Quem promulga uma lei de financiamento dos partidos com tantas dúvidas e contando com aquilo que poderá vir a não acontecer – uma fiscalização efectiva e permanente é coisa que em Portugal não há memória de que tenha acontecido nem mesmo em situações menos complexas -, só pode estar a querer branquear a sua assinatura no diploma em relação àquilo que presumivelmente acabará por suceder.
Não se trata de uma questão de boa fé, nem de um simples compromisso pessoal para reduzir as despesas a metade, gastando dois milhões em vez de quatro e oferecendo as sobras que houver aos pobrezinhos.
À semelhança do que já anteriormente se passou, vidé por exemplo o que aconteceu com a lei de promulgação do casamento entre pessoas do mesmo sexo logo a seguir a uma visita papal, isto poderá não ser pura e simples hipocrisia, mas é seguramente sinal de grande moleza de espírito, de meias-tintas, de falta de coragem política para se comprometer e vetar um diploma com o qual diz não concordar.
Se no caso da referida lei do casamento ainda havia o drama individual dos envolvidos para justificar a promulgação, aqui não há interesse nacional nenhum que justifique uma promulgação nestas circunstâncias a dois meses de uma eleição presidencial.
Mas isto clarifica muitas coisas. Até que um tipo se declare perfeitamente integrado num regime autoritário e ditatorial para poder comer tranquilamente umas filhoses.
Espero que Manuel Alegre se pronuncie sobre isto. E que o faça sem meias-palavras. O apoio que o PS dá à sua candidatura não pode servir de razão para alguns silêncios. Nem é isso que o tal milhão de votos que ele obteve nas últimas eleições dele espera agora.
