A “direita” a medir pilinhas


Pedro Correia,

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Transição acelerada em marcha-atrás: depois de ter sido liderado pela primeira vez por uma mulher, Assunção Cristas, o CDS acaba de afugentá-las dos seus órgãos directivos. No congresso de Aveiro, imperou a tendência testicular: um presidente, sete vice-presidentes, um secretário-geral e um coordenador-autárquico. Todos homens. Na Comissão Política Nacional, com 59 membros, só seis mulheres. Eis como as aparências iludem: mal se começa a raspar o verniz da novidade, algo muito velho surge à tona.

Este CDS insuflado de androfilia pode regredir em ritmo ainda mais acelerado: basta que o novo líder, Francisco Rodrigues dos Santos, ceda à tentação de empurrar para fora da Assembleia da República a actual líder parlamentar, Cecília Meireles, para ascender ele próprio – ex-número dois da lista do Porto, encabeçada por Cecília nas legislativas – à condição de deputado. Se assim acontecer, o Largo do Caldas amanhecerá travestido de Clube do Bolinha, entre hossanas ao marialvismo mais serôdio.

Rio, Ventura, Cotrim e o recém-surgido Chicão vão passar os próximos dois anos a medir pilinhas, evitando perturbar o sossego do Governo. António Costa descontrai e boceja: Assunção Cristas, única dirigente da oposição que o irritava até às entranhas, saiu de cena e já não lhe causa incómodo. A chamada “recomposição da direita” produz nele um efeito conjugado de valeriana com camomila. Nada mais relaxante para um socialista.

32 comentários em “A “direita” a medir pilinhas”

  1. Rio, Ventura, Cotrim e o recém-surgido Chicão vão passar os próximos dois anos a medir pilinhas.

    Neste momento estão todos empenhados a ver qual deles sugere maiores diminuições de impostos, logo maior défice, no Orçamento de Estado.

    1. Quanto ao facto da fiscalidade em Portugal ser de desavergonhado saque e confisco, em si mesma e naquilo que (não) proporciona ao cidadão pagante, nem uma sua palavra. Quanto ao facto de para o resultado das contas do estado contarem não só as receitas como também as despesas públicas, e sobre estas últimas e sua bondade, muito haver a dizer, nem uma sua palavra.

      Poder-se-á sem dúvida discutir se de todo, nas actuais condições do país, uma significativa redução de impostos (e não coisas de descarada demagogia e breves primeiras páginas, e que resultam nuns cêntimos menos de IRS por mês e só para alguns; os do costume) seria coisa viável, governe quem governar. Há, além de tudo o resto que objectivamente se possa elencar nesse sentido, ou no oposto, uma muito sólida tradição de não o fazer: em Portugal e por regra os impostos, taxas, contribuições, coimas e afins multiplicam-se em número e sobem em valor, conjugados com legislação fiscal requintadamente kafkiana e em constante mutação, esteja de turno no governo quem quer que seja. Dão muito jeito ao poder, uma e outra coisas.

      Mas, Lavoura, fosse por estes dias outra a cor política a apresentar e defender um OE, usaria você de tanta simplicidade e telegráfica bonomia para com o tema?

      Costa

      1. o facto da fiscalidade em Portugal ser de desavergonhado saque e confisco

        Em Portugal e em todo o lado, a fiscalidade é saque e confisco.

        Porém, tem que existir, porque o Estado não presta serviços de borla.

        para o resultado das contas do estado [contam] não só as receitas como também as despesas públicas

        Certo. Por isso mesmo o ministro das Finanças disse, e muito bem, que qualquer partido que apresentasse propostas diminuindo a fiscalidade, deveria também apresentar propostas diminuindo correspondentemente as despesas públicas.

        Ora, eu não vi nenhuma proposta do PSD, nem do CDS, nem da IL, nem do Chega para diminuir a despesa pública. É claro que essas propostas podem ter existido, mas eu não as vi.

        fosse por estes dias outra a cor política a apresentar e defender um OE, usaria você de tanta simplicidade e telegráfica bonomia para com o tema?

        Sou favorável a um orçamento equilibrado ou com algum excedente, que permita pagar a nossa monstruosa dívida. Sou contra todas e quaisquer propostas que desequilibrem um orçamento que está equilibrado. Se os partidos da oposição querem dimninuir as receitas, então que digam também como diminuem as despesas.

        1. Uma coisa lhe garanto. Se o Estado me cobra 23% por um serviço que presto sozinho (às vezes, no carro, até olho para o lado, a ver se o vejo, sentado ao meu lado) não se trata de contribuição, mas de saque. Se o Estado gasta em Bancos, o dinheiro de todos, em milhares de milhões de euros e assegura à comunidade, uns serviços públicos de merda -SNS para os pobretanas, uma PSP de merda, uma AT omnipotente e omnisciente – o Estado perde a vergonha e a “gente” o respeito (obrigado Rão).
          O resto é para entreter

          1. SNS para os pobretanas

            Eu não sou pobretanas mas, quando o meu filho mais novo teve um cancro, há 5 anos, foi tratado pelo SNS. E bem tratado, devo dizer.

          2. Mas acaba o estado ou os impostos?
            Assim seria o Emirado do Chicão saud Port, e só pagariam impostos aqueles estrangeiros das obras.

          3. Mas acaba o estado ou os impostos?
            Assim seria o Emirado do Chicão saud Port, e só pagariam impostos aqueles estrangeiros das obras.

        2. “Em Portugal e em todo o lado, a fiscalidade é saque e confisco. Porém, tem que existir, porque o Estado não presta serviços de borla.”

          Você sabe perfeitamente o que pretendi significar, Lavoura. Esta sua resposta farisaica – e todo o restante da sua resposta ao que escrevi (um orçamento equilibrado e com algum excedente é um objectivo que ninguém de bem, no plano dos princípios, poderá rejeitar; resta saber com que opções lá se chega) – só demonstra o seu canino seguidismo do que a geringonça produzir.

          QED

          Costa

    2. Eu, cheio de pressa, a subir a Rua de Santa Catarina para chegar rápido ao Marquês e aquele alvoroço todo.

      – O que se passa? – perguntei a um fininho, Chico?, que vinha em sentido contrário.

      – É o “fanático dos popós” e o gajo das ponchas à esmola – respondeu.

      Carago, se tinha compreendido alguma coisa até ver as bandeiras. Mas era verdade. Ali estavam o roque e a amiga e a amiga e o roque. Ainda tentei fugir, mas não tive escapa.

      – Olha aqui este senhor, carago! Então diga lá prá gente o que faz – avança o Rui.

      – Eu … eu, olhe eu quando não subo a rua para o Marquês trato das hortas.

      – É preciso alguém que faça alguma lavoura e que trate da terra abandonada que há por esse país fora – disse um sotaque ilhéu acompanhado de uma palmada nos costados que me tirou o ar.

      – E no Domingo como vai ser? Vai-se esquecer de nós? – pergunta o Rui.

      – Olhe, nem sei se vou lá aparecer. Há um senhor que vai fazer uma gincana de 4L’s e se calhar vou ver! Mas diga-me lá o que é que estão para aí a prometer?

      – Ó homem, então nós queremos descer os impostos, aumentar as pensões e os salários. Queremos que os portugueses tenham mais poder de compra – responde o Rui acompanhado por uns acenos de cabeça afirmativos do João.

      – Descer impostos? Uma proposta dessas? Estão maluquinhos ou quê? No Domingo vou mas é ver a gincana e beber umas ponchas que é tempo mais bem empregue.

      Smoreira

    1. Eu nuca faço nada anónima. Saiu assim não sei porquê. Mas aqui fica a correcção: o meu nome é Isabel Mouzinho

  2. Discutir enredos partidários é coisa que há muito deixou de me interessar minimamente, porque, como está mais que provado, distrai as pessoas para não levar a lado nenhum.
    Faz-me lembrar, pelos canais e pelo tempo de antena, aquelas mesas redondas sobre o futebol falado, mas que nunca se vê jogado
    Mas o título chamou-me a atenção, pela sua natureza marcadamente machista:
    – então só se contam as pilinhas?!
    E reparem que as aspas estão na direita…
    Será para provocar a esquerda?!

    João de Brito

    1. Machismo é só haver pilinhas. A chamada “direita” portuguesa voltou a ser um clube só para cavalheiros.
      Esta gente não aprende nada com as lições da História.

          1. Desta vez só percebi ‘a posteriori’. Mas fica a sugestão de leitura à mesma, para quem queira aproveitar.

            (Quando passar pelas suas bandas, em breve, avisarei; a ver se empinamos uns púcaros.)

  3. Viu-se o incómodo que a Assunção Cristas causou a Costa. Por pouco, nas ultimas eleições desaparecia o CDS…Eu até gosto bastante da Dra Cristas mas afirmar que ela causava incómodo ao Costa, quer dizer…

    1. Viu-se e ouviu-se. Foi, de facto, a única voz da oposição que fez várias vezes perder as estribeiras ao PM no hemiciclo. Até o levou a acusá-la de racismo…

      Quanto ao desaparecimento do CDS, nunca ele esteve tão iminente como quando Adriano Moreira liderava o partido.
      Entre Adriano e Chicão, há quem prefira Chicão. Eu prefiro um CDS com menor expressão eleitoral mas com a credibilidade intacta.

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