Leio que por especial deferência e iniciativa de António Costa, Lisboa conta agora com uma Avenida Álvaro Cunhal. Não se trata de uma excepção, uma vez que outros municípios já cometeram ou preparam-se para perpetrar iniciativas de idêntico calibre. É bem verdade que o país tem muito mais ruas do que filhos que mereçam distinção, pelo que devem aceitar-se como normais a massificação e a erosão de sentido do destaque toponímico. Todavia, uma coisa é colocar, à falta de melhor, o nome de um qualquer patarata numa placa de uma rua. Outra coisa é atingir o nível de cretinice necessário a que se promova a glorificação por instituições democráticas de quem nunca quis a democracia. Álvaro Cunhal combateu, é certo, o regime salazarento. Mas devemos ser capazes de distinguir ainda que os tempos sejam propícios à confusão. Uma coisa é combater uma ditadura para promover a liberdade. Outra coisa é combatê-la para a substituir por uma outra forma de opressão. A liberdade e a democracia são um valor em si mesmas. E porque é assim, é inaceitável o raciocínio daqueles que por acção ou omissão contribuem para que prolifere uma distinção entre ditaduras boas e más. As ditaduras, de direita ou de esquerda, de cima ou de baixo, são o que são. E são más. Execráveis. É por isso que uma certa aragem de politicamente correcto que desemboca numa atitude de tolerância perante o comunismo não pode ser admitida. É certo que, contrariando o pessimismo de Adorno, depois de Auschwitz podemos ainda voltar à poesia. Mas não podemos permitir que volte o nazismo. Pelo mesmo motivo, é realmente lamentável que depois dos milhões de vítimas provocados pelo comunismo e de o sistema não ter levado a outros resultados que não a colectivização da violência e da fome, aqueles que o defenderam e nunca o renegaram acabem não só por beneficiar de um julgamento histórico injustificadamente benevolente como ainda vejam o seu nome inscrito numa avenida, em claro desafio à dignidade democrática da cidade e do país.
A avenida Álvaro Cunhal
Rui Rocha,

há quem diga que o homem fez mais coisas, para além da política: escrevia, sem recorrer aos “escritores-fantasma” (tão esquecidos pela feira do livro), pintava, participou numa fuga de uma prisão digna de qualquer filme do género…e a sua vida e personalidade tem dado e dará para que muitos daqueles que o combateram ou seguiram dediquem o seu tempo a estudá-la e a escrever e a publicar….
o nome do homem foi dado a uma rua ou avenida nova, que não é rebaptizada…
o homem era comunista “a sério”, completamente devotado à ex-união soviética e tentou instalar um regime do mesmo tipo em portugal, mas perante a oposição democrática que suscitou, recuou e não alinhou em aventureirismos “armados”…
o homem “merece / não merece / merece” uma rua com o nome dele?
foi dado em lisboa (com direito à internacional), seria certamente recusada noutros municípios, seria certamente aceite noutros,…e lá está ele ainda a dar que pensar, falar e escrever…
o que penso disso? acho que não está certo, se por acaso não existe ainda uma rua com o nome do alberto joão…
Hmmm.
O Costa quer é os votos da comunagem nas próximas eleições… Já abarbatou os do Zé que não fazia a menor falta e a de uma Roseta que anda de bicicleta com um capacete na tola e fica contente com isso.
…e os de uma Roseta…
Sim, oportunismo.
Um Totalitário, ou seja alguém que queria controlar todos os aspectos da vida dos outros homenageado por uma Democracia cada vez mais a caminhar para inaugurar a fase da Democracia Totalitária.
Faz sentido.
Não. Ainda não, pelo menos.
Não consta que o Cunhal tenha feito negociatas à custa da política, nem que tenha permitido que camaradas seus tenham enriquecido à sua sombra, nem que tenha tido responsabilidade nos crimes do Estaline.
Esteve preso uma data de anos por lutar contra uma reles ditadura, cujo principal mentor tem o nome em dezenas de ruas por esse país fora, sem que isso alguma vez tivesse incomodado a maioria das pessoas que agora se mostram tão indignadas.
Não garanto que ele, se pudesse, não deixaria que dessem o seu nome a uma rua, porque nunca o poderemos confirmar, mas lá que acho isso, acho…
Mas enfim, este é mais um daqueles temas que provam que os conceitos de esquerda e direita ainda fazem sentido: as pessoas de direita preferem ruas com o nome do Salazar; as de esquerda preferem ruas com o nome do Cunhal.
E repara-se que digo «de esquerda» e não «comunistas», que aliás o António Costa também é insuspeito de ser…
Felizmente, ainda vivemos em democracia, embora às vezes quase nem se note…
Caro Camarada…
Não há diferença nenhuma entre Cunhal e Salazar…
nenhum deles era democrata !O resto é conversa.
É isso.
Se apoiou Estaline e ajudou à defesa da URSS certamente teve responsabilidades, nem que seja morais.
“Felizmente, ainda vivemos em democracia, embora às vezes quase nem se note…”
Essa tem piada. Algo que Cunhal abominava.
E o apoio à invasão da Checolosváquia em 1968?
E o resto.
Cunhal não fez negociatas à custa da política, tal como Salazar não fez e não enriqueceu.
Para mim, todas as ditaduras são igualmente ignóbeis. Se a de Salazar era reles, como diz, significa que a que Cunhal defendia era magnífica?
O país tem ruas com o nome de Salazar que foram assim denominadas num período histórico em que se desprezou a democracia. Seria intolerável que se desse o nome de Salazar, hoje, quando prezamos a democracia. Por esse mesmo motivo me sinto ofendido com a atribuição do nome de Cunhal, quando este mesmo disse que não queira uma democracia para Portugal.
Exactamente.
Repare que o facto de recusar o comunismo não implica qualquer promoção de Salazar ou de outro regime totalitário. Sublinhei-o no texto. E reafirmo-o.
Democracia… essa teve piada!
A maioria das ruas do país tem nome de pedreiros que, se saiba, pouco mais fizeram do que vestir o avental para os cozinhados e macavenquices.
Por exemplo, temos avenidas, ruas, em todo o país, com o nome de dois da irmandade, cujo contributo para o 5 de Outubro foi terem funeral marcado para o dia 6.
A saber, Candido dos Reis (que se suicidou por antever o fracasso), e Miguel Bombarda (que foi morto por um paciente). A partir daí o desplante e o despudor não tiveram limites… o panteão nacional de nomes em ruas vai de proxenetas a reis.
É desse tipo de democracia que fala, a que chapa o nome dos manos em quase todas as ruas?
Haja o mínimo de decoro… ponham o nome de quem queiram, onde queiram, podem andar com eles tatuados, mas não inventem histórias da carochinha.
E, como a data se aproxima, se tivessem vergonha faziam a distribuição de medalhas no dia 10 de Junho numa cozinha dos fundos, sempre disfarçaria o uso do avental.
Sim, uma cozinha seria um local adequado.
Esses senhores o Sr. da Maia classifica por usarem avental, fizeram muito mais do que isso – talvez por terem do avental um conceito diferente do seu. Certamente se pode dizer mais de Miguel Bombarda do que “foi morto por um paciente”, assim como do Almirante Cândido dos Reis que, talvez por prezar a Honra, não suportou a derrota…
O Sr. da Maia tem um sério problema com aventais; se fosse a si aumentava a medicação e lia a História de Portugal do século XIX. Vai ver que se sente melhor.
Sr. Nogueira:
– tinha a possibilidade de se opor ao que digo, mas limitou-se a confirmar.
– onde estão as grandes Avenidas de Machado Santos?
– quem afinal aguentou a Rotunda?
O que aconteceu a Machado Santos, bem como a Carlos da Maia e António Granjo?
– Mortos cruamente… ou não sabe da Camioneta Fantasma, na Noite Sangrenta?
Tem a certeza que quer falar sobre aventais?
Pergunte na loja mais próxima, e depois venha melhor preparado, ou talvez lhe aconselhem outra medicação…
O seu artigo é um vómito!
Já tinha reparado e agora confirmo: porque razão os simpatizantes e militantes comunistas, quando repugnam um texto recorrem sistematicamente às expressões “vómito” e “náusea”?
Repugna-os tudo o que não seja açorda.
Yep.
Até a somatização está normalizada.
Veja lá, não vá ser figadeira…
Ora essa, as ditaduras de direita são o que são. Já as de esquerda, como a estalinista, são porreiras.
É o que parece.
A mania de dar nomes de pessoas a ruas, substituir nomes como Palácio de Cristal por corredores escanzelados é, em si mesmo, perfeitamente parola e sub-desenvolvida. Num país de “igualdade” não se destacam doutores, nem generais nem atletas. Até aquele imbecil que foi ministro da Economia de Sócrates tem uma rua não sei onde num subúrbio qualquer. É um pena ter de viver entre atrasados mentais. Não é por acaso que estamos onde estamos.
Não numa rua, mas num beco sem saída.
Sr. Vasco, ninguém o obriga a viver entre atrasados mentais. Quanto aos países “de igualdade” não destacarem os seus melhores, não imagino de que país esteja a falar. Mas certamente que acolherá o seu faceiro anonimato com com simpatia.
Quem este no Alentejo en 74 / 75 viu bem o que ele tentou fazer! Votos controlados, meter nas assembleias de votos e bater em quem colacava cartazes de outros. Não o esqueceremos nem a ele, nem a Salazar e pelas mesma razões! A diferença foi que o reinado ditatorial deste foi mais limitado, mais pequeno e só com milícias populares. É uma vergonha mais que do populista do António Costa, resto moribundo do Socrismo
Concordo.
isso é que é “sectarismo”, Rui. 🙂
como é que é possível acusarem de tantos males alguém que nunca foi poder no nosso País (nem mesmo no PREC, se bem que tenha tentado…)?
foi sim lider do único partido organizado que tentou resistir à ditadura…
e esteve preso incomunicável durante anos, numa situação rara (que normalmente leva à loucura) numa cela que pode ser visitada no Forte de Peniche.
isto não é mitologia.
“Esteve preso incomunicável…”
Diga-nos uma frase do “prisioneiro” democrata Cunhal que o identificasse contra:
Gulag- Símbolo da repressão da ditadura Soviética…
Que funcionou de 25 abril de de 1930 até 1960… onde foram aprisionados e mortas milhões de pessoas…
Uma frase… um gesto: – Contra a invasão da Polónia e R. Checoslováquia….
Um bocejo… Contra o celebre Muro de Berlim… onde milhões de pessoas viviam aprisionadas e muitas perderam a vida na tentativa de fuga para a liberdade….
Meu caro… ainda hoje os comunistas, consideram Cuba e a Coreia do Norte países democratas …. gozando de amplas liberdades…
Diga-nos…. verdade ou mentira?
A Coreia do Norte, esse espaço de liberdade…
Reconheço, Luís. Quando se trata de defender a liberdade e a democracia, sou sectário. Quanto aos factos que sublinha relativos à vida de Cunhal, são tão verdadeiros como as consequências desastrosas do comunismo em milhões de vidas. Isso também não é mitologia. E foi disso que Cunhal foi cúmplice anos e anos a fio.
… “são tão verdadeiros como as consequências desastrosas do comunismo em milhões de vidas”
Sim… mas mude a palavra para “capitalismo”, e tente iludir que a afirmação não é igualmente verdadeira.
Rocha, Rui quando vai desenterrar o discurso do Muro, mas já não é de Berlim, passará às Lamentações…
Não sabe que houve investigações oficiais que mostraram a intervenção directa do governo americano, por exemplo, no Chile e Nicarágua (já para não falar no forjado para invasões do Iraque, e tantas outras, inclusivé Timor)?
– Qual foi o governante português que condenou o governo dos EUA, ou que declarou Kissinger ou Bush como persona non grata?
Portanto, está a dizer que os políticos portugueses, por não condenarem os genocídios arquitectados na condução geopolítica, são todos cúmplices?
– É capaz de ter razão.
– Ficou foi com uma lista muito extensa…
Ou, santa das ingenuidades, vai dizer que não acredita nisso… pois, mas os comunistas também argumentam que não acreditam na propaganda capitalista.
Este seu discurso é tão básico e fundamentalista, que parece que o escreveu usando uma burka….
Da Maia, nenhum de nós desconhece os vícios, as imperfeições ou os alçapões dos sistemas capitalistas e comunistas, ou as limitações das sociedades em que vivemos e que dizemos (ou dizem) democráticas. Há, todavia, em tudo isto, um critério a que sempre recorro. O critério do muro. Consiste o critério em saber quem o levanta. E em conhecer o número de pessoas que morreu tentando atravessá-lo de lá para cá e de cá para lá. Ora, se por absurdo, fossem reinstalados regimes comunistas no espaço a que chamávamos bloco de leste e se do lado de cá as coisas fossem exactamente como são hoje, há algumas coisas de que não tenho dúvida. 1) Seriam os regimes comunistas a levantar o muro. 2) Não faltaria quem tentasse atravessá-lo para cá, apesar de todas as misérias que o lado de cá possa ter, ainda que para isso pagasse com a própria morte. 3) Agora, como então, não existiriam muitos interessados em ir para o lado de lá. 4) Álvaro Cunhal, se fosse vivo, continuaria a apoiar e a defender os regimes do lado de lá. Como continuaria a defender o regime de partido único (o dele) e a compressão das liberdades individuais e de expressão. Os lados do muro, seja ele real ou não, não são simétricos, por muitos defeitos que o lado de cá possa ter. Como não seriam se do lado de lá estivesse um regime nazi e do lado de cá aquilo que temos.
Esse discurso é bonito, Rui, e não deixo de o partilhar, apesar de conhecer o que é a censura nestes tempos.
Nestes tempos a prisão é diferente.
Um Assange não é procurado por um crime político, é por outro, inventado ou não.
Há uma outra prisão que consiste na ilusão e isolamento.
Como já disse algumas vezes, uma sopeira que leia romances Corin Tellado, nunca terá problemas com nenhum regime, e irá aos desfiles de todos, porque gosta de homens de uniforme.
Só tem problemas com a prisão quem lhe consegue ver as paredes.
E reconheço, é mais bonito ter uma prisão sem grades materiais, só com tijolos mentais…
Só que nem se acabou com as outras. Uma é bem simbólica, está numa ilha de regime comunista, está em Cuba… só que do lado americano, em Guantanamo.
Qual é o democrata que não condena um regime que prende pessoas por tempo indeterminado, sem direito a julgamento?
– Quantos democratas há em Portugal que não abrem boca sobre isso, já para não falar nos que acham bem?
O que é que se critica tipicamente nos regimes ditatoriais… prisões ou execuções sem julgamento.
Obama disse que era uma vergonha, que iria acabar com isso… pois, a cada vôo de Guantanamo, a cada “panela de pressão” que passe a “arma de destruição massiva”, a cada “drone” atacando como num videojogo, mais perto estamos de regime ditatorial alargado.
O muro já está refeito, e o lado da Europa social-democrata, dos anos 80, desapareceu nele… porque esse muro não é construído de tijolos, é de leis e de um poder judicial condicionado ou ineficiente.
Há pelo menos uma evidência que não deverá negar. Enquanto se mantiveram os dois lados do muro, a ameaça comunista dava um poder negocial pelo lado do trabalho, que se veio a perder na Europa quando o muro caiu.
A democracia-cristã, a social-democracia, não visavam este capitalismo… nenhum partido europeu o fazia!
Com a queda do muro, esses dois partidos misturaram-se na nova vertente do Partido Popular Europeu, que aceitou o capitalismo mais liberalizado. O mesmo fez o Socialismo ao entrar na 3ª via de Blair.
Portanto, aquilo que vimos foi formar-se um grande partido único, em que mudar de governo não significa mudar de política, apenas se muda de nome e caras.
Assim, deve concluir que o peso na balança social dependeu da existência do papão comunista… foi essa ameaça que prendeu a irracionalidade predadora do “mercado à solta na selva”. Haver partidos comunistas na Europa fez parte dessa balança que ajudou a formar a social-democracia.
E deve ponderar no seguinte… nenhum chinês levantou nenhum muro, e agora até tem muitos ocidentais a emigrarem alegremente para a China, preparados para a lógica do trabalho – que é igual nos dois lados.
A sopeira não questiona o método, espera o salário dos patrões, e gostará das cerimónias engalanadas que lhe permitem sonhar um dia ser Cinderela.
Falando nisso, sai uma notícia de exílio de um americano na China: les-me-quiserem-apanhar-vaome-apanhar-15 96977
http://www.publico.pt/mundo/noticia/se-e
Que numa conversa sobre Cunhal e uma rua de Lisboa apareçam os americanos, diz muito sobre os conceitos e preconceitos de muita gente… Já cá faltavam os americanos, culpados de todo o mal que acontece no planeta, inclusive culpados de Cunhal ser estalinista e de Costa querer homenagear o principal resistente ao Estado Novo (mesmo que com as piores intenções).
José Couto Nogueira:
Eu sou do tempo em que havia um muro que simbolizava a oposição de duas ideologias. Isso aparece naturalmente em qualquer conversa em que se fale de comunismo, porque teve o epílogo na queda do Muro de Berlim. Isso faz parte da conversa, havendo dois lados.
Só faltava o preconceito de ver só um lado, pelo gosto do olho único.
Paciência, há quem veja com os dois olhos.
Se não tem essa memória, nem sabe do que estou a falar, procure informar-se.
Sim… mas mude a palavra para “capitalismo”, e tente iludir que a afirmação não é igualmente verdadeira.
Não não é verdadeira.
É mentira mas nada supreende num totalitário.
O capitalismo salvou biliões da pobreza e doença e morte prematura.
Lucky,
sou totalitário porque vejo o total, já você é simplesmente limitado.
Concordo, o capitalismo salvou milhões da pobreza e doença e morte prematura.
Biliões tenho mais dúvidas… você é tão limitado que não percebe que o mesmo argumento, com biliões pode sim ser usado pela China.
A sua falta de argumentação mete dó.
O texto do sr. Rui Rocha é de tal modo ignorante que para além de mostrar que nâo conhece a história politica/social do mundo, revela inclusivé não saber sequer o que é a democracia.
Não vale apena fazer mais nenhuma apreciação, porque o conteudo não o justifica.
Simplesmente ignorante, desumano e saudosista.
Jneves
Apelidar os outros de ignorantes e não apresentar uma única prova ou exemplo dessa ignorância é mesmo de funcionários do partido.
Nada pode ser questionado, quando se pensa ser detentor da única de verdade.
A riqueza da argumentação é esmagadora. Tão esmagadora como o comunismo foi e é para as suas vítimas.
Mermão, como está visto, para o bem e para o mal Álvaro será sempre uma figura ímpar na história desta nação.
Cunhal, em quem nunca votei, foi uma homem que se entregou de corpo e alma a um projecto de transformação social num país extremo de secretas sociedades dominantes: de reis a republicanos sem esquecer uma corja de burgueses mal formados que oprimiram este povo, de todas as cores, do Minho a Timor. Associado a estas castas criou-se uma espécia de classe, que denomino de mediana, que suportou todas as evasões delirantes para gáudio de seus pobres valores.
Qualquer semelhança actual com estes factos aqui produzidos não são, efectivamente não são, coincidências.
Por isto, apoio incondicionalmente a homenagem feita a Álvaro Cunhal, ainda que não tenha concordado, e não concorde, com a ortodoxia que ele, talvez devido à idade e ao pragmatismo necessário, não pôde ultrapassar pelos anos que viveu clandestinamente. Mas deixou um partido que tem vindo a evoluir, e muitas das conquistas alcançadas neste país, mesmo para aqueles que com ele nunca concordaram, a ele se deve.
O computo geral é que se nos encontramos hoje a escrever e a conversar, como escrevemos e conversamos, também lhe devemos a ele.
Sim, Cunhal merece uma estátua, mas merece ainda mais ser recordado na história deste país pelo bom e pelo mau; porque quer o bom quer o mau nos ajudam a evoluir e melhorar.
Respeito naturalmente a sua opinião, Mermão. Mas não me esqueço que na sociedade que Cunhal pretendia, eu provavelmente não teria direito à minha.
É provável que assim tivesse sido, resta somente provar. Referi-me simplesmente ao que não aconteceu, ou seja, isso que refere, sem deixar de acentuar a ortodoxia. Por outro lado não se confunda Cunhal com alguns ditos comunistas (uma boa parte destes “alguns ditos” eram antes oportunistas), saídos não se sabe de onde, que por recalcamentos e frustrações entendiam que isto era tudo da “Joana”.
Um homem é conhecido também pela maneira como morre; e o testamento dele também foi claro: “fui simplesmente um homem”.
As revoluções são sempre susceptíveis de excessos, mas o importante é seguir e não regredir.
Se todos conhecessemos a maneira como vivia a população deste país, e os abusos laborais existentes, talvez compreendessemos melhor a acção de Cunhal.
Mermão, África, em particular Angola, “o antro de comunistas” como alguns afirmavam (relembro que em Angola ocorreu a única vitória de Humberto Delgado, foi ali que se incumbou os desejos de Venâncio Deslandes, foi ali que se desejou uma reviravolta, com a entrada em cena dos irmãos Pinto de Andrade, foi ali que se abateu o projecto do célebre Estados Unidos de África – por causa da consciência de uma verdadeira vida democrática multipartidária e multicultural – sem regimes de apartheid – etc. que muito bem não vingou), foi uma das incubadoras para uma transformação social em toda a parte. Pretendo com isto dizer que estamos perante realidades distintas.
Mas lixaram meio mundo e outro. Convém referir que as as importantes reformas e a visão do prof. Adriano Moreira foram bem acolhidas e oportunas.
Quando se abriram os olhos já era tarde, com os americanos, Keneddy, a provocarem uma rápida mudança a que nem o golpe das Caldas, com conhecimento prévio do prof. Marcelo, com vista ao derrube do Presidente, resolveu. As causa para tudo quanto aconteceu não têm uma só origem.
A história ainda vai ser revista.
Gostaria só de acrescentar que o “que muito bem não vingou” foi essa ideia dos Estados Unidos de África, porque inclua regimes de apartheid como a antiga Rodésia e África do Sul. Em tudo o resto foi pena que não se tivesse vingado.
“…como é que é possível acusarem de tantos males alguém que nunca foi poder no nosso País…”
Deve estar a brincar, podemos ir dos mais de 1 milhão de mortos do 25 de Abril nas ex.colónias entregues a Comunistas, às ameaças de violência de cada manifestação, passando pelos saneamentos, ocupações de propriedades, ocupações de empresas e nacionalizações, ou seja puros assaltos.
A única coisa que nos salvou de um Golpe Comunista foi a logística e a resistência de muitos portugueses no Norte de Portugal.
E Cunhal seria muito pior que Salazar e o Estado Novo. A Ditadura do Estado Novo não metia o bedelho na loja do senhor António, nem no pomar do Senhor.João e da D.Maria. Para os Comunistas tudo era para ser controlado, à loja do senhor João seria obrigatório fazer parte da cadeia de abastecimentos do regime com produtos todos iguais, o pomar do Sr.João e da .Maria seria perdido para o Kolkhoze local que os obrigaria a plantar isto e aquilo…
Se negassem: Cadeia de Caxias ou Peniche…
e isto era só um aperitivo pois as cadeias da Ditadura do Estado Novo seria multiplicadas por 10 com a Ditadura Comunista.
São Totalitários tudo precisam, querem controlar.
Parece que estamos todos precisados de Memofante. Um dia, ainda há-de vir algum dizer que lhe apareceu Cunhal em forma de passarinho.
Pelos vistos Alvaro Cunhal, fez o necessario para o Sr. e outros fascistas iguais a si, que alem de estarem em casa a criarem blogues de novos ricos e para, poderem ter liberdade para faltarem desta forma ao respeito de quem lutou p termos liberdade. Ingrato eh o que o Sr. é. Diga gosta de viver assim? Nesta paz podre, onde politicos so jogam monopolio e nada se produz? Respeito! Ava, cavaco ou gaspar seriam melhor?
Gosto, gosto muito de viver assim, num país onde há liberdade de expressão, apesar dos seus muitos problemas. A liberdade de expressão que todos os regimes comunistas sem excepção, esses que Cunhal tomou sempre como exemplo e nunca renegou, esmagaram.
No meio desta discussão gosto mesmo é deste argumento dos “blogues de novos ricos” – quando for para distribuir os dividendos avisem-se, sff
Fiquei esmagado com essa do “blogue dos novos ricos”. Com arroto de caviar.
Então não estamos todos mais pobres? Não pesco nada disto.
Que confusão que vai neste texto. Não seria melhor, com todo o respeito, editar e reformular as coisas? Quem ler ainda vai achar que Álvaro Cunhal foi responsável por dois milhões de mortos.
Uma coisa temos a certeza, podemos não gostar das personagens que fizeram a historia de Portugal, lembro que começamos tudo isto por uma questão de violência doméstica de um filho para uma mãe, mas não podemos especular sobre o que teria acontecido se seguíssemos, após o 25 de Abril, pelos caminhos de Cunhal.
As lutas de Cunhal e camaradas, não merecem nenhum respeito e consideração…. Eles “lutaram” por outro tipo de ditadura…
Alguém acredita que, sendo os comunistas da altura (e agora) fieis defensores do regime da União Soviética e seus satélites… países em tudo TUDO anti-democratas, pugnavam para Portugal uma democracia … tal como a concebemos hoje?
~
Falavam dos horrores da PIDE… alguém os ouvia (ouve) falar da KGB e STASI?
Falavam (falam) das amplas liberdades… alguém os ouviu protestar contra a prisão num campo de concentração) do escritor Alexander Soljentsin, prémio Nobel de Literatura em 1970?(só um exemplo)
” Cunhal não matou ninguém”…. mas calou os milhões de mortos de Stalin….
Chorar os mortos da PIDE e calar os do seu camarada Stalin… é uma hipocrisia…vergonhosa!
O Povo português nada lhe deve!
Não sei quem é o moderador do Delito, seja quem for vai um abraço de respeito pelas pessoas que aqui escrevem neste excelente blogue. Assim, não vou responder a nervosismos cegos de quem mistura tudo.
Apenas uma nota: Não defendi Cunhal, como não defendo Soares, como não defendo Passos.
Não defendeu? então o que fez?
Qual foi a posição de Cunhal sobre a conquista de metade da Europa sobre a pata comunista da URSS?
Qual foi posição de Cunhal sobre os ditadores comunistas em África?
Qual foi a posição de Cunhal sobre a STASI, KGB, Securitate e todas as polícias políticas comunistas
que perseguiam quem pensava diferente?
Qual foi a posição de Cunhal sobre a Ditadura Castrista?
Qual foi a posição de Cunhal sobre todas as Ditaduras Comunistas? E às Comunistas podemos juntar o apoio de Cunhal às Ditaduras Nacional Socialistas Árabes e ao Partido Baath Sírio e Iraquiano – belos antros de Nazis especialmente o ramo Sírio.
Não nos devemos esquecer aliás da perseguição do Partido Baath ao Partido Comunista Iraquiano que Cunhal calou.
“mas não podemos especular sobre o que teria acontecido se seguíssemos, após o 25 de Abril, pelos caminhos de Cunhal. “
Deve estar a gozar ou achar que os outros são parvos.
É como dizer que não podemos especular sobre o que aconteceria aos Judeus até aos Nazis terem chegado ao poder…
O que Cunhal apoiou e quem apoiou demonstra o que teríamos.
Qual foi a posição de Cunhal sobre o Fim do Estado de Guerra na Europa com a Queda do Muro de Berlim?
Para Cunhal ainda estaríamos com SS20s apontados à cabeça e metade da Europa controlada a partir de Moscovo.
Cunhal apoiava tanto Cuba, que vai-se a ver até iria apoiar uma prisão sem julgamento, por tempo indeterminado, onde se pratica tortura, sem qualquer respeito de nenhuma lei internacional… deixa lá ver como se chama:
– Ah! Guantanamo… então o facto de estar sob jurisdição dos EUA muda tudo. Prisões sem julgamento, tortura, coisas que se criticam a ditaduras… tudo isso já merece o silêncio e a conivência dos grandes democratas de todo o mundo.
Aliás, como também se sabia no credo comunista, só a RDA é que era Democrática, porque a RFA no nome só tinha Federal.
Há dois hemisférios no cérebro. Um controla a mão esquerda e o outro a direita… curiosamente estão trocados.
Eu sei que há pessoal que se satisfaz apenas com a mão direita, mas a esquerda também dá jeito para outras coisas. Vice-versa para canhotos…
Não, não atrapalha. Por exemplo, pode-se aprender a comer com faca e garfo.
A bilateralidade foi um desenvolvimento animal que remonta às primeiras criaturas. Permite mexer as duas pernas, e assim ninguém roda sobre si próprio, pode-se andar para a frente.
A sério!
Nunca é tarde para recuperar de desequilíbrios de hemisférios impostos por muros que ficaram na cabeça, quando os tijolos caíram.
Típica resposta da dialética comunista de faseº4, não há factos por isso tenta-se lançar poeira.
“Cunhal apoiava tanto Cuba, que vai-se a ver até iria apoiar uma prisão sem julgamento”
Claro é só ir aos fuzilamentos de opositores à Ditadura Comunista, mais os que foram lançados ao mar…
e não esquecer os que foram obrigados ao suicídio.
Quando falo dos lançados ao mar não estou a falar do milhão que tiveram de fugir porque o Comunismo não aceita a diferença.
Tal como você.
Responda ao que escrevi no outro post se for capaz.
Não parece ser.
“Típica resposta da dialética comunista (…)”
Quantas vezes você usa este papaguear comunista.
Quem tem sempre o comunismo na cabeça é você. Se há alguém que gosta de reviver o comunismo parece ser você… deve sentir saudades.
Não há factos?
Guantanamo é ficção científica… LOL
Você sofre de severos distúrbios, procure tratamento, ou da vista, ou da cabeça.
Quem disse que os comunistas da URSS, da China, da Roménia, etc… os vários regimes, não mataram muitos milhares de pessoas?
Ao contrário, você é que recusa ver os crimes do outro lado. Comparadas as acções capitalistas em África ou na Ásia, o salazarismo parece que foi um regime bastante pacífico.
Mas qual diferença?
Gozo é com a sua tacanha e imensa estupidez.
Mas qual outra resposta?
Julga que não tenho mais nada que fazer que o aturar?
Cresça e apareça!
Não, Daniel. Reformular nada. Da mesma maneira que Cunhal nada reformulou no seu apoio a toda a desgraça comunista.
nuvens negras se aproximam quando se comeca a suspirar por duas figuras sinistras como o foram cunhal e salazar . rostos de dois sistemas ideologicos maus , que so nos ofereceram guerra , morte e miseria . o fascismo parece que ja foi exorcisado , mas o comunismo parece que ainda nao . as conquistas de direitos civicos na europa ao longo do seculo 20 foram conseguidas por gente corajosa amante da liberdade e moderadas de esquerda e de direita , o fascismo e o comunismo so tentou impedir essas conquistas . crescam e aparecam .
Exactamente.
Que covil de zombies fascistas, este…!
Este blogue fede por todos os poros!!!
Pois. Bom, mesmo bom era só termos o Pravda e o Avante.
Mas de facto não conhecia esta estrumeira.
Até supunha que já não havia disto, pelo menos à luz do dia.
Atenção ao artigo 46º da CRP e à Lei n.º 64/78
de 6 de Outubro.
Podem (e devem) ir todos parar à prisão.
Post de um ignoro, apoiado por alguns abrunhos.
Então, JJ. Desta vez calhou-lhe o turno da noite? Espero que lhe paguem o trabalho noturno.
O seu argumento apenas confirma a minha constatação, não passa de um ignoro em terra de abrunhos.
Com um pensamento igual ao da pide, que perdura no tempo e demonstra o atraso mental do abrunhos, parados no tempo.
Não sou comissário politico de ninguém, apenas inteligente e um homem livre, sem palas nem vendas.
A minha resposta foi adequada ao seu argumento. Aliás, à falta dele. Um homem inteligente, livre, sem palas nem vendas não se dirige a outro na base do insulto que foi o que fez. E nada mais.
Típica forma de “argumentar” do camarada Ratazana. Leninista puro e duro: troveja impropérios contra quem discorda dele. O Gulag, para ele, era um parque temático onde vicejavam papoulas.
Sr. Pedro Correia por norma, não falo do que não conheço.
Mas posso falar-lhe de Caxias, Peniche, São Nicolau, do Tarrafal.
Se praticar o bem sem olhar a quem é ser comunista, então sou comunista.
Ou outro nome que me queira chamar.
Mas serei sempre humanista, contra todas as formas de tirania.
Insulto foi o que fez, ao escrever o post.
Sem mais palavras porque são uma perca de tempo.
Uma constatação estranha. —
Os “intelectuais” residentes do blogue não comentaram….
Será devido às sondagens?… Ou uma forma silenciosa de protesto contra PPCoelho?
Miufas não é… estamos num país (ainda) livre.
Pessoalmente não tenho tanta discordância com o nome de Álvaro Cunhal numa rua lisboeta (confesso, confesso, o “olhe que não, olhe que não” é um ícone da minha juventude, bem para além da ideologia. Talvez pelo charem do homem, “bigger than life”).
Acho isto da toponímia algo mais lato do que a filiação aos valores perseguidos – há um comentário por aqui sobre os nomes dos republicanos que encheram as ruas lisboetas (e não só), e alguns serão de fazer corar as boas almas. E quando há algum tempo se estabeleceu a Avenida Marechal Spínola foi da “outra banda” que levantaram as discordâncias, mais ou menos no mesmo registo. O que deu azo a um esclarecido postal do Pedro Correia neste DO [http://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/1 698460.html]. Já para não falar da quantidade de ruas que levam nomes de escritores menores que ninguém lê ou coisas assim (certo, coisas menos “graves”). Ou seja, a toponímia pode servir para “marcar” as figuras marcantes, “que da lei da morte” se vão safando. E que a censura de nomes, muito marcada pela época, deve ser reduzida. Recordo que a reforma da toponímia maputense teve um episódio ilustrativo: havia duas ruas Salazar n a baixa da cidade. A primeira comissão de reforma propôs, naturalmente, que mudassem de nome. O presidente Machel proíbiu isso com o argumento (que me foi contado por dois dos elementos dessa comissão) “o nome é histórico, os portugueses é que gostam de limpar a história” – com referência óbvia à ponte vermelha sobre o tejo. E uma das ruas manteve o nome Salazar até 1991 (julgo) quando mudou para Rua da Mesquita (a mesquita velha, a priimeira no sul de Moçambique, ainda de XIX), e a outra manteve o nome até há dois ou três anos quando desapareceu, dada a construção de um conjunto de prédios (era já uma viela).
Depois porque temos antecedentes bem mais gravosos. Em Telheiras instalou-se uma rua Agostinho Neto. Não venho com saudosismos coloniais, mas Neto foi um ditador execrável, massacrou imensa gente (até bastantes comunistas portugueses, já agora). E não é um português, como é costume na toponímia municipal lisboeta. Uma câmara que tem a rua Neto bem que pode ter uma rua Cunhal. Que terá desejado muita coisa, como afirma o postal e certeiramente, mas não o fez, e de más vontade está o céu cheio.
Finalmente, temos nesta caixa de comentários uma serie de insultos ao postal e seu autor e a todos nós. Até ameaças de prisão, porque fascistas. Ou seja, um tipo (ou vários) não querem um nome numa rua e são fascistas e devem ir para a prisão. Será este tipo de turba que justifica o resmungo com a oficialização da memória de Cunhal. Talvez seja cedo, tanto o cunhalismo totalitário que ainda habita nas catacumbas de tanto português.
Ora, aí está uma argumentação simples e clara:
– Neto vs. Cunhal.
Afinal, de onde vem a comichão?
… do comunismo, dos interesses?, ou do emprenhar de ouvido?
Gostei da boca do Samora… ele sabia fazer melhores piadas com os portugueses! le=32076&visual=3&layout=10&tm=7
… Porque o problema é que não são piadas, nem têm piada nenhuma.
Veja-se o caso recente da arqueologia nos Açores:
http://www.rtp.pt/acores/index.php?artic
Abaixo, não no sentido da palavra mas sim toponimicamente , a ponte 25 de abril e viva a PONTE SALAZAR.
Vocês são tão burros e ingratos que até dói Já nada aqui tenho a dizer.
Interrogo-me como é possível, em 2013, haver tanto fanatismo e ódio, tanto preconceito, tanto anticomunismo primário, a raiar a demência intelectual.
Nem Salazar e seus mais fiéis servidores e seguidores revelavam tanta irracionalidade e cegueira.
Álvaro Cunhal, para além de político, foi um homem de grande dimensão intelectual e cultural, ímpar no panorama dos dirigentes políticos portugueses.
Independentemente dos seus erros e de algumas avaliações erradas.
Aqueles que aqui o atacam chispando ódio e desonestidade intelectual, incluindo alguns dos co-autores deste blogue, deviam explicar aqui quais as posições que tomaram contra a ditadura de Salazar e Caetano, se a viveram ou se dela têm conhecimento histórico pelas palavras e/ou pela escrita de destacadas figuras portuguesas do centro-direita ?
HAJA PUDOR !!!
Salvo raras e honrosas excepções, a maioria dos comentários azedos e odientos contra Álvaro Cunhal roçam a boçalidade primária e uma falta de objectividade gritante.
Fui militante e até dirigente do PCP entre 1971 e 1991, altura em que me demiti por estar em desacordo frontal com o apoio da Direcção do PCP Ao golpe palaciano dos velhos estalinistas do PCUS visando a destituição de Gorbachev e o fim da perestroika, entregando, objectivamente , o poder a um bêbado, de seu nome Yeltsin.
Fui um dos milhares de comunistas a quem Álvaro Cunhal apelidou injustamente de “folhas secas”, confundindo algumas “árvores” do tipo Zita Seabra com a floresta maioritária de militantes que apenas exigiam um debate interno democrático, amplo, sem tabus, sobre o passado, o presente e o futuro do PCP.
Mas, em Junho de 2005, quando ouvi a notícia da sua morte, tive o discernimento de não confundir os erros e até algumas injustiças, com o homem que foi um herói da luta antifascista.
E, mesmo que ainda magoado pelo epíteto com que me mimoseou a mim a milhares de outros como eu, decidi que, por imperativo de consciência, tinha de percorrer 300 Kms e estar presente na homenagem que veio a constituir o maior funeral jamais havido no nosso país.
Sem ressentimentos, sem ódios, sem cegueiras, sem confundir o Homem com os seus erros, os seus defeitos, as suas análises e atitudes incorrectas.
O balanço justo de 92 anos de vida daquele Homem resultava clara e inexoravelmente positivo.
E é com muita tristeza que leio aqui tanto ódio a um Homem a quem devem muito para poderem, hoje, escarrar à vontade e em Liberdade, sem qualquer receio de serem presos, como ele foi, por delito de opinião, revelando sempre uma enorme coragem e bravura física e moral quando sujeito às maiores torturas e sevícias.
O ódio aqui destilado revela muita ignorância, muita falta de cultura, muita falta de honestidade intelectual e, sobretudo, muita cobardia.
Quantos destes odientos não terão sido toda a vida uns cobardes, uns medrosos, que no tempo do fascismo não passaram de gente “da situação”, quem sabe se até bufos e informadores ?
Outros, mais jovens, já nasceram e viveram em democracia e revelam uma ignorância e uma ingratidão atrozes em relação aos que lutaram para terem esse privilégio, que, infelizmente, mostram não ter merecido.
Sejam homens justos, objectivos, imparciais, em vez de caixas de ressonância das ideias e atoardas mais revanchistas, apenas dignas de fascistas que nunca aceitaram a democracia.
Não passam de saudosos de um passado que ainda hoje revela marcas terríveis na sociedade portuguesa.