A democracia directa, quando nasce, é para todos?


Rui Rocha,

E o que diriam todos aqueles que se entusiasmam com a jogada política brilhante de Papandreou e com os benefícios da democracia directa e de devolver ao povo grego a decisão sobre o resgate se, tomemos uma hipótese meramente académica, Merkel tivesse decidido convocar um referendo para ouvir a opinião dos alemães sobre o bailout da Grécia?

13 comentários em “A democracia directa, quando nasce, é para todos?”

  1. Bem… creio que ao votar pensariam na repercussão do seu voto sobre as acções de bancos alemães que têm directa ou indirectamente através de fundos de investimento.

    1. Sim, é possível. Mas a pergunta não é o que fariam os alemães. É sobre o modo como encarariam tal situação os que agora se entusiasmam com a decisão de Papandreou.

  2. Ó meu caro Rui Rocha! Nada de confusões.
    O Papandreou não está a fazer democarcia directam e aquilo q que os ignorantes jornalistas chamam referendo não passa de um plebiscito popular – que não são a mesma coisa.

    Aconselho a leitura regular deste sítio:
    http://democratadirecto.wordpress.com/

    Como está por lá explicado, o plebiscito é uma consulta popular de inciativa governamental, o referendo é uma consulta popular da iniciativa dos cidadãos.
    Ora, que eu tenha dado por isso, os cidadãos lá do país do sr. Papandreou não pediram consulta nenhuma, andam apenas a ver-se gregos…

  3. Este plebiscito envenenado nada tem a ver com escolhas democráticas. É uma chantagem aos eleitores gregos. E uma inadmissível bofetada de Papandreou aos restantes cidadãos europeus.

  4. Uma excelente decisão de Papandreou e a Merkel e qq outro deveria fazer o mesmo.
    Merkel & Co. não têm legitimidade eleitoral para colocar o dinheiro dos alemães, franceses etc. na Grécia.
    Tudo o que não consta do programa de um Governo deve ser referendado.
    .
    Mas mais uma vez se vê por aqui e não só como todas as regras são para ser atropeladas quando é importante para a elite.
    As regras são para ser violadas sempre que conveniente, parece ser a educação em vigor.
    Regras que existem supostamente por causa do mau tempo, não por causa dos ventos a favor…
    Ou seja o povo só será chamado para coisas que agradem à elite. Ou vota-se até ter o resultado desejado por esta.
    As sementes do Neo-Napoleanismo e Neo-Bismarkismo ,do mandarins continuam a mandar no espiríto dos Unionistas Europeus.

    1. A sua posição é perfeitamente clara e coerente com aquilo que lhe vi escrever sobre estes assuntos, Lucky. O que já não aceitável é a posição dos que defendem o “referendo” na Grécia como uma solução brilhante e não colocam sequer a possibilidade de os contribuintes alemães serem consultados.

  5. Não sei. Eu diria, em sequência: “Merda” e “Oh, well”. É que, num plano puramente interno, talvez fosse mesmo uma jogada política brilhante de Merkel. Mas parece que, por enquanto, apesar de tudo aquilo de que é acusada, ela mantém alguma sensatez e ainda cumpre os acordos que estabelece.

  6. A maior parte do dinheiro alemão que foi para a grécia, foi por via dos bancos que alegremente compraram dívida pública desse país, cujo valor foi devidamente ocultado com a cumplicidade da omnipresente Goldman Sachs… No meio do ultraje todo, o que devia estar a arder eram os bancos e não a bandeira Europeia. Mas cá temos os nossos “estadistas” para evitar isso…

    1. E, se aceitarmos o seu ponto de vista e tomando por referência a situação simétrica da Grécia, qual é a obrigação que os contribuintes alemães têm de pagar para isso, sem que lhes seja perguntado?

      1. A pergunta a fazer aos alemães é:
        Foi para os vossos bancos andarem a fazer apostas de casino que aceitaram ganhar menos pelo vosso trabalho?

        Entre subsidiar apostas de casino ou uma melhor construção e coesão da europa, mantendo um melhor nivel de vida, talvez os alemães tivessem uma escolha a fazer há uns anos atrás.

        Não esquecer que a relutância franco-alemã em aceitar um default grego tem que ver com a protecção às suas bancas. No fundo o dinheiro mal sai dos respectivos países.

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