A estratégia de comunicação do Bloco de Esquerda.


Luís Menezes Leitão,

 

Há muito tempo que acho que a estratégia de comunicação do Bloco de Esquerda é um disparate gigantesco, o que talvez explique a facilidade com que esse partido multiplica as tendências, as cisões e até os seus líderes. A imagem que publico acima apareceu em 2004 em cartazes espalhados pelo país. Nessa altura tive ocasião de receber uns colegas americanos em visita a Portugal, que ficaram muito espantados em ver o seu presidente em cartazes por todo o lado e quiseram saber o que lá estava escrito. Quando lhes expliquei que se pretendia extrapolar a derrota de Aznar nas eleições espanholas de Março de 2004 para dizer que a seguir também seriam derrotados eleitoralmente Bush, Blair e Barroso, perguntaram-me logo perplexos o que ganhava um partido político português com esse tipo de mensagem política. A qual aliás se viria a revelar totalmente errada, pois Bush foi calmamente reeleito em 2004 e Blair foi reeleito para um terceiro mandato em 2005. O único que pelos vistos se impressionou com a mensagem do Bloco foi Durão Barroso, que poucos meses depois preferiu emigrar para um exílio dourado em Bruxelas a continuar à frente do governo português.

 

Talvez preocupado com o facto de os alemães que hoje visitam Portugal poderem ter a mesma reacção que os meus colegas americanos, o Bloco decidiu que um cartaz com Angela Merkel deveria obviamente estar escrito em alemão. Aqui denuncia-se correctamente os vários erros de alemão que o cartaz tem. Confesso que quando o vi tive dificuldade em perceber o texto, e parece-me que o problema está logo no próprio português. “Um governo mais alemão que o alemão” é uma frase que nem em português faz grande sentido, quando mais traduzida para alemão, colocando adjectivos em maiúsculas e omitindo a vírgula, essencial nas orações subordinadas. Mas em termos substanciais a comparação não tem qualquer sentido. Não é por obedecer ao Diktat de Angela Merkel que o governo português se torna mais alemão que o governo alemão. No resto da Europa e na própria Alemanha poderemos ser chamados de muitas coisas. Alemães não será seguramente uma delas. E é estranho que o Bloco de Esquerda não consiga ver isso.

0 comentários em “A estratégia de comunicação do Bloco de Esquerda.”

  1. Entretanto, fui ler o texto do «Expresso» e achei piada ao facto de terem consultado especialistas em alemão quando não se preocuparam em consultar especialistas em português. Sou leitor do jornal e sei que precisam de especialistas na nossa própria língua. A falta de atenção à tradução feita a partir do alemão «macarrónico» é uma prova disso. (já agora, uma nota: eu estudei na Alemanha e acho que bem ou mal escrito o alemão fica sempre macarrónico, para usar o adjectivo do «Expresso»)

  2. Eu também discordo que tenhamos um governo mais alemão do que o alemão. Se assim estivesse a acontecer teríamos matéria para nos regozijarmos, pois ter um governo mais alemão do que o alemão significaria ter um governo com mão. Como não temos, contentemo-nos em dizer que temos um governo na mão do alemão.
    Só agora compreendo o que é ir para além da troika. É mudar de mão(s).

    Mas atenção com a mão, cuidado com o tapinha na peteca (http://pt.wikipedia.org/wiki/Peteca):

    https://www.youtube.com/watch?v=_1kFJGIaysA

  3. já foi noticiado que os alemães se preparam para emigrar em massa com destino a Portugal por estarem muito desgostosos com a falta de alemanice do seu governo.

  4. Eis um límpido exemplo da imprestável fantochada, da triste comédia, em que se tornou este país.

    De um lado um grupo de gente que se acha dotado de uma laica superioridade divina, sobre tudo e todos perorando com a arrogância de donos da razão, defendendo o impossível e uma demonstrada negação da democracia, e resvalando regularmente na deselegância e grosseria que a mais elementar educação (burguesa, decerto) mandaria saber evitar.

    Do outro, corrigindo-os quanto ao errado emprego de um idioma, um jornal que, arrogando-se a virtude do o ser “de referência”, se rendeu entusiástica e servilmente a essa ignóbil perversão da ortografia da língua portuguesa que por aí viceja, perpetrando numa língua um erro – ou mais – por cada erro que na outra aponta.

    Costa

  5. Ainda por cima escolheram uma foto que favorece bastante o Passos, que já há alguns anos que não tem tanta jovialidade (e cabelo).

  6. É o típico caso dos que querem aparecer mas não tem luz própria, por isso fazem de tudo para chamar a atenção (nas pessoas algumas até ficam nuas) é uma forma e para isso qualquer uma serve. O BE fez isso agora com esse cartaz, não se lembra que, queria Portugal e os portugueses serem a Alemanha e sermos alemães, que felizes seríamos se isso pudesse ser. Infelizmente nunca seremos nem o calcanhar deles e isso faz parte das invejas.

  7. Tanta mesquenhice em torno do estar ou não estar escrito.
    Caros leitores desocupados: não têm mais nada o que fazer?
    O que interessa é o que está escrito em Português!!! Ou será que ao povo em geral irão perceber o que está escrito em alemão?
    Muito mais do que eventuais erros ortográficos, está o sentido da mensagem…temos um 1′ ministro que está mais preocupado em agradar a cadela alemã do que ao povo Português…aliás, nunca tivemos um governo tão distante da população. Não andam pelo país a visitar o povo…quiçá lhes pese na cabeça a questão de terem mentido propositadamente em campanha eleitoral, para assaltar o poder, agradar o eurogrupo, os alemães e garantirem assim, seus futuros poleiros nas organizações europeias.

  8. Entretanto o BE poderá ir preparando-se para comentar o grande fracasso e submissão do governo grego e dentro em breve das enormes manifestações dos seus compatriotas contra o mesmo ao constatarem que mais uma vez foram enganados e de que afinal a única solução possível será mesmo entrar nos carris e pagar o restante que ainda não foi perdoado.

  9. Os tipos do BE para além de utópicos são ridículos . Lá no comício foi engraçado ouvir o gajo grego a falar em Português. Só por isso o Bloco está de parabéns. Pôr um grego a falar como nós!
    E vai o Cavaco e o Sampaio para a ONU a falar em inglês. Até a presidente Dilma vai lá falar em Mineiro Portuga!

  10. tudo muito bem, e até impressiona bem sempre que alguém explica o funcionamento da gramatica. Mas com ou sem erros, goste-se ou nao, a verdade, o facto, é que todos entendem imediatamente a mensagem.

  11. Concordo com a opinião exposta. Para além dos erros em alemão, a esquisita frase em português obviamente quer significar “mais papista que o Papa”. No entanto, quem nos dera que a gestão do nosso país fosse tão eficiente quanto a que os alemães fazem no seu país. Ou será que acham que nós é que vamos com o passo certo?

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