A cama desfeita leva para uma escada de caracol e lá em cima guardam-se tesouros, da janela vê-se o mar e há ainda um toucador à antiga e milhares de páginas de centenas de livros. As duas mulheres não ficam a ver nada disso, é apenas o cenário que as envolve e seria ideal para um outro filme ou história, mas encaixa-se nelas com uma certa perfeição. Falam uma para a outra. Somente. Louvam a rotina. Descascam as manias dos menores. Riem-se com pormenores e matam saudades. Enumeram coisas que acham que mudaram ou que aprenderam ou que decidiram. Vêem coisas no tempo e cada passo é um momento de lucidez.
O céu vai escurecendo e as duas, deitadas na cama por fazer, não se importam com nada. Ou quase nada. São uma da outra naquelas duas horas com a intensidade de poucos.

Belo instantâneo 🙂
A imbatível cumplicidade feminina, tão temida pelos homens… 🙂 gostei de ler-te, Patrícia.
Temida?!
hi hi hi!
Temida, sim. É um mundo quase impenetrável para os homens, por isso o temem. 🙂
🙂