A Bé


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(Memória a propósito disto que aconteceu à Bé):

Há alguns anos abriu o casino em Maputo. Depois inauguraram o restaurante (uma espécie de “brasserie”, se bem me lembro). Acorreu-se à novidade. Lá fui: resmunguei-o algo caro para a minha bolsa, e barulhento apesar do ambiente frio. Fui e até voltei, duas ou três vezes, coisas de jantares colectivos.

Uma sexta-feira lá isso me aconteceu. Cheguei, só e cansado, sentei-me na mesa dos conhecidos. Ainda não deitara o olho ao cardápio e entrou um patrício, desses muito conhecidos da política, que por lá aportara nas negociações da entrega de Cahora-Bassa e fora ficando, em regime “sanduíche” claro, em conselhos de negócios e coisas dessas. Rosnei para o lado “não janto na mesma sala deste fdp“. Levantei-me, enjoado – que era o tempo do Sócrates, cujo fedor chegava a Maputo ainda que aqui os inteligentes, antropólogos, outros académicos e gente bem-informada o sentissem “perfume” -, e fui-me embora, talvez para o Piripiri, talvez para casa, não me lembro.

Os anos passa(ra)m. Eu sou da “direita” (e escrevo coisas que parecem da “extrema-direita”, diz-me gente mui amiga). E vim-me embora do Índico. E os tipos como aquele botam agora o quão incomodados estão com aquilo da Bé, cá no Atlântico. Eles são muito de esquerda, estão no governo. Ou perto, seguindo muito apreciadores do simpático presidente que temos. A mim vale-me, pelo menos, que não sou migrante. Ahnn? É isso mesmo. Não sou migrante.

8 comentários em “A Bé”

  1. Há já algum tempo que o leio e não me parece mesmo nada de extrema-direita. O problema deve ser você ser decente e não ter papas na língua. E sim, actualmente isso é um problema.

  2. “não janto na mesma sala deste fdp” Isso são frases de antanho, do tempo em que o Paiva Couveiro foi a Londres para dar um estalo já não sei a quem.
    Por mim, gostei. Há muito que não ouvia.

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