
Tão (abissalmente) estuporado ando que esquecera o aviso que um patrício me dera para hoje, para ter cuidado “que o problema destes gajos é com os turcos, os pretos e os árabes mas depois começam e vai tudo, nós, os espanhóis, todos …“. Saio de manhã, como sempre viro à direita, na via de Schaerbeck, o “bairro turco” como ironizo, a 200 metros a mercearia portuguesa, plácida conversa sobre o cartaz (ontem afixado) de “Roberto Carlos em Bruxelas” enquanto me abasteço das cápsulas Nicola. Avanço mais 500 metros, ao café-restaurante compatriota, nada bebo que ainda não é meio-dia, resmunga-se o pequeno nevão de ontem e a reviravolta do Porto, ainda hesito se beberei um bagacinho “só para aquecer”, mas há que manter o nível. Volto a casa, enquanto cozinho uma destas minhas trapalhadas vou fumar à varanda e ouço tantos estampidos e gritaria que julgo haver festa ali ao Cinquentenário, que raio de dia, com este frio, para a fazerem. Senil estou, é a minha filha que me convoca para todas estas sirenes. Pois aqui mesmo, a 500 metros, se virando à esquerda, na via do “bairro europeu” estão os fascistas flamengos (ou flamões, como aqui dizemos) a manifestar-se, a armarem confusão entre o tal Cinquentenário e o Berlaymont, esse que dista cá de casa tanto como o café Luanda se aparta do café Polana (ao lado do Frutalmeidas, para os distraídos). Não que seja eu europeísta radical, e que apupe a “nação”, patriota que sou (sim, sei que o termo provoca o sorrisinho adamado dos esquerdinhas funcionários públicos). Mas um tipo vê, na vizinhança literal, esta turba fascista – não muitos, 5000 numa cidade onde há pouco 75000 desfilaram por uma melhor política climática. Mas violentos. -, carregada de estandartes nacionalistas, os desses que apoiaram a ocupação alemã na I GM, o dos rexistas que apoiaram a Alemanha nazi, e percebe-os. Têm tanta legitimidade como os catalães, e têm os mesmos propósitos, não nos enganemos com as retóricas e os meneios.
Os estampidos já pararam, agora escasseiam as sirenes, a família está na calma dominical. E o pai a blogar o seu desprezo pelos fascistas portugueses, esses que desde Bolsonaro gozam com os “moderados”, pequena gente sem mundo (“sem cabaret” como li o outro dia) e sem dignidade. Gente incapaz de perceber o até egoísta “mas depois quando começam vai tudo, nós, os espanhóis, todos …“. E para com os patetas que foram à escola e chegaram a doutores que vêm falar da importância das “identidades históricas”, como se estes nacionalismos fossem um minério semi-precioso, coisa natural, inultrapassável. Pois se assim é convirá lembrar que os primos destes gajos emigraram para a África do Sul onde eram uns pés-rapados imundos. E horríveis seguidores da jihad da sua igreja reformada. E que os avós destes gajos emigraram para o Congo. E disso é melhor nem falar. Ou seja, para quem não gosta de imigrações bem que podiam ter vergonha na cara. Tal como os “venturinhas” e os CDS-Bolsonaros que se meneiam por Lisboa. É mandá-los para Ramallah. Parece que ficarão bem servidos.

Ainda bem que não aqueceu com o bagaço, ou teria sido apanhado pelo estardalhaço, rima e é verdade ou quase.
Esclarecida essa questão, que a ausência de postal já fazia antever o jpt levado no arrastão, pois resta acrescentar: e que culpa têm as pobres gentes de Ramallah, que já aturam tantos?
Consta que dão assistência a este tipo de apreciadores bolsonaricos, a lei, a ordem, as caganças e os ademanes
Não falo dos instalados, falo dos outros, dos coitados…
E os adamados. Consta que vão substituir o Baceira, pelo Macieira…uns com o Queen Margot, outros com Queen Fagot…
Eu sou antigo, vou com a rainha Margot. Há quem me diga, por causa disso, neo-conservador.
https://www.google.com/amp/s/www.sa bado.pt/portugal/amp/diplomata-apanhado-e m-escandalo-sexual
Pronto, já percebi que Ramallah esteve nas bocas do mundo, salvo seja, e eu surda. Pensei que fosse questão menos humana e mais humanitária, género juntar no mesmo saco gatos assanhados, quero dizer, juntar no mesmo vaso cactos desembestados (posso falar em bestas, jpt?).
Pode falar em bestas, aliás o postal é sobre os flamões bestas e, principalmente, sobre as bestas lusas
Por vezes receio que a malha que separa tais bestas do resto das gentes se quebre por simples encosto… sabemos que estão aí, não de braço dado com Ventura e Cristas ou Nogueira Pinto, mas no metro, no autocarro, na rua. Organizados, ensaiam-se nos jogos de futebol e infiltram-se nas forças de segurança, segundo consta. Será verdade? Podem ser coincidências mas, não sendo, as almas que se pavoneiam desculpando e justificando Bolsonaro não passarão de bonecos que se julgam bestiais – sem qualquer carisma e muito menos domínio sobre as bestas.
A bronca de Ramallah, que agora está em toda a imprensa, é muito feia. E levanta questões fundamentais. Claro que toda a gente se ri, o pateta será emprateleirado algum tempo e depois regressará. E as questões fundamentais (e os tipos que deviam ser guilhotinados) serão esquecidas.
Condenados à Guilhotina? A Margot, sim, pelo menos no filme a Adjani estava rodeada de decapitados à espadeirada que mais parecia a Geena Davis na Ilha das cabeças cortadas;
Mas no caso, à guilhotina só as câmaras de vídeo; e talvez o SIS, que decapitado que foi perdeu capacidade para investigar quem entra nas delegações diplomáticas portuguesas. Os outros, chicote com eles. Dos nomeadores que fingirão indignação aos nomeados (para os Razzie? Não vi o filme) que não respeitam o cargo e a sala oval.
Bela prosa. Belo texto. Abraço
obrigado pela simpatia
Preocupado com Bolsonaros e nem pesca sequer o extremismo que acontece nas “Universidades” e nos “Jornais” … onde tudo começa. Seja por acção ou reacção.
ó luckluky ó lá como você assina vá à merda, mas vá mesmo à merda, e só por isto ser um blog colectivo não o mando para onde você nem merece ir, e não me responda porque nunca mais lhe aceitarei um comentário, seu pateta energúmeno, sabe lá você o que faço ou digo, cobarde escroque que dessassina anónimo
Aplaudo de pé o comentário do jpt.
Em Ramallah só há amor.
O que se passa em Ramallah devia ficar em Ramallah.
é pela rama …. (ri-me com o seu comentário. E foi bom, que o registo de comentários aqui tem tanto azedume que afronta a mania blogal)
Morei em Etterbeek. Não volto a Brussel porque não gosto de voltar aos sítios aonde fui feliz e aprendi a viver com a chuva a qual é agora a minha forma de matar saudades aqui em Lisboa…
É “mesmo ali ao lado”, todas as semanas tenho o meu momento de Etterbeck
etterbeek
Pequeno detalhe:
Quando me roubaram a matricula do carro (Belga não EUR nem CD) foi em Schaerbeck que apareceu. Depois de um assalto. A Politie funcionou impecavelmente…
Não fui eu, que ainda não estava cá.
resmunga-se o pequeno nevão de ontem e a reviravolta do Porto
E a reviravolta do Sporting, não se resmunga?
A reviravolta do Sporting foi depois, à noite. Eu não a resmungo, pode ser que outros, os toupeiras ou andrades, o façam
é claro que não !…pois se não há quaisquer razões.
tudo a bem dos valores da ‘santa Inquisição’ e da verde..ade des..porto..iva em renovado vigor no futeluso…!!!
quando um dos riscados está à beira da derrota !…o grotesco Fábio Verde..íssimo nunca falha !!!
Calma, o desvario nas contas vai descobrindo carecas e hoje a Federação, certamente assustada pelos unfairplay financeiros, terá propostas para revolucionar o mundo do futebol nacional. Talvez um jornal comum, com um VARatojo qualquer a dragonear-se pelas redacções?