A boa-aventurança


Rui Rocha,

Bom dia, senhor Terrorista. Espero que esteja tudo bem consigo, senhor Terrorista. Se me permite, senhor Terrorista, apresento-me. Sou agente das forças especiais francesas e estou aqui para o prender, senhor Terrorista. Mas não se enerve, senhor Terrorista. Estou certo que o senhor Terrorista tem imensas atenuantes que justificam ou até legitimam o incómodo que provocou aos caricaturistas do Charlie que acabou de despachar. Assim sendo, senhor Terrorista, não se importaria, gentilmente, de me entregar a sua arma? Ai, senhor Terrorista, que palavras tão feias que acabou de dizer. Ai, senhor Terrorista, não dispare assim a Kalashnikov que ainda acaba por me acertar. Olhe, ó senhor Terrorista, fazemos assim: eu tenho mesmo de disparar, mas vou fazer mira para a janela e o senhor Terrorista põe-se do lado da porta para eu não o atingir. E o senhor Terrorista pode continuar a disparar contra mim sem se magoar. Está bem, senhor Terrorista?

 

Ou, dito de outro modo, a desejável intervenção policial, segundo São Boaventura:

A resposta francesa ao ataque mostra que a normalidade constitucional democrática está suspensa e que um estado de sítio não declarado está em vigor, que os criminosos deste tipo, em vez de presos e julgados, devem ser abatidos, que este facto não representa aparentemente nenhuma contradição com os valores ocidentais

0 comentários em “A boa-aventurança”

  1. Eu também acho que qualquer criminoso, de qualquer tipo, deve ser preso e julgado e não abatido pela polícia (salvo em condições muito especiais descritas na lei).

  2. António Vitorino também afirma o que aqui já afirmei:
    “Cada vez dependemos mais uns dos outros à escala planetária e depois refugiamo-nos em políticas ‘identitárias’, sejam elas de raiz religiosa, étnica, cultural, de território de origem ou de residência. Este ‘identitarismo’ tem como objectivo exacerbar as diferenças e não criar as pontes para o entendimento na diversidade. As nossas sociedades europeias são cada vez mais diversas, cada vez mais multi-étnicas e multirreligiosas. Temos que fazer um apelo aos valores que unem as pessoas e não aos que as dividem ou separam”.

    E Pedro Santana Lopes também, aqui:
    http://rr.sapo.pt/informacao_detalhe.aspx?fid=1&did=175207

      1. Essas esquerdas nem imaginam o que lhes calhará com a instauração da charia e anexos,aliás,nem é preciso imaginar,basta observar e ouvi-los aos pregadores de tais seitas.Eles são muito claros.Não se distraiam com boas-aventuranças!

  3. E as direitas também não mas estas vão avisando, os anjinhos de esquerda é que andam a dormir ao som dos boaventuras.

    1. Não é assim, a diferença está na táctica preconizada. A direita prefere a linha Bush no Iraque. Tenho sérias dúvidas de que resulte embora pareça à primeira vista que o que interessa é bombardear e deixarmo-nos de requintes teóricos. Parece-me que o Boaventura vai por uma linha mais inteligente: procurar entender as causas e razões a fim de tentar cortar o mal pela raiz. Se Bush fosse um pouco mais inteligente ter-se-ia evitado grande parte da tragédia do Iraque. E a Líbia, Síria etc.? Acho que só a força bruta, por maior que seja, não resolve.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *