A Fé possível


Cristina Torrão,

2022-12-11 Stanislaw Szyrokoradiuk bispo de Odessa

Da Leitura do Primeiro Domingo do Advento:

«Ele será o juiz entre as nações e o árbitro nas questões entre os povos. Então eles hão-de converter as suas espadas em arados e as suas lanças em foices. Nenhum povo levantará a espada contra outro, nem voltarão a ser treinados para a guerra.»

(Is 2,4)

O Jornal Católico da Diocese de Hildesheim (nº 47, de 27 de Novembro de 2022), entrevistou Stanislaw Szyrokoradiuk, bispo de Odessa, a propósito destas visões do Profeta Isaías. E, quando o pontífice se vê confrontado com a necessidade de confortar os seus fiéis, admite:

«Na teoria, as palavras soam bem. Na prática, é, no momento, difícil falar sobre estes textos».

Mais adiante:

«O que aqui se passa é genocídio. É uma guerra diabólica. Sem motivo! A Ucrânia nunca prejudicou a Rússia (…) Já correu tanto sangue. Tanto ódio, tantas mortes, tantas ruínas, tantas lágrimas».

Quanto à probabilidade de os ucranianos terem de aguentar um Inverno sem electricidade e aquecimento:

«As pessoas compreendem porque temos de pagar um preço tão alto. Lutam pela nossa liberdade. Preferem passar agora estas dificuldades do que tornarem-se escravas da Rússia».

«Todos os padres de Odessa ficaram, também todas as freiras. Ninguém abalou. Este é um sinal para a nossa gente: resistimos – juntos».

 

Nota: a tradução das palavras de Stanislaw Szyrokoradiuk, a partir do alemão, é de minha autoria. O extracto bíblico é copiado de A Bíblia para todos: Edição Comum, LBE – Loja da Bíblia Editorial Lda. © 1993, 2009 Sociedade Bíblica de Portugal

10 comentários em “A Fé possível”

  1. É certamente difícil o equilíbrio entre uma autoridade religiosa e o patriotismo de um cidadão de um país em guerra. Contudo a atitude do bispo de Odessa contrasta favoravelmente com a do patriarca Cirilo I.
    P.S. – Pontífice foi já tratamento na terceira pessoa de bispos notáveis mas há uns dois séculos que apenas se aplica a supremos líderes religiosos. No catolicismo, ao Papa.

      1. Sumo Pontífice, Pontífice Romano ou só Pontífice.
        Transcrevo de Wikipedia:
        Pontífice (em latim: pontifex , lit. “construtor de pontes”) era, na Antiguidade romana, um membro do principal colégio (colégio) de sacerdotes, o Colégio de Pontífices (Collegium Pontificum),[1][2] cujo líder era o pontífice máximo (pontifex maximus), inicialmente um posto religioso, posteriormente incorporado pelo imperador romano.[3]
        Uma vez que originalmente o termo “Pontífice” refere-se a qualquer sumo sacerdote, como pode ser observado em sua tradução em outras línguas, como o grego,[4][5] desde o século V o título foi usado para descrever bispos notáveis[1], e após o século XI, o termo teria passado a ser utilizado apenas para os papas.[6]

        P.S. Eu pensava que a queda do uso para bispos tinha dois séculos, afinal tem 10.

  2. O que aqui se passa é genocídio.

    Disparate.

    O facto é que esta guerra tem tido relativamente poucos mortos civis. As notícias que se ouvem são do tipo, “caíram dois mísseis, houve três mortos”; ou seja, praticamente há um ou dois mortos por cada míssil, o que é muito pouco.

    Em mais de nove meses de guerra, quantos civis terão morrido? Dez mil, na pior das hipóteses, diria eu. O que é muito pouco, e de forma nenhuma configura quaiquer intuitos genocidas.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *