Deixamos que a falta de sorte se tornasse na última camada de pele do nosso ADN cultural. Foi por ela que ficámos repetidas vezes no lado errado da história. Os nossos governantes alimentam essa ideia e sempre que se lhes exige responsabilidades e consequências apontam sonsamente para a falta de sorte.
Assim, e mais uma vez devido à causa habitual, fomos ontem afastados do “fundamental” e relegados para a nossa vidinha cheia de coisas “secundárias”, tais como a pandemia e os seus efeitos, a estagnação económica e social, a pobreza, o marasmo e a endogamia política, o nepotismo, a dívida, a iminente subida das taxas de juro, a subserviência dos média e mais uma mão cheia de idênticas banalidades.
Os nossos políticos adoram que mergulhemos nesta anestesia colorida em que os torneios internacionais de futebol se tornaram e, quando terminam, ficam a pensar se no próximo campeonato ainda estarão no poder.
Será no Qatar e já no próximo ano. Até lá regressemos às tricas secundárias.
A falta de sorte
Paulo Sousa,
“Hoje é dia de futebol, e aqui estamos todos unidos em torno do futebol e, portanto, eu não vou agora estar a falar de outros temas, porque é desconcentrar o fundamental.”
Marcelo Rebelo de Sousa, no ínicio do jogo com a Hungria em 15 de Junho de 2021

Bom post.
Os nossos políticos adoram que mergulhemos nesta anestesia
Sobre isto que citei resta-me uma dúvida: será que é deliberado ou é estupidez natural? A última hipótese seria… uma sorte.
Remeto para o título do postal o esclarecimento dessa dúvida.
“Desconcentrar o fundamental”, é a única habilidade que lhe resta desde que assumiu a presidência, que limita a enxurradas sucessivas de inutilidades e jogo de palavras ocas.
Por falta de sorte a nossa, não lhe é exigido mais do que isso.
A nossa primeira figurinha do Estado (a que chegámos) tem, como é evidente, a lista de prioridades bem definida.
Claro. Popularidade e aplausos.
Esquecem-se da ovação que Marcelo Caetano recebeu na final da taça, poucos dias antes do dia 25/4.
Esse é o ponto. Até dá vontade de os ver a chorar derrotas.
É dos factos que me vêm regularmente à cabeça. Para mim e muitos outros, Marcelo tinha há muito esgotado o capital de esperança que recebeu inicialmente e era claro que o regime estava esgotado. No entanto foi aplaudido por muitos, alguns dos quais, por simples probabilidade estatística, estiveram dias depois no largo do Carmo a apupar a sua saída num Chaimite.
Venha a Liga Portuguesa depressa antes que o povo comece a pensar muito… A sorte é que está aí o Verão e como diz a mais alta figura da nação, “o povo é sereno”.
Felizmente, para eles, temos os campeonatos do hemisfério sul acessíveis por cabo e a bombar.
Ao contrário do conceito, a “silly season” por cá é interrompida irregularmente por eventos fortuitos.
O que faz falta é faca na liga.
Eu compreendo o que diz,mas quantos Portugueses não estavam ontem a ver o jogo?? Eu interesso-me por tudo o que se passa no meu País,voto sempre,mas também gosto de futebol. Também me irrita esta mania de se ser diferente… Menos.
Eu vi o jogo. Mas não vi nada do que se passou antes e depois. As análises, entrevistas, chegadas de autocarro…
Então certamente que subscreveu as declarações do PR em Budapeste.
Aceite os meus pêsames.