Nem queria acreditar quando vi, uma noite destas, Augusto Santos Silva protagonizar um frente-a-frente com Nuno Morais Sarmento no novo canal de notícias da TVI. Dizem-me que este programa tem carácter regular, o que torna o ministro dos Assuntos Parlamentares colaborador permanente da estação de José Eduardo Moniz. E não queria acreditar porquê? Porque este é o mesmo Santos Silva que ainda há dias, em entrevista ao DN e à TSF, dizia o pior possível desta estação. "A TVI, designadamente no seu Jornal Nacional da sexta-feira, viola sistematicamente os princípios da profissão de jornalista e o Código Deontológico dos Jornalistas", bradou o ministro. É verdadeiramente inexplicável que Santos Silva aceite colaborar com uma estação televisiva que "viola sistematicamente" os princípios do jornalismo. Já que ele tanto gosta de falar em deontologia, apetece-me perguntar-lhe se não há uma grave falha deontológica em tudo isto. Da parte dele, não da parte da TVI.
A ‘deontologia’ do ministro
Pedro Correia,

Ah mas é mais um palco, Pedro…
Não sei se isto é «real politik», mas também não gosto, mesmo nada. Nem do indivíduo em questão by the way.
Não sei se será por estarmos a poucos meses de eleições, mas este é o ministro que mais tem falado, Joana. Talvez por estar ungido de uma especial autoridade ‘no seio do governo’ (deliciosa expressão que ainda se lê tanto por aí). O problema com ASS é que a quantidade das declarações é inversamente proporcional à qualidade. Como se tem visto. E lido. E ouvido.
Ah!ah! Ter boa memória é lixado! E não se arranja uma rolha para jornalistas como tu? (deve estar agora o ASS a pensar…)
Já não há rolhas disponíveis no mercado, Teresa. Esgotaram-se para tapar a boca e a verve de muito escriba aí por essa blogosfera fora. Nem um pio emitem contra o Governo, não vão Suas Excelências incomodar-se…
Só prova que o ministro apoia o pluralismo de ideias… o que sendo um homem de esquerda é perfeitamente natural.
Tem razão: é ‘perfeitamente natural’, o debate de ideias. Menos natural é desancar forte e feio a estação de TV onde se tem colaboração regular, sobretudo tratando-se de um ministro que tutela os assuntos da comunicação social.
A “deontologia” desaparece quando aparece mais uma oportunidade de ser protagonista e arrecadar mais uns euros para a conta bancária!
Caro Pedro:
Mais uma análise perfeita feita por si.
Só vem provar que o “malhador” é um tretas, diz uma coisa e faz o seu contrário, oque é triste é termos “gentinha” desta no governo, mas como são todos iguais ao “chefe” estamos esclarecidos.
Está quase a chegar a hora de mandarmos este conjunto de “iluminados” para as termas. Portugal não é nação só a partir de Fevereiro de 2005.
Carlos, obrigado pelas suas palavras iniciais. O que me faz verdadeiramente confusão é haver alguém disposto a colaborar, dando a cara e o nome, num órgão de informação que viola tantas e tão reiteradas vezes a deontologia jornalística.
Caro Pedro,
Não o acompanho nesta reflexão. Confesso que me faria muito mais confusão se uma pessoa, político ou não, ministro ou não, se excluísse de ir a jogo no debate plural por ter um determinado juízo de valor sobre a linha editorial, não do programa em que participa (aí sim, poderia ser algo bizarro), mas de outro programa dessa estação e que nomeou sem rodeios. Ou que anulasse a frontalidade crítica por lá estar. E quantos comentadores não têm (e bem) posições críticas (algumas estimulantes e enriquecedoras) sobre posições editoriais dos meios de comunicação onde opinam? Desempoeiremo-nos.
Uma provocaçãozinha, se me permite: e o Pedro, o que acha do padrão deontológico do Jornal Nacional de Manuela Moura Guedes?
Um abraço
André Salgado
Caro André,
Fiquei sem saber, depois disto, se ainda existe o tal “jornalismo de sarjeta” de que o ministro tanto gostava em tempos de falar. E se a TVI, segundo ASS, faz parte desse “jornalismo de sarjeta”. E se viola o código deontológico às sextas mas não no dia em que ASS lá emite opinião. E se ASS se sente bem numa televisão que viole o dito código mesmo no dia em que ele lá não põe os pés. E se a crise de comentadores já é tão grave que começa a ser necessário recrutá-los no Conselho de Ministros. E se o Jornal Nacional apresentado por MMG melhora se ASS começar a ter lá assento como analista, à compita com o Miguel Sousa Tavares e o meu amigo António Peres Metelo. E se o ASS comentador concorda com o ASS ministro.
Enfim, um mundo de dúvidas. Tenho de visitar com mais frequência ‘O País Relativo’, exemplo de blogue apostado no “debate plural”, para me “desempoeirar” um pouco. Ando mesmo a precisar.
Um abraço