
Se alguém julgava que a repressão sobre os independentistas catalães resolvia alguma coisa, hoje descobriu, passado um ano do referendo, que está tudo na mesma ou ainda pior. Enquanto Pablo Casado acha agora que se devem ilegalizar todos os partidos independentistas, o governo de Sánchez já reconhece que a carga policial de há um ano foi um erro e que só o reforço do autogoverno da Catalunha pode resolver a profunda crise territorial, política, económica e social a que a obstinação do governo de Rajoy conduziu a Espanha. Enquanto que em Barcelona se exige a República, o Rei de Espanha evita sequer aparecer em público nestes dias. E perante as aspirações independentistas do povo catalão não vale a pena afirmar que já há muitos habitantes da Catalunha que têm o castelhano como língua materna. Também havia muitos habitantes da Irlanda que tinham o inglês como língua materna e não foi por isso que a Irlanda deixou de ser independente do Reino Unido. O movimento independentista irlandês chamava-se precisamente “Sinn Féin” que significa em irlandês “nós sozinhos”. Para qualquer movimento independentista é sempre apenas isso o que está em causa.

“nós sozinhos”. Para qualquer movimento independentista é sempre apenas isso o que está em causa.
Exatamente. Veja-se a independência de Portugal, que foi basicamente feita contra os galegos (não contra os leoneses, muito menos contra os castelhanos). Portugal era parte do condado da Galiza e o que os portugueses queriam era ser independentes dos galegos. Isto apesar de falarem todos a mesma língua – o português divergiu do galego devido à independência, e não o contrário.
Tenho aqui comentado alguns textos do Dr Menezes Leitão a propósito da Catalunha, expressando sempre a minha opinião contrária à sua independência. Contudo e tendo até em conta as alterações politicas que aconteceram em Espanha desde há uns meses para cá, confesso que a minha opinião sobre o assunto sofreu uma alteração profunda: se os catalães, pelo menos os mais ruidosos, querem a independência, esta é a altura ideal, o PSOE que se deixe de conversa fiada e que vá até aos finalmente e que depois tenha a coragem de assumir as suas responsabilidades perante o resto dos espanhóis com o que vier a seguir.
E à Catalunha e aos catalães, desejo-lhes a melhor sorte do mundo como pequeno país independente que passam a ser, fora da Europa e do Euro, em vez de parte integrante do quarto maior país da Europa.
Este tipo de opções têm enormes custos, veja-se o Brexit, p. ex., mas uma vez tomadas há que seguir em frente com o que de bom e de mau daí vier.
O quarto maior país da Europa é também um dos mais países mais corruptos, mais autoritários e mais pobres da Europa. Em contrapartida a Catalunha é, a par com o País Basco, uma das regiões mais ricas da Península Ibérica e, além disso, partilha a fronteira com França.
O caro colega anónimo recorreu à falácia do espantalho ao mencionar a saída da União Europeia (suponho que se referisse a isso uma vez que geograficamente a Catalunha faz parte da Europa) e do euro pois o movimento independentista catalão é, à semelhança do movimento independentista escocês e do movimento republicano irlandês, a favor da União Europeia.
Já ouviu falar de Jordi Pujol? o próprio Puigdmont parece que também tem de prestar contas a propósito de uns dinheiros gastos de forma considerada esquisita, portanto meter a corrupção nesta história não leva a lado nenhum.
A saída da UE e do Euro não é falácia, é o que espera a Catalunha independente: o governo de Madrid, nunca permitirão que a Catalunha independente entre na UE, como sabe nestas coisas é necessária a unanimidade dos países, e se não entrar na UE, não pode estar no euro, não é?
Quanto à Escócia, o problema é diferente: a Inglaterra aceitou o referendo independentista e se o sim tivesse ganho, a Inglaterra não se oporia à reentrada da Escócia independente na UE. Já a Espanha, não digo nada…
Por que me esqueci de preencher os meus dados, o meu comentário anterior saíu assinado como anónimo. Não era essa a minha intenção, aqui como noutros lados assino tudo o que escrevo com o meu nome: Alexandre Policarpo.
Classic Policarpo. Parabéns, descobriu UM político corrupto numa região com 7 milhões de habitantes. Quer comparar com Portugal?
Onde é que Puigdemont gastou dinheiro de forma esquisita? Ao deixar o povo catalão votar? Salazar concordaria consigo.
O Estado Espanhol precisa bem mais da Catalunha e do País Basco que a Catalunha e o País Basco precisam do Estado Espanhol.
Por uma razão qualquer, o seu comentário trouxe-me à memória umas placas que os autarcas comunistas punham à entrada dos seus concelhos aqui no Alentejo nos tempos da Guerra Fria, com a sigla ZLAN, que significava uma coisa extraordinária: “zona livre de armas nucleares”! em Messejana, p. ex., não existiam armas nucleares, podiamos lá ir descansadinhos da vida que não corríamos o risco de dar um pontapé num míssil daqueles que matam milhões de uma só vez.
O sr anónimo acabou de declarar a Catalunha ZLPC, ou seja, “zona livre de politicos corruptos”, uma vez que o sr Pujol já morreu e o dinheiro que o Puidgmont gastou de maneira esquisita não conta. Por isso, podemos ir à Catalunha descansadinhos da vida, que não corremos o risco de dar um pontapé num politico catalão corrupto, a não ser talvez um daqueles que se opõem à independência da “zona”.
Porque é que o Salazar aparece na conversa, é que me escapa completamente…
A Catalunha é uma das regiões mais afectadas pela corrupção em Espanha. Os catalães têm todo o direito de quererem ser independentes, mas não podem utilizar o argumento da “pureza ética” catalã vs a corrupção espanhola como escudo. A CIU (o partido do Puigdemont) esteve no poder durante décadas e teceu redes de compadrio/ fraude/ extorsão em toda a sociedade catalão. Cite-se o caso Palau, o caso ITV, o caso do 3%…. etc etc etc-