A cabala (5)


Pedro Correia,

«Sábado o País foi confrontado com um acontecimento que deixou todos os democratas imensamente preocupados. O que foi feito a um ex-primeiro-ministro com um anormal aparato fortemente lesivo do segredo de justiça não pode passar em vão.»

 

«Também não pode passar em vão o espectáculo mediático que a comunicação social tem feito, violando também ela o segredo de justiça ao revelar factos que era suposto só serem conhecidos quando um juiz se pronunciasse.»

 

«Ninguém sabe se a Procuradora-Geral da República foi quem comandou a polícia que actuou.»

 

Mário Soares (DN, 25 de Novembro)

16 comentários em “A cabala (5)”

  1. Sou uma pessoa de paz. Ainda me chocalham na moleirinha as palavras mais importantes que aprendi em 74, porque estive lá, porque sei, porque vivi. Ainda oiço cá dentro paz, liberdade e democracia. Com o congelamento das reformas antecipadas, ficou uma data de gente que não pode com uma gata pelo rabo, inibida de poder descansar, mesmo depois de contarem com mais de 40 anos no activo, tendo assim que continuar a trabalhar e a descontar para pagar as pensões dos outros.
    E depois há outros e outros. Uns toleram-se. Outros, pena tenho que a ideia de Mr.Joseph-Ignace Guillotin tenha sido descontinuada… podíamos sempre chamar a Rainha de Copas… não dá pah, porque pinta as rosas de outra cor e para além disso é cronista do Expresso… o que podemos fazer, é pedir ao vizinho na reforma, que se chegue aqui à beira dele e lhe diga ” Por que no te callas?”

  2. Suponho que, no meio desse chorrilho, ele não terá escrito “procuradora” e sim “procuradoria”. Mas se “ninguém sabe”, o melhor é uma pessoa que foi ex-PR e é advogado estar caladinho, em vez de mandar bocas.

    E acho ainda que sua excelência deve querer que tudo fique como estava quando um livro de Rui Mateus foi lançado, trazendo à luz gravíssimos factos, e nada aconteceu.

    1. O comentário acima tem por base o que vem transcrito no Expresso online: lá está “procuradoria” e não “procuradora”.

        1. Essa é de facto a fonte mais segura. E, nesse caso, o despautério pessoalizado ainda mais destrambelhado.

  3. «Sábado o País foi confrontado com um acontecimento que deixou todos os democratas imensamente preocupados.(…)”
    .
    ainda bem que não me incluo nos democratas, deve ser por isso que fiquei extremamente contente, porque um Regime que prende um ex-primeiro-ministro por corrupção, branqueamento de capitais e permite que fundos mafiosos de investimento e a familia Eduardo Santos tomem conta de activos estratégicos de Portugal…é um regime à beira do colapso…

  4. Numa tentativa desesperada de limpar a imagem de JS / PS a maioria esmagadores dos comentadores – politólogos e juristas escolhidos para o efeito, acertam a metralha contra os agentes da Justiça…

    O suspeito é lavado com OMO… sujo é o Juiz que o mandou prender…

    Quanto ao show televisivo concordo com exagero… Como eram exagerados os shows das inaugurações, como por exemplo, o Magalhães o aeroporto das gaivotas em Beja e famigerado TGV.

  5. Como não estou preocupado, logo, não sou democrata. A melhor coisa que aconteceu em Portugal foi a noite de 24 para 25 de Abril; o pior foi o que veio depois em matéria política e económica. Neste âmbito refez-se o regime corporativista que caracterizou o regime anterior, que caiu por estes mesmos motivos.

    Parece-me que a justiça está a desenvolver a polis, por ser fruto também na polis. Mas eu não confundo tudo. E não confundo porque tenho a percepção que há magistrados e magistrados, advogados e advogados e etc. e tal.
    Quero deixar aqui uma palavra de estímulo e solidariedade para com o juiz Carlos Alexandre e todos os agentes de justiça que se batem por tornar igual o que é igual. Não obstante o desfecho dos casos.
    Só espero que a Justiça concretize a igualdade de acesso à mesma. E uma forma de obrigar a esta igualdade será legislar-se no sentido de que todos os advogados, TODOS, sejam obrigados a aceitar causas quer dos que podem e dos que não podem pagar, sendo que os advogados dos que não podem pagar serão pagos pelo estado pelos montantes estabelecidos. Devem também legislar para que os pedidos de apoio judicial sejam preenchidos pelos próprios advogados e remetidos por estes à administração competente, S. Social, e que o vínculo de defesa seja de imediato estabelecido através de uma declaração de ausência de recursos assinada pelo próprio e certificada por uma junta de freguesia e/ou outro organismo, na hora em que é pedida.

  6. Sócrates é que consentiu. Se a polícia o estava a importunar, devia ter ordenado: Ó sr. guarda, DESAPAREÇA!

  7. No meio desta hecatombe que é a prisão de um ex 1º ministro por crimes cometidos no exercício do cargo, há coisas positivas. E observando com atenção o que se tem passado nos media, especialmente nas tvs desde a última 6ª feira, vemos bem qual é a natureza de quem defende um certo projecto politico para Portugal e refiro-me aos socialistas e indefectiveis apoiantes.
    1ª narrativa: a detenção de Sócrates. Começaram logo a escrever artigos inflamados contra as “fugas de informação” que permitiram o circo mediático à volta da detenção de Sócrates. Eu bem tenho tentado, mas ainda não consegui ver nenhuma imagem, seja nas tvs ou nos jornais, do acontecimento, pelo que o circo mediático só existe em cabecinhas perturbadas.
    2ª narrativa: o rodopio de advogados nas tvs, perorando sobre o défice de direitos de que o ex 1º estava a ser vítima, porque o Tribunal “não informava as pessoas” do que se estava a passar lá dentro.
    3ª narrativa: prisão preventiva: andam os mesmos advogados, agora coadjuvados pela bastonária, e um coro de comentadores e jornalistas a criticar o Tribunal, leia-se o Juiz Alexandre, por não divulgar as razões porque aplicou a prisão preventiva a José Sócrates.
    E como diz o poeta, “a gente pasma de ouvi-los”. Então srs advogados e restantes indignados, e se as eventuais provas que levaram à prisão de Sócrates servirem também para incriminar outras pessoas que ainda estão a ser investigadas no ambito do processo em causa? porque a provarem-se os eventuais crimes cometidos no desempenho das funções de 1º ministro, nomeadamente os de corrupção, Sócrates não os poderá ter cometido sózinho, não é? alguém o corrompeu e alguém os teve de executar.
    E é isto que explica tamanho frenesim mediático. Já não é a prisão preventiva de Sócrates que está em causa: são as eventuais próximas prisões de outas pessoas que os está a pôr nesta inquietação. Eles lá sabem o que fizeram para andarem tão nervosos.
    Por último, desde esta madrugada que a Cidade com mais de dois mil anos de História onde nasci e onde vivo tem um novo habitante. Facto que não nos honra nem nos orgulha.

  8. Este texto faz entender certas reacções.

    O Dr.Soares clama que todos os Democratas pensam como ele. Demonstra um modo de pensar típico de uma corporação que se julga dona do País.

    Lembram-se das imortais palavras da Elisa Ferreira “o dinheiro é do Estado, é do PS” ?
    Logo, faz sentido esta gente dizer que o regime está em causa por causa deste caso. Para eles o Regime é o PS. E os Democratas são aqueles que concordam com eles.

    1. É verdade, os socialistas acham que Portugal é uma quinta que lhes pertence, e os portugueses são os criados da quinta. Ao serviço deles, é claro.

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