Patrícia Reis cita Fernando Dacosta, segundo o qual as redacções perderam os seus escritores. Diria de outra forma: as redacções perderam os seus intelectuais.
A crise dos jornais tem uma explicação, a tese da tempestade perfeita, que juntou globalização, custos salariais elevados e perda de leitores e de receitas de publicidade. E, no entanto, isto não esclarece totalmente o fenómeno da morte dos jornais. Nos últimos vinte anos, as redacções perderam metade dos jornalistas, como se tivessem perdido um dos seus braços. Tornaram-se locais onde se trabalha por rotina, com chefias burocráticas, inflexíveis, muito politizadas e dependentes. Perdeu-se a camaradagem e as diferenças salariais são escandalosas. Isto dá origem a produtos previsíveis, que pouco adiantam à vida das pessoas.
No seu longo declínio de vinte anos, os jornais perderam sobretudo a criatividade. Eles transformaram-se em simples retratos do tempo, em vez de interpretações. São pouco pensados, mudam regularmente o aspecto gráfico e pioram constantemente o conteúdo escrito. É cada vez mais difícil encontrar autores que pensem pela sua cabeça, com sentido de humor e coragem para desafiar convenções ou para recusar a linguagem codificada do politicamente correcto. Nos jornais, encontramos páginas e páginas com pequena intriga, não há rasgo, acredita-se ainda que o estilo pedante e sentimental é o correcto para as reportagens.
Ao longo de uma geração, os jornais perderam progressivamente a crónica e a narrativa, dedicando-se ainda mais à notícia e opinião, dois tipos de texto que a globalização banalizou, com a agravante dos jornais tradicionais recusarem assumir as tendências políticas que obviamente possuem. Em breve, as notícias serão redigidas por máquinas, de onde se conclui que, perante as dificuldades financeiras, os donos dos jornais fizeram o inverso do que deviam ter feito, apostando erradamente nas formas jornalísticas que a internet já tornara quase universais. Ao deixarem sair os jornalistas mais experientes e de melhor qualidade, os jornais perderam memória e independência, condenaram-se à morte lenta, dando de bandeja a discussão da sociedade a meios gratuitos que têm sustentação económica oposta. No processo, os intelectuais desapareceram da paisagem e a própria palavra ganhou toque de ironia. É por isso que o país não tem debates nem circulação de ideias, por isso papagueamos banalidades em mau inglês e dependemos cada vez mais das interpretações que outras nações e culturas fazem do mundo.

Está a aparecer um novo tipo de eleitor, o eleitor que despreza os jornais e não é guiado por eles. Quando a divergência entre os factos e a realidade ganha massa critica existe uma revolução de comportamentos.
E é óbvio porquê, são todos iguais e são todos monoculturais de esquerda.
Eu olho para o The Telegraph e o The Guardian e estão cada vez mais parecidos e não é por o The Guardian ter mudado.
A táctica nestes últimos 20 ou 30 anos foi: arranjamos aqui uns tipos da direita para botarem opinião isto assim parece imparcial mas escolhemos jornalistas de esquerda formatados pela escola de jornalismo e as notícias são todas de esquerda.
Um exemplo recente: o jornalismo está muito preocupado com a quantidade de mulheres nos governos mas não está preocupado com a variedade de idades e conhecimento e experiências profissionais no Governo.
Conta-se o número de pipi e pilinhas mas não conta se é engenheiro, médico, professor, inventor, advogado etc… e o que fez ou criou na vida nessas profissões.
Também não contam as variações de idade se há gente de 30 anos e que nunca ou quase nunca usou um telefone mecânico e um de 65 que ainda teve de chamar a telefonista para ter uma chamada para a sua região de origem.
Porquê? Neste caso é uma táctica eleitoral habitual do Partido Democrata Americano em dividir a população em grupos com alguma dimensão cada um com a sua lógica reivindicativa. E aqui reside outro mal do jornalismo actual vive muito da cópia do que o outro jornalista faz.
E isto quando supostamente temos a geração mais qualificada de sempre. Mas será mesmo? Na área da comunicação social não creio que seja…
É uma pena, mas a internet e a sua maleabilidade, recursos acrescidos e menor preço e mais variedade, vai sacrificar muito bom profissional ; espero que os bons resistam e abracem projectos, como o Observador que cativam os leitores.
Não tem que ver com preço mas com qualidade.
O maior investimento que se faz num jornal é o tempo gasto a lê-lo.
Uma pessoa compra um jornal para perceber o mundo. Perceber o mundo quer dizer também perceber as suas tendências. Um módico de antevisão do futuro, para não se ficar surpreendido.
Se falham perdem leitores pois basta dar um vista de olhos à TV para perceber as notícias do dia.
Ora por os jornalistas serem de Esquerda muitas tendências do mundo recente foram escondidas dos eleitores, só com o facto consumado ou uma massa critica é que apareceram:
Endividamento, Islamismo, Imigração, não acabou o Petróleo, a neve não acabou, etc etc.
Isto é uma lista nem sequer exaustiva dos falhanços do jornalismo recente.
E a seguir ao Jornalismo, virá a Educação e a Ciência. Esperem pela pancada.
A educação é o desastre em que cada vez mais anos se gasta na escola destruindo as idades mais criativas. A ciência está prisioneira de grandes falhanços: fraude climática, Física e a ficção da string theory, investigação médica onde boa parte da ciência são meros estudos estatísticos porque não se consegue avançar para os mecanismos. Economia levando a regulação a níveis incomportáveis.
No fim vai levar à destruição da reputação do Ocidente e inevitavelmente da da Democracia. Chegaremos ao dia que a prosperidade não estará ligada à Democracia mas a Ditaduras.