A Espanha aqui tão perto


Pedro Correia,

«Estas manifestações [em Espanha], no seu carácter inorgânico, têm riscos para a democracia. Esta manifestação em Madrid, a pretexto de que a democracia espanhola está sequestrada pela troika, está de facto a sequestrar a democracia espanhola. Porque quando se cerca o Parlamento está-se a cercar a democracia. Isso, para qualquer democrata, deve ser claro. Quando se faz uma manifestação cujo alvo é a austeridade, sim, mas as instituições políticas também, há um risco de deriva não democrática. Não tenho uma visão segundo a qual sempre que as pessoas ocupam a rua estão a redimir a democracia. Não tenho essa concepção.»

Augusto Santos Silva, ontem, na TVI24

6 comentários em “A Espanha aqui tão perto”

  1. O Santos Silva está a defender os seus colegas deputados, claro. Deve ter medo que a moda pegue. Cercar a democracia? Isso são palavras. Cercar, quando muito, os vigaristas que se aproveitam da democracia para viver à conta do povo, enquanto este empobrece. Então, onde é que o povo se há-de manifestar? No deserto? A manifestação é o último reduto de um povo espoliado pelos seus dirigentes desonestos que, a coberto de uma pseudo-democracia por eles sequestrada, o roubam todos os dias, devidamente conluiados com os detentores do poder económico. As eleições, de quatro em quatro anos, não nos dão as devidas garantias, porque os políticos se borrifam para as suas próprias promessas e fazem tudo ao contrário. A seguir às manifestações, só resta mais um recurso a este povo cansado de ser aldrabado, roubado e gozado. É preciso dizer qual?

  2. Quando se cerca um povo cerceia-se a sua liberdade. Augusto Santos Silva tem uma visão errónea da democracia. Não, não faço a apologia da violência; entendo é que se deve reflectir sobre as causas primárias de toda esta fúria. A violência em Espanha, tanto quanto me apercebi, deveu-se ao facto de uma carga policial por esta menifestação não estar legitimada para acontecer. Por favor, haja um pouco de consciência nas medidas que se tomam para conter a expressão espontânea das pessoas. Se for feita uma retrospectiva das promessas do novo executivo e do que está a acontecer talvez ninguém considere ilegítima esta atitude (não me refiro à violência).

  3. Não, não estão a redimir a Democracia, de facto estão a tentar libertar aquele significado do real sentido da palavra democracia que foi esvaziado ao longo dos tempos, que foi reduzido à mera escolha de dirigentes. Uma cada vez maior quantidade de cidadãos estão cientes que e Democracia representativa não é eficaz não consegue manter o equilíbrio e a paz social. Os seus representantes, logo que sobem ao poder mostram que: ou se enganaram ou enganaram quem confiou neles.
    Demo Cratos : poder do povo. É este poder que não existe, existe apenas a ilusão disso no dia da eleição…
    O aviso já vem de longa data, a abstenção é esse aviso, é a voz do povo a dizer que não estão iludidos, podem ainda não estar conscientes mas no fundo sabem que democracia representativa é algo que não funciona porque simplesmente os políticos prometem mas não cumprem, ou porque não querem/ou porque são impedidos, ou porque são insolentes.
    Acredito que o caminho é a Democracia, mas Participativa ou Semidirecta, para me apoiar nessa inclinação tenho a cada vez superior educação da sociedade, de resto pouco mais.
    Tenho de deixar amadurecer, o tempo passa com ele tudo se transforma.

  4. “Cercar, quando muito, os vigaristas que se aproveitam da democracia para viver à conta do povo, enquanto este empobrece. “

    Só quem não sabe fazer contas é que escreve pérolas destas. O povo apoiou sempre mais impostos agora queixa-se de quem vive às suas custas?

    “palavra democracia que foi esvaziado ao longo dos tempos”

    Não foi, os portugueses até bem mais que os espanhóis tiveram sempre o que queriam ouvir, por isso é que a dívida não parou de crescer.
    Uma mentalidade marxisto-adolescente e estes posts provam-no, assegura que não aprenderam nada.

  5. Não reparei que o sr. Silva, Santos – que gosta de malhar – nem outros do partido dele tivessem condenado o que se passou em frente à AR ou ao Palácio de Belém.

    1. Tenho de lhe dar razão. Até porque se aquilo é o “povo” – seis mil pessoas com aspecto duvidosos e com símbolos políticos, como bandeiras republicanas – então prefiro que não haja governo do povo.

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