A Europa em colapso.


Luís Menezes Leitão,

 Há uma coisa que as pessoas não querem entender e que é que os povos votam de acordo com os seus interesses. Já Lord Palmerston dizia que a Inglaterra não tinha amigos permanentes nem aliados perpétuos. O que sempre teve foi interesses permanentes e perpétuos. Por isso as decisões políticas em Inglaterra sempre se basearam nos interesses do seu povo e não nos dos povos alheios.

 

Foi precisamente isso o que fizeram os ingleses ao votarem pelo Brexit. Não votaram assim porque preferiram os mauzões eurofóbicos apoiantes de Farage e companhia aos jovens cultos de Cameron, que aspiram a percorrer a Europa. Votaram assim porque entendem que o Reino Unido não tem neste momento na Europa o peso e a influência que deveria ter. E o resultado não foi apenas a consequência de uma luta interna no Partido Conservador, mas sim de cidadãos comuns que votam de acordo com os seus interesses. O Partido Trabalhista descobriu com surpresa que nos seus bastiões eleitorais a votação pelo Brexit foi esmagadora.

 

Diz-se que a consequência disto pode ser a saída da Escócia do Reino Unido. Sempre fui favorável à independência da Escócia, mas se alguém está convencido que um novo referendo escocês implica a permanência da Escócia na União Europeia está muito enganado. O que está nos Tratados é que um Estado só adere à União Europeia com o acordo unânime dos seus membros e a Espanha nunca deixará a Escócia entrar na União Europeia, uma vez que tal seria um precedente para a entrada da Catalunha. Mais uma vez, da mesma forma que a Inglaterra, a Espanha só tem interesses.

 

É por isso que enquanto houver gente convencida de que a União Europeia pode funcionar gerida por um Conselho onde os Estados grandes têm maioria assegurada e vão lá apenas para defender os seus interesses, a que os pequenos se submetem, a Europa nunca se reformará. O resultado disto é termos um pateta como Presidente do Conselho Europeu, que está convencido de que uma frase de Nietzsche é da autoria do pai dele. Ou a União Europeia se reforma ou caminha para o colapso. Ao contrário do que Juncker declarou antes de sair a correr da sala, isto é mesmo o princípio do fim.

0 comentários em “A Europa em colapso.”

  1. Exacto. A Inglaterra sair da “europa germânica” era só uma questão de … perguntar aos ingleses.
    E, se a madame Le Pen jogar bem as suas cartas, a D. Merckel já percebeu que vai fica a falar sozinha.

  2. Os Unionistas continuam a roubar o nome da Europa.

    Já existia antes da União sabiam?

    Now this is not the end. It is not even the beginning of the end. But it is, perhaps, the end of the beginning.

    Winston Churchill depois da batalha de El Alamein.

  3. Senhor Luis tem mais mã fé que Judas na Ultima Ceia (“porque me miras senhor”). O Donald Tusk que se lembrava do seu pai, nunca tomou autoria pela frase. Se a campanha do Leave tinha ideologos do seu calibre já percebo porque ganharam.
    C

      1. Senhor Luís. Através do link que posta:
        “lembro-me sempre do que o meu pai me costumava dizer: o que não nos mata, torna-nos mais fortes.” “O meu pai me costumava dizer.”
        Confesso envergonhado que também utilizei essa frase vezes sem conta sem nunca ter citado o grande filósofo. Assim como 80% da população europeia! Ninguém se lhe ocorreu tomar autoria da frase! Não insista se sabe que não tem razão. Chama-se má fé…

  4. Porque se oporia a Espanha à entrada da Escócia? Para a Catalunha ser admitida a Espanha teria que dar o seu acordo o que bastaria sob o seu ponto de vista.

    E enfraquecer o Reino Unido poderá ser encarado como desejável pela Espanha cuja química com o Reino Unido tem tido os seus momentos baixos.

      1. Há uma diferença entre a Catalunha e a Escócia. A Escócia é um país, a Catalunha é apenas uma região, como o País Basco, Galiza…

          1. Não é puro preconceito é a pura realidade. Não podemos nem devemos confundir país com região, é que se formos por aí, todos os países têm regiões e todos, podem entrar na histeria da independência. Longe vão os tempos em que Alberto João também queria a independência da Madeira.

        1. A Catalunha é uma nação, tanto como a Escócia, mas certamete mais que o Kosovo. Tem língua, cultura e identidade nacional.

          Quem gostaria de reduzi-la a uma simples região, como a Extremadura ou a Cantábria, são os apavorados centalistas castelhanos, muito semelhantes aod déspotas de Bruxelas, diga-se.

          1. O chefe dos estado é o mesmo do Canada; sugiro um site gratuito e que ajuda a fazer bons textos : google.pt

          2. Aqui tem o nome da primeira ministra da Escócia, Nicola Sturgeon que já disse querer ficar na UE.

          3. Sendo que a Escócia integra o Reino Unido o chefe de estado é a rainha Isabel II. O Reino Unido, é composto por 4 paises, Inglaterra, Irlanda do Norte, país de Galles, e a Escócia. Todos reconhecidos pela Nações Unidas como estados soberanos. A Catalunha tem estatuto de Região autónoma dentro se um país soberano, neste caso a Espanha. Basta olhar para o Euro 2016 e ver. A Catalunha não tem uma seleção nacional, ao contrário dos países acima mencionados, 3 dos quais, excluindo a Escócia, estão representados pela suas seleções nacionais. A Catalunha é representada e com muito resentimento, pela seleção espanhola.

          4. A Rainha na prática não passa de uma figura de estilo. Não manda nem decide nada, apenas diz sim, ao primeiro ministro, do decidido nos respectivos Parlamentos.

        2. A Catalunha, tal como a Escócia, é uma nação. Arrisco mais: a Catalunha, tal como Castela, Leão, Galiza, entre outros, é uma nação. Na mesma altura da Restauração em Portugal, a Catalunha lutava pela sua independência, e Castela deu mais importância à questão catalã do que à portuguesa. Por outras palavras, a Catalunha tem tanta legitimidade como Portugal ou a Escócia para ser um estado-nação independente. É só querer (e todos temos fundamentos históricos e jurídicos), e Espanha sabe disso.

          1. Sem entrar em debates nacionalistas, a grande diferença entre a Catalunha e a Escócia (neste caso), é que a Escócia poderia ser admitida na União Europeia porque não poderia faze-lo pelo Reino Unido (que sai). A Catalunha pretenderia entrar na União Europeia apesar de pertencer a ela pela Espanha. Essa é a diferença, neste caso.

            Vistas as coisas do outro ponto de vista, a Escócia já lhe foi dada a opção de ser independente (e a pertença à União Europeia foi um forte argumento nesse contexto). Não seria por isso de espantar que se lhe fosse dada a opção novamente (é esse o perigo dos precedentes). Já a Catalunha, nunca Espanha manejou sequer a possibilidade de lhe dar essa opção.

            Duas diferenças portanto. Objetivas e que se prestam neste caso preciso.

  5. Mais uma prova da grandeza da democracia inglesa. O povo foi chamado, através de referendo, a escolher a saída ou permanência na UE. Em Portugal talvez façam um referendo pela mudança do nome do cartão de cidadão, etc. Outro facto importante: O PM britânico perdeu e demitiu-se. Isto é dignidade e respeito pelas pessoas. Por cá é o total descrédito no parlamento, partidos e classe politica

  6. Não há a menor dúvida que é o principio do fim que já está anunciado há muito. Os ingleses não se quiseram submeter ao comando da Alemanha. A UE tem de ter consciência que são uma união, de vários países, em que as decisões estão em Bruxelas e que os senhores do topo de Bruxelas têm de ter um programa e irem a eleições porque chegámos ao ponto de a UE não ter nada, daquilo para que foi feita. Quem está no comando desta União são tecnocratas medíocres a fazerem o que os grupos económicos, agências e outros que tal, ditam e os povos, esses, não constam nos nos seus horizontes.

      1. Então diga lá como paga, se não tem como? Diga, mas sem rodeios. Diga como pagou a Alemanha a dívida colossal que tinha e já agora, diga que é feito da dívida da Holanda da qual ninguém fala, a não ser o Presidente do Eurogrupo que um dia, deixou escapar que o seu país, tinha uma dívida superior à da Grécia. Ninguém empresta sem ver se o outro tem possibilidades de pagar, mas a UE fê-lo sem se preocupar com isso e mesmo vendo que o outro, não tem como pagar, aplica-lhe juros altíssimos.

        1. Ter défice zero basta para pagar a dívida.

          O problema é que você e os outros não querem ter défice zero. Porque assim acaba uma das lógicas do sistema populista.

  7. Que venha depressa para sermos o que uns poucos leoneses quiseram fazer e que só D. Diniz conseguiu fazer como deve de ser: Portugal. De resto estivémos sempre infectados por carbonários facciosos e idiotas estrangeirados.

  8. “Tornou-se-nos a partir de agora uma necessidade, que a realidade não seria capaz de satisfazer, ouvir homens falar bem e copiosamente nas mais criticas situações: ficamos encantados, agora, por ver o herói trágico encontrar ainda frases, razões atitudes eloquentes e, em suma, ficar lúcido quando a vida passa ao lado dos abismos que faria na realidade, perder a cabeça à maior parte dos homens e a todos tiraria o gosto de bem falar.”
    FRIEDRICH NIETZSCHE

  9. “Por isso as decisões políticas em Inglaterra sempre se basearam nos interesses do seu povo e não nos dos povos alheios.”

    Como deveria acontecer em todos os países do mundo e sem

  10. “Por isso as decisões políticas em Inglaterra sempre se basearam nos interesses do seu povo e não nos dos povos alheios.”

    Como deveria acontecer em todos os países do mundo e sem a mais leve excepção.

  11. Claro que esta ë uma oportunidade da chamada Uniao Europeia,(que na realidade ë uma desuniao),repensar o seu futuro! Ate hoje, sö serviu a CLASSE POLITICA de Bruxelas(C.E.) e Estrasburgo(P.E.), e, as MULTINACIONAIS! Ao povo europeu, sö lhes restou a perda de direitos, o DUMPING economico e social :”necessidade de sacrifícios” ,”submissão ao mercado”,”alta produtividade, à beira dos limites físicos e psíquicos”, ” as empresas não dão aumentos, mas garantem o emprego” “baixamos salarios ou deslocamos para Leste e Asia” ; foi esta a realidade da chamada integracao europeia !!!
    Claro que quem nasce tordo, tarde ou nunca se endireita! Se CEE ja nao era boa, a LOUCURA do Tratado de Maastricht (1992), MOEDA UNICA, aplicada a paises com com realidades economicas tao diferentes, sö podia conduzir a esta amalgama /confusao/ embrulhada ! Hoje chegamos a este referendo que dita o inicio da Desintegracao Europeia, havera outros… para alguns um pesadelo, para outros um alivio! Para bem de todos, a Inglaterra tb vai provar que se pode viver, sem estar dentro da ditadura da Uniao Europeia. A Grecia ousou, mas nao conseguiu, estava devastada / pilhada pela Europa rica, e, abdicou / capitulou, foi obrigada a ajoelhar-se! Sö nos resta esperar por novos capitulos dos paises do sul, e, estar atentos a radicalismos nacionalistas!
    JAlmeida

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