O primeiro-ministro sírio, Riad Hijab, desertou e juntou-se à oposição em protesto contra os “crimes de guerra e genocídio” que o déspota de Damasco continua a cometer naquele país, submetido há 40 anos ao poder tirânico da família Assad, espécie de monarquia que ousa proclamar-se republicana. Nas últimas semanas, tem sido imparável a fuga de diplomatas, oficiais e até membros do Governo de Assad II para os países vizinhos, sinal inequívoco de que o regime tem os dias contados. O próprio Hijab aguentou apenas seis semanas em funções antes de abandonar o país.
Enquanto isto sucede, este defensor tuga das ditaduras “socialistas”, fazendo da escrita uma espécie de Omo que lava mais branco, elogia o “laicismo sírio” e anseia por ver o regime de Damasco premiado com medalhas olímpicas.
Desde o início da actual revolta contra Assad II, em Março de 2011, quando a polícia reprimiu um protesto estudantil, já se registaram 17 mil mortos, segundo as Nações Unidas, e cerca de 300 mil pessoas abandonaram o país, escapando à escalada repressiva de um regime que nunca olhou a meios para alcançar os fins. Como ensinou o camarada Estaline, a morte de uma pessoa é uma tragédia enquanto a morte de milhares ou milhões é uma simples estatística. E, apesar das deserções, nunca faltam cúmplices de plantão, companheiros de caminho, idiotas úteis prontos a ocultar as mais gritantes evidências. Por inabalável miopia crónica – na melhor das hipóteses. Coniventes com quem pratica os crimes e não com as vítimas desses crimes.


O certo, no entanto, é que à conta dessas crispantes opiniões de ditos tugo-defensores de ditaduras “socialistas”, sharing e “tempo de antena”, já para não falar de toda a publicidade gratuita que se faz, é coisa não lhes falta.
Ignorar, por vezes, tende a ser de melhor utilidade.
De acordo, CeC. Mas nem sempre é possível ignorar. Volta e meia há que protestar em voz alta. Até para evitar que, como diz, se conceda demasiado tempo de antena a estes defensores dos mais aberrantes regimes que vigoram à face da Terra.
Agora só falta a ditadura da Árabia. Embora lá.
Abaixo todas as ditaduras. Elas acabarão por cair. Para já, a ditadura síria.
Estaria de acordo consigo se acreditasse que esta matança seja para acabar com a ditadura síria. Trata-se somente de mudança de turno. Não tenhamos ilusões.
Repare: há um ano não faltava na blogosfera quem vaticinasse os piores cenários ao Egipto pós-Mubarak, à Tunísia pós-Ben Ali e à Líbia pós-Kadhafi. As opiniões, aliás, dividiam-se: os catastrofistas à esquerda traçavam os piores vaticínios relativamente ao Egipto e à Tunísia, enquanto à esquerda esses maus augúrios visavam sobretudo a Líbia, talvez por haver quem ainda considerasse Muammar Kadafi um “farol do socialismo”.
Lamentavelmente para tais Velhos do Restelo, sempre prontos a sustentar cenários de “pulso forte” para impor disciplina à força a povos geneticamente impreparados para viver em sistemas democráticos, nada disso sucedeu. A Tunísia vive hoje em normalidade democrática, como nunca antes viveu antes ou depois da independência, em 1957. A Líbia teve já o seu processo eleitoral, que decorreu com normalidade. E o Egipto, apesar das dificuldades registadas, nunca teve instituições tão escrutinadas e tão próximas da vontade popular como até agora.
A Síria seguirá o mesmo caminho, não tenho dúvida. Neste aspecto discordo de si: substituir um ditador por estruturas políticas resultantes do voto popular não é mera “mudança de turno”. Esse raciocínio levar-nos-ia a concluir que entre Marcelo Caetano e o regime actual houve apenas uma “mudança de turno”, o que não é verdade.
Quem apoia o Comunismo não é de admirar que apoie o regime Sírio.
Até deveriam querer que a ditadura dinástica dos Assad fosse ainda mais socialista do que é, já que está bem perto do fascismo.
Espanta-me haver quem, intitulando-se de esquerda, aplauda regimes cuja única aparente legitimidade é a dinástica, em que o poder absoluto passa do pai para o filho (e às vezes do avô para o pai e deste para o neto do primeiro, como na Coreia do Norte) e ainda chame a isso “república” e “socialismo”.
Não batam mais no 5dias. Eles reuniram a Direcção e vão retratar-se. Além disso, não é bonito bater nos mortos.
Nesse blogue vigora o “centralismo democrático”. Só existe a autocrítica que autoridade do topo da pirâmide determinar.
Os extremos tocam-se… 7-aniversario-das-forcas-armadas-da.html
http://combustoes.blogspot.pt/2012/08/6
A democracia provoca muita urticária. E os tempos estão férteis para a propaganda antidemocrática. Mais um motivo para nos congratularmos pelo derrube de cada ditadura.
A Democracia está destruir a Liberdade.
Cada vez há menos Liberdade nas Democracias e cada vez mais o Estado se arroga de tocar e regular tudo e extorquir mais e mais recursos à Economia Livre.
Está montado um sistema onde X vota em A para este tirar a Y e entregar uma parte a X.
Estamos a chegar ao Totalitarismo em Democracia.
Estou de acordo consigo nesse ponto, que é fundamental: há cada vez menos liberdade nas nossas democracias.
Isto de dizer que o Assad é mau e os rebeldes são bons tem muito que se diga.
O Assad defende o estado secular.
Os rebeldes são extremistas religiosos.
E é interessante ver o que se passa na Líbia.
O caos é claro. O país está a falhar.
Felizmente na Síria as coisas são diferentes.
Assad irá prevalecer e você vai sair desiludido.
O seu comentário faz-me lembrar os dos ultras salazaristas que, mesmo quando o regime já apresentava sinais evidentes de decomposição, no final da década de 60, continuavam a apontar as alegadas vantagens do “oásis” da ditadura em comparação com o pretenso “caos” das democracias na Europa. Apontavam para o Maio de 68 em Paris, e para as ondas de greves no Reino Unido, e falavam desse mesmo modo, quase palavra por palavra:
“Salazar defende o estado de direito e a ordem nas ruas. Os manifestantes (em Paris) e os grevistas (em Londres) são extremistas. O caos é claro. Esses países vão falhar. Felizmente em Portugal as coisas são diferentes. Salazar irá prevalecer e vocês vão sair desiludidos.”
Depois foi o que se viu…
Mas em qualquer época, em qualquer quadrante, há sempre gente disposta a justificar e até a glorificar as ditaduras.
Eu não glorifico nada. Apenas aponto para factos que são bastante claros. A verdade que por mais que tente a realidade não se altera. O Assad faz isto porque tem o apoio maioritário da população. Os terroristas pagos pelos EUA e amigos não terão sucesso. A Síria prevalecerá e o Hezbollah continuará a operar livremente tendo a capacidade de desferir um golpe fatal a Israel. A estratégia de enfraquecimento do eixo Hezbollah-Síria-Irão não tem futuro. Quem a apoia esta estratégia pagará um preço elevado.
Todos os ditadores têm o “apoio maioritário da população”. Desde logo porque não permitem concorrência: os adversários são presos, exilados ou até mortos.
Assad é um ditador. Que não hesita em matar, aliás na linha paterna: há 40 anos que a mesma família oprime a Síria. Tal pai, tal filho.
Terá a sorte de todos os ditadores. De um Mubarak, de um Ben Ali, de um Kadafi, de um Xá Reza Palevi. E será chorado não pelo povo mas por quem lhe deu caução intelectual. Por ódio ideológico à democracia, aos Estados Unidos, ao Ocidente em geral.
Assad limita-se a eliminar aqueles que pretender colocar o país no caos.
Infelizmente para si, ele vai mesmo prevalecer. Não tenha ilusões. O destino dos rebeldes é serem derrotados. Eles e os seus apoiantes que vão pagar caro a sua ousadia.
Face ao armamento superior que a Síria dispõe, os rebeldes e os seus aliados devem começar a preparar-se para a derrota.
Ai que ganda desilusão que você vai levar. Depois não diga que eu não avisei.
Israel que tenha muito cuidado. O Bashar vai acabar com eles e com a Turquia.