A corrupção nunca existiu


Pedro Correia,

Neste país de brandíssimos costumes, informa-nos hoje o Expresso, há 17 indivíduos presos por corrupção. Eis a crua realidade em números: 17 pessoas num país com dez milhões de habitantes. Nenhum tubarão, claro: só peixe miúdo. O sargento da Brigada de Trânsito de Albufeira. Um funcionário do Centro de Emprego de Lagos. Um inspector da Polícia Judiciária que extorquia dinheiro a suspeitos que ameaçava com penas pesadas. O tipo do fisco que "fazia desaparecer processos de execução a troco de dinheiro".

Dezassete, ponto final. Nenhum político, nenhum gestor público, nenhum empresário ‘benemérito’. É quase caso para dizer que a corrupção nunca existiu em Portugal. Percebo agora melhor o motivo por que há por aí tanta gente preocupada com as ‘violações do segredo de justiça’. Isso sim, é um gravíssimo problema nacional.

12 comentários em “A corrupção nunca existiu”

    1. A ineficácia da investigação policial, em matéria de corrupção, está bem à vista. Curiosamente, cada vez que vem à rede um nome sonante desatam os amigos políticos num coro protector para condenar todo o processo ao fracasso.

  1. E o Camões que me perdoe

    (Amor) Corrupção é fogo que arde sem se ver;
    É ferida que dói e (não) que se sente;
    É um contentamento (descontente) do contente;
    É dor que desatina sem doer;

    É um (não) querer mais que (bem) muito querer;
    É solitário andar por entre a gente;
    É nunca contentar-se de contente;
    É cuidar que se ganha (em) sem se perder;

    É não querer estar preso por vontade;
    É servir (a) benesses (quem vence, o) ao vencedor;
    É ter com (quem nos) que matar a lealdade.

    Mas como causar pode (seu favor) sua extinção
    Nos corações humanos (amizade), mais verdade
    Se tão contrário a si é (o mesmo) a mesma corrupção?

    Se aqui desse para colocar as palavas com um risco e itálicos ficava mais “honesto”…

    :))

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