Crises económicas e políticas? Foram várias as que Portugal já teve de enfrentar. A novidade é que desta vez sofremos uma enorme pressão do exterior para sermos consequentes. Por uma vez na nossa História os nossos governantes vêem-se fortemente constrangidos a proceder a verdadeiras reformas, as tais reformas estruturais que até hoje nunca desejaram. Esta é a única situação que me diverte e dá esperança neste cenário de crise. É a única boa notícia.
A boa notícia
Teresa Ribeiro,


Só pressionados exteriormente é que lá vão, Teresa.
Boa, Teresa. Pelo menos isto sempre anima alguma coisa.
Têm que ser picados como certos quadrúpedes para agir. E desta vez vão ter de sair da zona de conforto, porque os parceiros europeus não querem saber de conversa.
Bordoada neles. O problema é que vamos todos pagar.
Já no passado havia classificado isso como “o lado positivo da crise”… infelizmente o método tem resultados péssimos para o povo
Tens razão. Os brandos costumes desta vez não vão chegar para enganar o pagode.
Temo que ainda não seja desta.
Vou tentar explicar porquê.
A “elite” que nos governa não ascendeu sozinha ao poder, em outras razões, porque não se trata de uma verdadeira elite, quer em termos culturais, quer em termos financeiros, quer em termos de reconhecimento social.
Ela origem nas jotas ” partidárias e como única experiência de vida e de profissão a escola do partido. A qualidade em que são exímios é a intriga política, a golpada.
Porém, precisam de “redes” de amigos e camaradas para ir ascendendo (há quem diga, consensualisando posições) na escalada do poder.
Daí a convivência próxima – a “economia comum” – em que vivem com outros antigos jotas ” e que foram furando os lugares disponíveis em toda a arquitectura tentacular do Estado.
Assim, não é por acaso que nas empresas públicas, nos institutos públicos e nos inúmeros organismos que se alimentam do Estado, encontramos camaradas e amigos cujas lealdades vão amparando o governo, como suprema forma de sobrevivência.
Esta malta, no entanto, acomodou-se e não sabe viver de outra maneira (a não ser “à pal ” do Estado) e fará tudo – incluindo morder a mão que lhe deu de comer no tempo das vacas gordas – para manter a “vidinha”.
Vamos ver quais as empresas do Estado e outros institutos vão mesmo seguir as regras ditadas pelo Governo…
O que creio que vai acontecer é que vai surgir uma contabilidade ainda mais criativa para o sector público de modo a não punir os trabalhadores que nada tiveram que ver com a forma como esta classe política vem gerindo a coisa e o dinheiro público em benefício, mais ou menos, próprio.
Lembram-se de Cavaco Silva, enquanto PM , ter decidido atribuir aos reformados (a pagar pela Segurança Social ao tempo falida) subsídio de férias (como reformados, era mesmo de férias pagas que eles mais precisavam…) e subsídio de Natal?
Que reformas estruturais? Nem pressionados do exterior estes incompetentes alguma vez farão tal coisa. Espere e verá.
Do ‘exterior’ chegam-nos por vezes os mais ambíguos sinais. Um exemplo: a nomeação de Vítor Constâncio para vice-governador do Banco Central Europeu depois da prestação que bem sabemos à frente do Banco de Portugal.
Caro Pedro,
Podemos recuar um pouco mais e falar de Durão Barroso que deixou o país de “tanga” e foi feito Presidente da Comissão Europeia!
Se fizermos um esforço mínimo ainda encontramos mais exemplos…mais ou menos recentes!