
Apesar da reverência com que os entrevistadores o trataram, Passos Coelho enterrou-se completamente na entrevista que deu. Não foi capaz de explicar minimamente o disparate da TSU. Disse que iria ter sucesso com essa medida, como se estivesse a proclamar um dogma de fé. Quando lhe disseram que até o Engº Belmiro de Azevedo estava contra, lembrou-se de lhe sugerir que baixasse os preços. Assumiu-se incapaz de renegociar as PPP, enquanto multiplica os cortes de salários. Respondeu ao argumento de que era forte com os fracos e fraco com os fortes dizendo que estava a poupar os funcionários e pensionistas de rendimentos mais baixos. Insiste que não estamos numa espiral recessiva, e quando lhe chamam a atenção para a quebra das receitas fiscais, disse que é porque se venderam menos carros, o que até é bom pois baixa as importações.
Já que falou de carros, a minha pergunta é apenas esta: alguém compraria um carro usado a alguém que viesse com uma conversa destas?

Provavelmente vimos entrevistas diferentes. O Belmiro de Azevedo, que é um mamão, ouviu aquilo que merecia.
Toda a gente fala do consumo interno, sem perceber que foi o consumo interno, promovido entre outros por Belmiro de Azevedo, uma das grandes causas do nosso desastre.
Portugal não pode gastar o que gasta com os funcionarios publicos, e como não lhe pode cortar salários, vai despedir 100 mil. Ficamos melhor.
Nós não percebemos e você não explica: como é que o consumo interno foi a causa do nosso desastre?
1.-Passos Coelho consegue mostrar vontade em controlar a tesouraria das empresas e sugerir a baixa de preços das empresas. Como liberal que diz, isto é um erro de palmatória, uma xuxialice do pior estalinismo. As ideias contam…quem não as tem…
2.-Desde meados da década de 90 semeou-se a ideia (na falta de semente a sério) que qualquer bípede podia ir para a política, seria como na direção-geral ou na empresa: sorri-se ao chefe, mete-se com um interno, não se fala muito (para não se perceber a largura da acefalia), pede-se uma cartolina, mete-se foto, e vai-se “subindo” numa hierarquia estatutária…importando sobretudo estar nos sítios “para ser visto”.
3.- Toda a realidade passa a ser vista como o facto passado. Ter amigos interessa, dar à clientela é fundamental, alianças, opções de coreografia…mas NADA de substância.
4.- A SUBSTÂNCIA é dizer que não há contratos blindados, que fazer uma estrada não é segredo de estado (não há um único deputado que peça um único contrato PPP scut com adenda e anexo?, ou será que é a sociedade civil tem que ir ao tribunal administrativo pedir o acesso?
5.- A SUBSTÂNCIA é fundir fundações, mas não juntar o pessoal das duas….
6.- A SUBSTÂNCIA é extinguir autarquias, mas não é juntar o pessoal das 6 ou 7 extintas…
7.- INDEMNIZAÇÕES? Claro que sim: o fundo para a banca que praticamente não é usado…
8.- Na próxima geração aprendam: pouca gente no Estado, … pois é o garante do empobrecimento equitativo.
Se se diminui o dinheiro pedido emprestado obviamente que a recessão que se está a tapar desde há 10 anos pedindo emprestado aparece finalmente. Meh!
La Pallice…
Os Portugueses não produzem 180 mil milhões de Euros todos os anos mas querem viver com esses 180 mil milhões de euros. Impossível.
Que raio esperava, desde o início deste Regime Social-Suicida que a Dívida passou de 15% para mais de 120%? Aquilo que não pode continuar para sempre, não continua. Para. Trava. Fim.
Que o Governo é desastrado, incompetente, mentiroso não há dúvida. As provas são mais que muitas.
Mais é notável que ainda consegue estar menos errado que a maioria dos que o criticam que querem sol na eira e chuva no nabal em grau ainda maior…
Depois de ouvir Passos Coelho compreendi quais são os ajustamentos e reformas estruturais em curso. O rapazito tem uma estratégia excelente: Fazer tudo por tudo para reduzir o défice da balança comercial, aumentando exponecialmente o outro. Durou bastante compreender isto, mas lá consegui. É agora que começaremos a exportar carros, os usados e que não podemos manter. Tá tudo visto.
Por acaso também me irrita a subserviência e a bajulice com que a generalidade dos jornalistas se dirige aos políticos. Até nisto: tratam-nos sempre por “senhor doutor” ou “senhor engenheiro”, mas são por sua vez, normalmente, chamados apenas pelo nome próprio.
«Alguém compraria um carro usado a alguém que viesse com uma conversa destas?”
Nem destas nem das do seu antecessor…