí.

    Cristas não tem nada a haver com isto.

    1. É a sua opinião. Subscrevo que Costa (e o seu avatar feminino) tem uma enorme responsabilidade política em tudo isto – e que o desmando actual conduziu ao extremo desastre. Está no postal. Mas, repito, Cristas não pode chegar aqui ao terrível hoje assobiando para o lado, como se nada fosse com ela. E ainda menos o afectuoso Marcelo.

  2. JPT, parece-me que está a ser demasiado severo para com a Cristas.
    Repare que este caos nas florestas deriva das políticas seguidas nas últimas dezenas de anos, como disse o nosso actual primeiro-ministro. E assim sendo (e é assim), durante os últimos 22 anos os governantes do PS detiveram o governo de Portugal durante 15 anos, contra 7 dos governos PPD/CDS, 3 dos quais a cumprir as exigências da Troica.
    Quanto ao resto, concordo inteiramente consigo.

    1. Não me parece. Foi ministra 4 anos. Peço que alguém me faça (ou me dê acesso) a um mero sumário executivo sobre as boas políticas que tenha prosseguido, induzido ou continuado. Estou a ser duro ou injusto?

  3. A diluição de responsabilidades pelo tempo e pelas cabeças leva ao estar afinal bem tudo o que está e não poder ser doutro modo.Lembra-me não sei o quê.

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