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Antes mesmo de saber da coligação que viria a ser formada na Grécia, já tinha aqui escrito que o apoio de Marine Le Pen a Alexis Tsipras demonstrava a facilidade com que os partidos extremistas se aliam se estiver em causa o combate ao seu inimigo comum que é o projecto europeu. Toda a gente aposta que Tsipras vai chegar a acordo com Merkel, achando que esta no máximo lhe vai dar alguns amendoins para o calar, o que Tsipras anunciará como uma vitória, salvando assim a face. Não creio que isso aconteça. Da mesma forma que Fidel Castro preferiu aguentar um embargo americano que só agora termina, e que foi desastroso para Cuba, a ceder um milímetro que fosse aos Estados Unidos, Tsipras preferirá a catástrofe à continuação da humilhação da Grécia. E neste aspecto a escolha dos Gregos Independentes (ANEL) como parceiro de coligação, um partido de extrema-direita nacionalista e xenófobo, em lugar dos partidos de esquerda moderada, é elucidativa. No combate à troika e à própria União Europeia, quando o SYRIZA disser “mata”, o ANEL dirá “esfola”. As revoluções precisam de inimigos e o ódio que esta política europeia atiçou na Grécia é demasiado elevado para que se pense que vai tudo acabar em bem. Oxalá me engane.

Isso sem falar de que o Syriza é composto de um monte de partidecos, à dúzia. Se aqui no Bloco do PSR, Política XXI, UDP, etc, têm andado todos sempre às turras sem sequer terem chegado ao poder, não parece muito realista acreditar que por lá esse ódio vai chegar para se entenderem.
“projecto europeu.”
Projecto Unionista
“Da mesma forma que Fidel Castro preferiu aguentar um embargo americano que só agora termina, e que foi desastroso para Cuba”
O embargo não foi desastroso para Cuba, isso é propaganda.
O que foi desastroso para Cuba é o Comunismo.
Ninguém precisa para prosperar de comercializar com os EUA. Tem vantagens mas não é essencial.
O poder chama todos, seja quais forem as ideologias…
Esta coligação tem de ser vista segundo uma análise realista e não tanto por via da ideologia e da destruição do dito projecto Europeu.
O projecto Europeu existiu na sua génese, depois viu-se um projecto meramente mercantilista que por não ter PROJECTO tem vindo a projectar os resultados que conhecemos.
Mas voltemos à coligação grega. Todos sabemos que os votos que ambos obtiveram foram conquistados quer ao centro quer à direita (centro-esquerda e centro-direita), em suma aos partidos que têm governado a Grécia nos últimos 50 anos.
Isto foi um claro NÃO por parte do povo grego ao status quo. Por isto mesmo não estou a ver que existisse o mínimo de hipótese do Syriza poder fazer uma coligação diferente da que nos apresentou. O sentido é racional e não ideológico.
O que é ideológico é o sentido de voto do povo grego, isto é, eles não querem continuar a ser massacrados e pretendem, se tiverem de viver essa realidade, fazê-lo por seus próprios meios, ainda que demorem muito tempo a superar essas dificuldades.
Creio que a radicalização que se propaga por toda a comunicação só ocorrerá se a Europa pensar que intimidará o governo que tomou posse com a absurda manutenção da política vigente.
Finalizando, é sabido que as grandes potencias económicas só o são porque na génese da pujança empresarial privada esteve um estado forte e determinado. E a equação que se tem vindo a fazer parte de pressupostos errados, isto é, que é o sector privado que deverá alavancar a economia.
Isto não é correcto, porque o sector privado está em frangalhos e até mesmo aquelas grandes empresas internacionais beneficiam de uma alavanca governamental para poder contratar noutras áreas do globo.
O QE americano foi a prova do que afirmei, e até chegou ao ponto de tirar a indústria automóvel americana da bancarrota.
É necessário que se entenda que a realidade que se vive vai para além das ideologias. Em tempos escrevi aqui que a equação do radicalismo, mesmo em Portugal, reside no esmagamento da classe média e também na pobreza para que muitos deste estrato foram lançados. A Europa tem andado a brincar com o fogo.
Ninguém, absolutamente ninguém, privado do básico tem ideologia, simplesmente age por necessidade.
Nem ideologia nem princípios, segundo o que diz.
E quer o meu amigo que eu o compreenda?
Pois olhe, estou a pôr numa pasta Word estes contributos todos e variados, logo se vê quando preciso deles para lembrar por aqui o que se foi escrevendo, aposta-se muito na memória curta dos “povos” (*).
É que isto para mim é muito simples: o povo grego votou num conjunto de promessas que vão muito além do fim da austeridade pois incluem ainda o retorno aos “good old days” em que tudo era muito mais fácil.
Ora nada é fácil hoje na Europa, incluíndo nos países ricos.
E não vai nunca voltar a ser como foi.
Mas ainda anteontem o Sr. Yanis Varoufakis dizía ao “le Monde” :
“Notre Etat doit vivre par ses propres moyens dans le proche futur. Nous sommes prêts à mener une vie austère, ce qui est différent de l’austérité”
Claro que a austeridade é diferente da vida austera mas como é que se vive dos próprios meios quando 80% da economia está nos serviços e destes apenas 15% no turismo, o que quer dizer que 65% da economia é em circuito fechado interno o que é incompatível com um país em que a cobertura das importações pelas exportações não atinge sequer 50%?
Quem conhecesse a realidade local grega de há uns anos e tenha uma ideia razoável da actual percebe logo que nisso Paul Krugman tem razão no penúltimo parágrafo do artigo citado por Sérgio de Almeida Correia.
(*) Como me “linka” para comentários seus talvez eu também um dia destes o “linke” para comentários seus…
Faça o favor de compilar o que entender ser-lhe útil. Parece-me que se sente incomodado por não ter visto em minhas palavras aquilo que deseja que eu seja. Por isto compreendo todo o esforço que leva a efeito para tentar inverter o sentido. Desejo-lhe muito sucesso.
Adicionalmente ao que não entende, acrescento que no caso do dito resgate à Grécia cerca de 11% funciona como uma espécie de fundo de maneio para a gestão corrente. Significa isto que o restante está a ser usado para resgatar os resgatadores.
E a minha resposta só tem um objectivo: mostrar que existem muitas leituras e que os arautos das virtudes e moralidades não são detentores da verdade absoluta.
No mais, cada um viva segundo a sua consciência e respeite a consciência dos outros.
Não me sinto nada incomodado que V. não seja isto ou aquilo nem quero que V. seja aquilo que eu desejo ou deixe de o ser pela simples razão que não me interessa o que V. é dado que nem o conheço mas sim o que V. diz e escreve.
Os meus filhos quarentões e os meus netos adolescentes são cada um o que são e nenhum deles é ou deixa de ser o que eu quis ou deixei de querer que fossem e ainda bem porque foi isso mesmo que eu sempre quis para eles.
E agora ía-me preocupar consigo, que nem sei se é um jovem idealista ou um velho casmurro (embora tenha as minhas suspeitas)?
Isto começa a ser recorrente em si, a preocupação com o que os outros pensam de si e a necessidade em mostrar que lhes dispensa migalhas do seu saber.
Ora, batatas!
(Leva com “batatas” porque não é ofensivo e sempre alimenta…)
Quanto ao resto seja intelectualmente honesto e responda ao que eu disse em vez de inverter a questão acusando-me a mim do que afinal é V. que faz ao deitar “bolas fora”.
Escusa ainda de me dar explicações sobre o que é que na Grécia funciona assim ou assado, isso eu sei.
Eu citei o ministro das finanças lá do sítio e apresentei números reais fornecidos por eles, portanto talvez esperasse que em vez de banalidades me dissesse como é que na prática as duas coisas se conjugam, única questão que pus.
Existem sempre muitas leituras, cada um tem a sua.
Mas como nem Jesus nem Marx nos disseram para abdicar dos princípios ainda que possamos abdicar da ideologia em certos casos (*) fica por responder também essa questão ainda que “os arautos das virtudes e moralidades não são detentores da verdade absoluta” é um bom barrete para qualquer um de nós os dois (mas não fui eu que o empunhei nem alguma vez o faria, não me acho assim tão importante).
Já são assim muitas questões por responder da parte de quem tanto afirma as suas fortes e inabaláveis convicções e ainda me vem com a conversa mole da consciência de cada um.
Eu respeito a sua ainda que não veja a que propósito aparece aqui, só lhe pus questões a que me responde com 11% de nada, isso eu sei há 50 anos desde que entrei para a universidade.
Com 40 anos de indústria pesada em cima imagine a opinião que eu tenho das suas “espécie de fundo de maneio”!
“Espécie de fundo de maneio” num país quase sem indústria nem agricultura e com os problemas estruturais conhecidos só a brincar.
O que eu ali pus foram afirmações do novo ministro das finanças grego e números do governo grego, não foi a minha opinião.
Portanto rebata o ministro das finanças grego e o governo grego, não perca tempo a fingir que me está a rebater a mim.
(*) Marx teve uns “lapsos” nesta matéria, acontece.
Leva abraço à mesma
O que disse mantenho. Pouco me importa as variantes que apresenta neste comentário. A preocupação é sua, e de tal forma o é que foi V. que se mostrou muito interessado em pesquisar minhas afirmações. E depois vai juntando umas credenciais como se de um passaporte se tratasse para poder afirmar tudo o que afirma.
Mencionar estes factos não passa de uma atitude absurda e desprovida de sentido se a questão fundamental fosse a que coloca. Mas não é, a sua preocupação já outra. Mas eu também já tinha percebido, e sempre respeitando, o que pretende.
V., nestes últimos comentários, incluídos os do Pedro Correia onde linkei afirmações minhas muito antes de ter produzido as que comentei referente à matéria que lhe subjaz, está mais interessado em fazer-se ler que ler o que outros escrevem; e é natural que fique sem entender o que está claro.
Posto isto nem mais conversa mole nem mais conversa dura.
Li-o.
Não percebi nada, de tão claro que está, translúcido mesmo.
Defeito meu, como disse desde sempre.
Dizer que eu gosto de me ler quando o Vento escreve comentários de 4000 caracteres chega a ser elogio.
Eu afinal só pretendia saber como é que uma pessoa que eu achava ter fortes convicções baseadas no que eu pensava ser um humanismo cristão já raro de encontrar vinha justificar uma aliança contra-natura em que os princípios de ambas as partes foram pura e simplesmente deitados para o lixo.
Permita-me assim um derradeiro conselho: a partir dos 1000 caracteres ninguém nos lê, se não nos sabemos explicar em poucas palavras é porque não sabemos do que falamos (Eisntein é que disse mais ou menos isto) e estamos a tentar baralhar os outros de modo a que eles nos achem muito conhecedores (ou uns “chatos de galocha”, que é o mais provável)..
Agradeço os cuidados que em tempos teve com alguns problemas à minha volta e estou-lhe sinceramente grato por isso.
E precisamente por isso lhe envio um abraço
PS – Juntei muito poucas credenciais, uma experiência profissional não especificada, uma mão cheia de filhos e netos, isto posto assim qualquer pessoa pode ter tido.
Mas admito que mesmo isso possa incomodar quem teve uma vida profissional monótona e não tem filhos nem netos (ou não convive o suficiente com eles para perceber que o presente e o futuro já estão naquelas mãos e não nas nossas).
Digo isto só e apenas porque já aqui no DO fui “recriminado” por “exibir” algum orgulho nos descendentes, com quem aliàs tenho discussões infindas sobre muitos temas e que nem sempre acabam bem (ainda que nunca à chapada de parte a parte).
Meu caro rmg,
sei que é engenheiro químico, que está reformado há bem pouco, que trabalhou numa unidade fabril com pessoal sob suas ordens ( o que indica responsabilidade também para com os outros), que tem uma esposa e uma família, de quem muito gosta – e que me revejo em muitos aspectos – a viver as dificuldades que vivem, por quem oro – sim, eu disse no presente -, que possui uma viatura há bastante tempo e que a usa parcimoniosamente, que gosta de andar a pé, que possui também uma casa no campo onde deseja viver a maior parte do tempo, mas os problemas de saúde que envolvem seus familiares, filho, mas em particular esposa, não permitem que isso se concretize da forma que deseja. Sei isto e mais alguma coisa. E sei porque é o meu caro que o diz.
Ainda bem que se sente tão realizado, já o elogiei aqui por isto e espero que na sua pesquisa para encontrar contradições a meu respeito também dê com este elogio feito, para além de outros temas.
Poderia traçar-lhe um perfil sobre o que penso a respeito da forma como escreve, sobre o que escreve e até mesmo sobre a necessidade que tem de apontar as suas “credenciais”. Mas não o vou fazer porque entendo que são questões privadas e devo respeitar essa individualidade, ainda mais daqueles de quem gosto.
Entendo que o deve continuar a fazer, mas não como uma forma de retrair outros procurando, antecipadamente, evitar o contraditório. Digo-o porque em certas alturas isto pode ocorrer de forma inconsciente e pretender sobrepor-se ao seu interlocutor.
Como cristão aprendi que no encontro com outros a pergunta que devo fazer não é de onde vêm(?) mas para onde vão(?) (é uma frase tirada da afirmação de Pedro).
Gostaria de poder partilhar muitas experiências de minha vida consigo e até mesmo com alguns aqui no DO, mas não posso por razões críveis. Quando partilho o pouco faço-o com sentido pedagógico evitando muitos detalhes.
Na realidade tem razão, a partir de determinado número de caracteres as pessoas não lêem, a não ser que estejam interessadas naquilo que se lhes transmite. O que é o seu caso relativamente a meus comentários; e o inverso também é verdade.
Não gostei da forma precipitada e até agressiva com que me interrogou. Mas admito que eu possa estar errado ou por sensibilidade excessiva no momento ou até por alguma desatenção. Peço desculpa se isto ocorreu.
Fico na expectativa que possa encontrar neste meu comentário a resposta a suas dúvidas, que denomina por “contra-natura” sem especificar.
Por último, aceite este link sobre a mensagem de 25-01-2015:
http://www.medjugorjebrasil.com/
Abraço
Pois não sei que lhe diga, caro Vento
Credenciais a meu respeito? Trabalhar numa unidade fabril?
Tenho tido o cuidado de ser discretíssimo, apesar de tudo o que vou dizendo, há por aqui muita gente que nos lê e me conhece bem e de há muito, devem até achar graça.
Sabe porventura se foi numa unidade fabril ou em 5 espalhadas por 5 distritos diferentes deste país, tendo vivido durante a semana em casas alugadas por aí durante 20 e muitos anos ( 6 anos aqui, 2 acolá, outros 6 anos acoli, etc) enquanto a família ficava por Lisboa, eu almoçando e jantando fora, convivendo muito com todos (não vejo TV desde esses tempos) o que me torna um pouco conhecedor de sítios e gentes?
E sabe porventura se as unidades em causa tinham 30 pessoas ou 300, se eu fui um vulgar engenheiro da produção, o director-geral numa ou o administrador-residente noutra?
Se me preocupava com a bomba centrífuga pifada ou com o presente e o futuro de postos de trabalho em risco em regiões do país menos bafejadas?
Tudo coisas que deixo á sua consideração mas que, pensando um pouco sobre o que agora deixo escapar talvez até conclua que afinal as únicas “credenciais” que apresento são as familiares, disso pode estar certo.
Se me leu com atenção sabe bem que mantenho viva a minha gratidão sobre as suas preocupações com os meus, nada disso tem a ver com as contradições que lhe poderia vir a apontar noutros campos.
Reconheço que fui brusco mas de facto não o compreendo, admite facilmente atitudes do governo grego que para mim em nada diferem de atitudes do nosso, a não ser porque as ideologias a que se encostam lhe agradam mais ou menos.
De facto 2/3 dos gregos não votaram neles e portanto a realidade local difere bastante de qualquer “wishful thinking” por outras bandas pois há um número considerável de gregos que não se revêem em nada daquilo.
O contra-natura tem a ver com isso: eu não me alio a alguém que pensa de modo totalmente oposto ao meu só porque num determinado ponto pensamos igual e temos um inimigo comum.
Até porque “pensamos igual” mas por razões profundamente diferentes.
Isso só pode acabar mal a partir do momento que o inimigo comum desaparece.
Abraço
Meu caro rmg,
para que me compreenda deixo aqui um link com comentários a um post de João André em Abril de 2014 para que compreenda como eu sei sobre si (poderia buscar uns tantos, mas isto não é relevante): onga-apologia-da-apolitizacao-6198227#co mentarios
http://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/uma-l
Eu escrevi de memória sobre o que sei, e também sei em que contextos foi escrito o que conheço de si. E por isto, porque sempre tive excelente memória, não me foi difícil procurar onde eu vi que o rmg tinha afirmado ser engenheiro químico.
Por outro lado, eu não considero vulgar nenhuma função e/ou profissão. Nunca dei e não dou qualquer valor a posições. Dou valor às pessoas. Cada um no seu posto e vocação está obrigado a fazer o que deve, e ninguém lhes deve nada por isso. E ninguém, por isso, se sinta mais do que é. É a questão bíblica sobre a dívida e o dever.
Sei que esta postura possa ser estranha numa cultura lusitana onde se procura superar complexos e adquirir supremacias através de um não sei quê. Vi e vejo isso reproduzido todos os dias nesta cultura, é a cultura do mimetismo. Digo-lhe isto não para o confrontar a si – não está isto em causa . mas para deixar clara minha posição.
Sobre a questão grega e outras questões. Já referi em comentários que perfilho a política circunstancial à política dogmática, eu disse política. Eu não discuti o Syriza nem tampouco sua ideologia e sua parceria, para mim o vector substantivo foi a resposta de um povo a um massacre que leva por nome resgate.
E também sei, porque sei, que com a dívida actual e o crescimento actual os gregos necessitam de DOIS SÉCULOS para pagar a dívida. Significa isto que a manter-se o alinhamento sobre a situação grega iremos assistir à continuidade de tal massacre.
Por muitos argumentos matemáticos, e eu também sei de matemática, de marketing, de mercados e de mais qualquer coisita, ninguém me convencerá com tais argumentos que um HOMEM é inferior a um número.
Quanto aos abstencionistas na Grécia: um abstencionista é aquele que não concorda com o regime, por isto não vota. Mas aceita qualquer coisa, por não votar.
Se for contra-natura eu estar com o sofrimento grego, garanto-lhe que eu permanecerei ao largo desta natureza até morrer.
Abraço
Meu caro
Acho que sabe muito sobre mim porque eu, ao contrário de outros que por aqui andam, não me escondo nem me envergonho nem das coisas boas nem das más que fiz e faço para lá dos comentários bacôcos que por aqui vou tecendo.
Não me quis confrontar mas confrontou-me.
Fiquei assim confrontado não sei é com o quê: odeio falsas modéstias.
Se alguém tem valor e o pode provar não vejo porque o há-de esconder para poupar os unúteis e os incompetentes que nunca fizeram nada, a maior parte das vezes sob as mais desastradas desculpas.
Dizer estive ali e fiz aquilo e isso ajudou X pessoas que íam para o desemprego a continuarem a trabalhar mais 20 ou 30 anos, podem lá ír e perguntar, só parece mal na opinião dos que nunca resolveram problema nenhum a ninguém.
É assim que funciona em países culturalmente desenvolvidos, onde o exemplo se sobrepõe à mesquinhez e à inveja.
A cultura lusitana tem tanto esse complexo como a castelhana, a gaulesa, a inglesa, etc., todo o mundo a tem mais ou menos disfarçado.
Mas para além desse tem a outra face da moeda que é o complexo de inferioridade dos que se esmifram só para que os filhos sejam doutores só porque eles não o foram (nenhum dos meus o é e eu sempre achei muito bem).
Não considera o meu amigo vulgar nenhuma função ou profissão?
E porque é que havia de considerar?
Eu aperto a mão com a mesma cara ao ministro e ao arrumador de carros e trato os dois por senhor.
Nada disto tem a ver com profissões nem currículos mas com dignidade humana.
Sempre falei de mim para enquadrar situações e conhecimentos e não para me gabar, há autores e comentadores do DO que me conhecem pessoalmente e isso basta-me pois muita gente pode aparecer aqui a chamar-me mentiroso sob a capa do nick ou como anónimo se para tal estiver virado.
Este simples facto leva a que eu nem frases bonitas e pomposas possa dizer sob pena de vir alguém dizer “desde quando é que tu pensas assim” ou ainda pior.
Quanto ao Syriza e à Grécia fiquemos por aqui.
Não me convence e eu não o convenço.
Que vivam dentro das suas possibilidades ou que saiam.
A ideia é do Sr. Varoufakis, não é minha, está bem escarrapachada em várias entrevistas mas a malta de serviço à “catástrofe” assobia para o lado.
Não vai haver crise nenhuma do euro ainda que a instituição europeia possa abanar, é um divórcio, os sentimentos sofrem mas as finanças recompõem-se.
O mundo é da China e de outros emergentes, como é dos meus filhos de 40 e poucos e dos meus netos de 15, não é da minha geração à beira dos 70.
São eles que nos trazem à realidade, os que não têm filhos (e netos) ou não convivem com eles deixaram de perceber o mundo em que vivem e vivem num mundo próprio que a mim pouco me interessa.
Continuarei a lê-lo, claro.
Abraço
PS- Acabo de fazer 350 kms, escrevi-lhe, vou ali jantar um arroz de costelas a uma tasca porreirinha onde não pago o vinho nunca: o dono trabalhou comigo e parece que não ficou com má impressão.
Meu caro rmg,
Na realidade, sobre si só sei o que me diz. E basta dizer para eu o aceitar. Como estou de “peito aberto” também o aceito na mesma perspectiva.
Eu não vou escrever sobre outros comentadores, e se alguma apreciação tiver que tecer faço-o com cada um deles.
É consigo que eu estou a comentar. E o que está comentado fica comentado.
Sobre a Grécia está tudo dito.
E sobre a crise já respondi a isso ali num post do Pedro Correia.
Não tenho a mesma segurança que tem sobre o mundo ser da China na forma como o diz. Aliás estou certo que não vai ser da China, mas com a China.
Dá sempre jeito deixar boa impressão. Bom apetite!
Abraço
P.S. Mais uns dias e farei mais uma ausência, sem data de regresso “as usual”. Aproveitemos para ler-nos (um ao outro) no tempo que nos resta.
Caro Vento
Agradeço a sua resposta.
Não percebeu o que eu quis dizer com a dos “outros comentadores” mas também não era importante.
Quanto ao resto tenho deixado boas impressões e tenho deixado más impressões.
As boas não dão assim tanto jeito se não incluírem amizade, saiem-me mais “caras” que as más…
Tenho excelente apetite, obrigado.
Abraço
Caro rmg,
para além do referido, na cultura lusitana ainda há uma outra característica: existe uma ostentação da bondade que até parece maldade.
Mas como lhe refiro isto é cultural; e o que é cultural é como o ar que se respira.
Eu continuo a enquadrar o meu comentário na perspectiva da dívida e do dever.
Compreendo quando assume o bem e o mal como referência, mas só me mostra o bem que faz.
Quando dou exemplos sobre mim refiro o mal e como o superar. Se algum bem existir em mim, outros o julguem.
Abraço
Vento
Começo a achar que anda a gozar comigo.
Com esse seu ar de infinita bondade e compreensão é ferroadazinha atrás de ferroadazinha, desta vez nem percebo o que escrevi que justifique o seu comentário.
Você julga-me dia sim dia não por aquilo que eu digo públicamente e depois afirma de forma seráfica que é bem diferente de mim porque a sua bondade será julgada por outros ninguém sabe onde nem porquê dado que nunca deu a mais pequena pista sobre si (nem percebi ainda se é homem ou mulher)
Portanto esqueça que eu existo e salte os meus comentários gabarolas.
Cumprimentos
PS – “rmg” corresponde a uma identificação muito concreta que está feita junto de pessoas do DO, não é um nick tonto.
Só para acrescentar ao anterior comentário: 7-Novo-Governo-grego-aprova-eletricidade-g ratuita-para-300-mil-pobres
http://sicnoticias.sapo.pt/mundo/2015-01-2
Se fosse o Passos ou outro qualquer era caridadezinha e humilhação dos pobrezinhos que passariam a ser apontados a dedo.
Passos e outros não possuem tal perfil de caridade. Até agora não vi absolutamente nada disso.
A caridade também compreende o facto que não pode ser tratado de igual modo o que é diferente. Mas admito que seja pesado entender isto.
Para si é pesadíssimo. Quando cá foram criadas tarifas sociais as acusações de que se estavam a criar estigmas choveram. Mas quem sofre de astigmatismo nos ouvidos não se lembra.
Se está a referir as tarifas sociais da energia devo dizer-lhe que não passaram de uma barrete quando foram introduzidas. E eu afirmo isto porque conheci essa questão.
Se elas se mantêm como foram inicialmente apresentadas continuam a ser um barrete. Se tiver elementos que indiquem como funciona actualmente estou aberto à mudança de opinião.
Mas ouvi vozes efectivamente em torno de senhas para alimentação. E devo dizer-lhe que foi uma ideia de meninos tendo em conta a realidade.
Afinal quem manda na UE? É a Merkel que negoceia e a quem todos se vergam? Será que todos choram Auschwitz e Birkenau e depois continuamos vergados à Alemanha que fez barbaridades e a quem foi perdoada metade da dívida e a outra parte foi paga lentamente e a Grécia, a quem os alemães ainda estão em dívida, têm de fazer o que eles querem? Somos todos uns hipócritas, choramos para parecer bem e a seguir fazemos o mundo sofrer. Que sociedade é esta que todos estamos fartos de saber que ninguém tem hipótese de pagar as dívidas e continuamos a insistir que temos de honrar os nossos compromissos? Honram-se quando se tem com que honrá-los, quando não se tem negoceia-se. Quando alguém hipocritamente chorar Auschwitz, recordará ao mundo que os causadores foram os Alemães e que são esses mesmos que continuam a querer impor aos outros, aquilo que querem e como querem. Chega de Merkel e de Alemanha que se não fosse o plano Marshall, ainda hoje estariam de rastos.
E o camarada João não tem nada de que se queixar pois os que trouxeram para cá o ouro e as pimentas e o tudo o resto que não nos pertencia o tornaram num nababo.
extrema-direita nacionalista e xenófobo
Isto de apodar de “extrema-direita” todo o partido que seja nacionalista e xenófobo parece-me uma prática muito errada.
Extrema-direita foram Salazar, Franco, Mussolini e Hitler. Esses sim, foram realmente extremos. O ANEL não é, creio, nada que se lhes aproxime.
E Le Pen muito menos. A bebida ao pequeno-almoço faz muito mal.
A nutricionista aconselhou-me beber sempre uma caneca (ou mais) de água morna algum tempo antes do primeiro-almoço. E eu sigo cuidadosamente essa recomendação.