A ESSÊNCIA DO AMOR
É gira esta mulher. Gira não, linda. Sobretudo a boca. E os olhos. O nariz também é perfeito. Tem, de facto, um rosto muito bonito. Como se chama? Ah, sim, Olga. Olga qualquer coisa. Olga vai, Olga vem. De costas, deitada, em contraluz. Parece que é Kurylenko. A rir, de repente séria. Sim, chama-se Olga Kurylenko, é ucraniana e, agora me lembro, já foi uma bond girl.
O Ben Affleck quase não fala. Actores americanos raramente falam línguas estrangeiras, portanto enquanto a rapariga palra em francês, ele grunhe. Nada que atrapalhe os propósitos do realizador, que prefere ouvir a voz dela, prefere tudo dela. A correr, à chuva, ao vento, a fazer amor. Sempre ela. Meia hora tem piada. Diz que é um filme sobre o amor. Só se for do amor de Malick por ela.
Ando há anos a levar com doses maciças de fetichismo masculino. Calculo que à razão de mil pares de mamas por cada rabinho viril. Ainda há quem diga que o sexo não interfere com a produção artística.
As câmaras continuam a ser maioritariamente os olhos dos homens. Mas o Malick neste filme exagera. Leva à cena outra actriz, para que a triangulação se cumpra. É uma situação tão banal no cinema que tratá-la reduzindo a narrativa a elipses contínuas sobre paisagem metafórica parece pretensioso e preguiçoso, no entanto é o que ele faz. A outra actriz (Rachel McAdams) é uma fêmea estereotipada. Loira, mais peituda, beleza vulgar, o contraponto da menina ucraniana que o encantou. Pelo meio, vacilante e mudo o canastrão do Ben Affleck parece perfeito para fazer o papel de menino nas mãos das bruxas. Frágil, frágil perante tanta beleza. Tadinho.
A par deste enredo amoroso aparece também o caso de um padre (Javier Bardem) em crise vocacional a dar uma dimensão mais universal ao tema da complexidade do amor. Nada que convença. Porque no fim a Olga volta. De frente, de costas, de lado. Assim e ao contrário, em todas as estações. Se To the Wonder (em português, A Essência do Amor) era um filme para auto-satisfação, que petulância Terrence Malick, só porque é considerado um realizador de culto, tê-lo distribuído comercialmente.


Se não aparecer uma foto com o peitito e o cuzito da moçoila a carita nã me convence pra nada. Sim, porque nestas questões da arte ou se vê a natureza toda ou atão nã vale a pena. Este filme cá pra mim começa mal.
As pernas, sim as pernas, são tudo o melhor que a mulher tem.
Obrigada Teresa. Disseste o que eu penso há imenso tempo e ainda não tinha conseguido escrever.
Além do mais, o canastrão do Ben Affleck como escolha de um “realizador de culto” dá-me imensa vontade de rir…
Em abono da verdade até gostei de o ver no Argo, mas foi a excepção. Para fazer figuração até que não foi uma má escolha, Helena
Quanto ao filme, é sempre bom saber que te revês nas minhas palavras.
Também gostei de vê-lo no Argo, mas concordo que ele nunca será um actor para levar muito a sério.
Além de não teres intelecto suficiente para perceber a profundidafe daquilo que está a tua frente, só escreves grunhices. Além disso deves ser feia e mal fod***. Entretanto, vai ver uns filmitos da Disney e reduz-te a tua insignificancia ressabiada e mete os comentários num sítio onde o sol não brilha; pode ser que te sintas mais satifeita.
Podia tê-lo apagado, sempre poupava os leitores a um estilo que felizmente não grassa pelas nossas caixas de comentários. Mas faço questão de expor a sua delicada verborreia só para que se reveja nela. Leia-Mergulhe na profundidade do seu próprio texto as vezes que lhe aprouver.
Devias tê-lo apagado, estás a dar-lhe palco e é o que ele quer.
Deixa, talvez se enxergue.
Agora quero mesmo ver o filme, só para te dar razão com conhecimento de causa neste caso. Porque no geral já tens a minha total concordância. 🙂
E não é? Precisamos de mais mulheres atrás das câmaras. Como andamos há uma vida a ver cinema através do olhar masculino por vezes nem nos apercebemos até que ponto assimilamos as idiossincrasias deles como se fossem nossas. Mas neste caso é tudo tão óbvio, Ana… Depois me dirás.
A “guerra dos sexos” é um tema que se mantem na “ordem dos dias”?!
Constatar que o cinema reflecte fundamentalmente o olhar masculino sobre a vida, o que não surpreende uma vez que a esmagadora maioria dos realizadores são homens, não é alimentar a guerra dos sexos, Bartolomeu.
Não quero contradizê-la, Teresa, mas considero o seu ponto de vista, um tanto redutor.
Explico porquê: no mundo não vivem homens separados de mulheres. Não; vivemos em conjunto, partilhamos espaços experiências, sentimentos, etc.
A maioria dos realizadores são homens, é uma verdade, mas eles realizam para um público heterogéneo em múltiplos as pectos, contudo, universal e interactivo. E o facto de os homens valorizarem aspectos físicos femeninos, tem a ver com o princípio que lhe é intrínseco e instintivo, o de preservação da espécie.
Obviamente que as sociedades evoluiram desde os primórdios da espécie e isso resultou no aparecimento de outros sentidos paralelos que potenciam o mesmo fim.
O homem e a mulher que habitaram as cavernas, pensavam de modo diferente e valorizavam aspectos a que hoje não atribuímos a menor importância.
As sociedades de hoje cultivam é valorizam os sinais exteriores de beleza física, de formas corporais escultóricas. Os homens e as mulheres passam horas nos ginásios, nos soláriuns, nas lojas de roupa, de perfume e de joelharia de marca, para parecerem ao mundo, algo que foi criado segundo um estereótipo.
E é esse estereótipo, universalmente adoptado, que constitui a “materia” ou argumento para filmes que pretendem retratar aspectos, digamos… mundanos.
Esta é a minha opinião pessoal, evidentemente.
Alguns desses “estereotipos universalmente adoptados” muito ficaram a dever ao cinema, Bartolomeu. Claro que os realizadores trabalham para um público heterogéneo, mas não é por isso que deixam de interpretar a realidade de acordo com a sua sensibilidade. Recorrendo ao exemplo extremo que constitui o filme que aqui comento: acha que uma mulher poderia ter assinado esta “Essência do Amor”?
Também concordo que o cinema, como meio de comunicação audio-visual, tenha contribuido para a criação de consequentes estereótipos, Teresa.
Tal como os realizadores, também os escritores, os escultores e os pintores, interpretam a realidade de acordo com as suas sensibilidades, as suas vivências, e muitas vezes até, na primeira pessoa.
Não respondo à sua pergunta, porque não me acho em poder de elementos que me permitam fazê-lo com rigor, ou seja… estereotipando.
😉
A verdade é que ninguém repara mais na beleza de uma mulher, do que outra mulher. Os seres mais machistas são mulheres, se o filme fosse realizado por uma mulher, o foco ainda seria mais intenso na actriz, nem que fosse na tentativa de lhe encontrar um defeito, uma ruga, uma nesga de celulite. Este post faz sentido, é a visão de quem o escreveu, mas é uma visão muito distorcida da realidade. Não esquecer que a os homens vêm o mundo pelo prisma que as mulheres decidem.
Se disser que a minha visão é uma visão muito distorcida da que o anónimo tem da realidade não só concordo como apoio 🙂
“Os seres mais machistas são mulheres” – quando penso neste chavão pergunto-me sempre a quem ele mais convém e concluo sempre que não é às mulheres…
E essa de os homens verem o mundo pelo prisma que as mulheres decidem imagino que deve fazer sucesso junto da sua audiência feminina. As mulheres gostam de quem as faz rir.
Tem razão, não devia ter comentado um post seu, a primeira vez que quebro essa regra, recebo uma resposta carregada de pretenciosismo e alguma falta de chá. Enfim, é para eu aprender a não ir por onde já sei que não devo.
Dê-me então o benefício da dúvida. Não queria, de todo, suscitar-lhe esta reacção. Mas releio-me e percebo porque me interpretou assim. É o problema da comunicação escrita. Falta-lhe o som, para se perceber bem qual o espírito de certas frases.
Compreendo perfeitamente o que diz, já me aconteceu algumas vezes. Peço também desculpa pela minha reacção. Já tenho falado sobre essa questão da palavra escrita, talvez porque passámos séculos a comunicar quase exclusivamente pela fala, não temos a mesma facilidade de transmitir e perceber emoções pela escrita. Por isso é relativamente fácil transmitir ideias pela escrita, mas as emoções, pela mesma via, só estão ao alcance dos dotados. Esta era dos blogues, sms e redes sociais, têm feito a escrita ganhar terreno à fala, o recurso aos símbolos que transmitem sorrisos, línguas de fora e tantas outras coisas que se vão lembrando, acabam por tentar dar alguma emoção à escrita. Curiosamente é quase um regresso aos hieroglifos…mas isto já sou eu a divagar.
Sem qualquer ressentimento, cá estarei para voltar a comentar quando tiver algo para dizer 🙂
Give Peace a Chance !
Fico muito satisfeita, até porque sou uma leitora atenta dos seus comentários, que já considero muito cá da casa. Gosto de polemizar mas com cordialidade
Ah, Teresa, dizes bem. As saudades que eu tenho também de um cinema que nos mostre mulheres avaliadas pelo olhar isento de outras mulheres, sem “fetichismos” nem hipervalorização da eterna beleza feminina. A Scarlett Johansson, por exemplo, em ‘Lost in Translation’, de Sofia Coppola. Ou a Jessica Chastain, em ‘00.30 Hora Negra’, de Kathryn Bigelow.
Não há olhares isentos e é por isso não existir que eu clamo por mais oportunidades de ver o mundo através de lentes femininas. Só para variar, ok? Porque também gosto e acho útil ver o que vocês vêem. Ajuda-me a entrar na vossa cabeça, o que é sempre interessante.
Queixo-me é deste padrão ser tão forte, tão avassalador. Às tantas é normal estar sempre a ver corpos femininos, a vossa normal e justa obsessão sexual. Só que quando raia o exagero e é claramente o caso do “A Essência do Amor”, tenho o direito de me perguntar “Mas o que é que eu tenho a ver com isto?”
Dás um bom exemplo e um mau exemplo. Admito que a Sofia filma a Scarlett como um homem poderia filmar. Mas quanto à Chastain não concordo. A Bigelow nunca a despe, está claramente interessada em mostrá-la por dentro e não por fora.
Mas, Teresa, os retratos mais interessantes de mulheres no cinema são os retratos em que elas não se despem. Nunca a Marilyn, por exemplo, surgiu tão vestida como em ‘The Misfits’ e nunca ela foi tão dramaticamente atraente. Fazendo uso das tuas palavras, também o John Huston estaria “claramente interessado em mostrá-la por dentro e não por fora”. E resultou. De tal maneira que logo quisemos ver mais.
Infelizmente não houve mais. ‘The Misfits’, o filme da Marilyn finalmente sem ‘glamour’, é também o filme da Marilyn à beira do fim.
Tudo sob o olhar atento de um homem.
Dizes que “os retratos mais interessantes de mulheres no cinema são os retratos em que elas não se despem”. Como calculas não tenho a menor dúvida em concordar contigo neste ponto 🙂
The Misfits foi um presente de Henry Miller para Marilyn. Deu-lhe o papel por que ela tanto esperava, longe do estereótipo da loira estúpida que em todos os outros filmes teve que representar. Não fosse ele e provavelmente morreria sem conseguir um papel em que não tivesse que abanar as ancas e arejar o decote.
Queria dizer Arthur Miller, não Henry. Hei-de trocar sempre estes dois (os nomes, não as pessoas). As minhas desculpas.
há realizadores assim, fingem fazer filmes para puderem filmar mulheres, como este, como esta…
http://www.criterion.com/films/3060-vivr e-sa-vie
Não concorda? Está no seu direito. Mas dispenso a sua pretensiosa ironia.
Já vou atrasada na discussão, ainda assim, aqui vai: os meus Parabéns à Teresa pelas suas palavras sobre a o filme de Malick, concordo com tudo o que diz a considerar o Ben Affleck um actor, neste filme, é um pouco exagerado. Mas gostos não se discutem.
(lamentável a vulgaridade de um comentário que a Teresa fez questão de publicar – podemos e devemos não concordar com a opinião dos outros, mas deveremos, SEMPRE, respeitá-la, pelo menos é isto que eu ensino aos meus filhos, ou estarei errada?)
Gostei mais da Árvore da Vida, não concorda comigo?
Continuação de boas fitas!
E eu já vou atrasada na resposta que devo a tão simpático comentário. Desculpe, Cristina, só agora a li. A Árvore da Vida maravilhou-me, é um grande filme. Nada tem a ver com este devaneio.