A credibilidade.


vidabreve,

Na sexta-feira vivi um dilema ético interessante. Publicitei uma noticia assinada por Felícia Cabrita que acusava o primeiro-ministro de trocar de telemóvel no mesmo dia em que alguns arguidos do processo Face Oculta o fizeram e, algumas horas depois, dei igual destaque ao desmentido que o João Galamba formulou numa caixa de comentários do Delito de Opinião.

 

O Lutz interpretou este acto como a demonstração de uma preferência minha pelo João Galamba, o que é incorrecto. Atribuo tanto valor aos comentários do João como às notícias publicadas pelo semanário Sol. Perante afirmações contraditórias revelei ambas ao leitor, para que este formasse a sua opinião.

 

O que torna as pessoas credíveis? Em primeiro lugar o que exigimos delas, em segundo o que elas têm a perder. As responsabilidades que atribuímos a um político implicam um acto de fé na sua honradez, tal como a leitura de um semanário implica a crença na probidade daqueles que o compõem.

 

O João Galamba é um interlocutor credível, não por ser o Galamba mas porque é um deputado da nação. E a Felícia Cabrita é credível, apenas porque os seus artigos dimanam dos valores da imprensa livre corporizados pelo jornal que a emprega. São juízos apriorísticos, não uma consequência do bom carácter ou de um comportamento exemplar.

 

Quanto aos factos:

 

Embora acredite, tal como o Lutz, que o João é uma pessoa de bem, nada me sugere que Felícia Cabrita não o seja. E se me incomodam as omissões que o Lutz detecta nas notícias do Sol, também me perturbam os inúmeros silêncios, compensados por uma agressividade deslocada, que encontro no Jugular.

 

Quando a Felícia Cabrita sustentar melhor as suas notícias ou o João tiver um discurso com pés e cabeça sobre o abuso de poder e a corrupção em Portugal, eu resolvo o dilema. Mas este em nada altera a minha avaliação do primeiro-ministro, que esgotou há muito a credibilidade do seu cargo.

12 comentários em “A credibilidade.”

      1. Quem já olhou as águas calmas da laguna, desde Torcello, tinha que expôr com diáfana clareza…

  1. Excelente texto. Mas eu inclino-me a acreditar na Felícia Cabrita, do mesmo passo que me pergunto como é que o JG sabe que o JS não mudou de telemóvel, isto é, que não passou a falar com o AV através de “cartão” diferente do que anteriormente utilizava.
    Deputado da nação, sim, mas não a ponto de tal estatuto lhe conferir a faculdade de conhecer ao pormenor a vida do chefe…
    Aliás, para mim, a credibilidade do JG ficou definitivamente por terra quando ele, sem conhecer a senhora de lado algum, escreveu horrores sobre a mãezinha do outro JG.

  2. Por acaso uma pessoa não me merece crédito acrescido por ser deputado da nação ou jornalista. Dou mais crédito ao João Galamba porque, ao contrário da Felícia Cabrita, nunca o vi ser calunioso. Decerto posso encontrar pessoas mais imparciais na avaliação do PM do que um deputado do seu partido. Mas não Luis, não é a mesma coisa. Uma é ser parcial e selectivo nos factos e argumentos que apresento para promover os meus objectivos políticos, outra é fazer uma selecção dos factos que noticio com o objectivo de denegrir o carácter do adversário.

    1. “nunca o vi ser calunioso”.

      Eu vi, ouvi e li, como toda a gente, o outro JG incluído. Mas, pelos vistos, V. não se importa que ofendam a honra da sua mãe…
      É um direito que lhe assiste, claro, mas que também o define.

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