
Um país que tem o culto dos derrotados e andou séculos a mitificar um monarca sepultado nas poeiras de Alcácer-Quibir acaba de enaltecer um empresário de sucesso em cerimónia pública. Uma corte exímia em elogios fúnebres prestou tributo a um homem vivo que passou pelo poder em dias turbulentos e soube renegá-lo antes que a política o imolasse em sacrifício ritual.
Já bastaria para destacar Francisco José Pereira Pinto Balsemão, 84 anos acabados de festejar, como figura da semana. Opção reforçada por ser autor de um livro que tem dado que falar: as suas “Memórias”, recém-lançadas, estão a ser obra muito procurada por estes dias. Algo irónico numa sociedade que padece de amnésia colectiva.
A elegante sessão de homenagem no palacete de São Bento foi coreografada ao pormenor pelo primeiro-ministro, anfitrião da cerimónia. Com oito meses de atraso, a pretexto da celebração do 40.º aniversário de um Executivo empossado em Janeiro de 1981, ocorreu a escassas semanas das autárquicas, dando palco suplementar ao chefe do Governo entre duas sessões de promoção de candidaturas socialistas. Havendo aqui um condimento acessório: o homenageado detesta o actual Presidente da República. Qualquer embaraço para Marcelo Rebelo de Sousa será, nesta fase, o último dos problemas para António Costa.
Acresce que Balsemão foi líder político empurrado pela trágica circunstância do desastre de Camarate. Aceitou chefiar o partido e o Governo para suprir uma dupla orfandade surgida com a morte de Francisco Sá Carneiro, amigo e cúmplice desde que ambos integraram a Ala Liberal na Assembleia Nacional caetanista e fundaram o partido laranja logo após o 25 de Abril. Mas os dois Executivos que dirigiu em 29 penosos meses, minados desde o início por insanáveis divergências com o CDS e sabotados por uma facção do PSD, ilustram o pior da direita em Portugal.
O dia 9 de Junho de 1983, em que cessou funções como primeiro-ministro quase meio ano após ter anunciado a demissão, foi um dos mais felizes da sua vida – confessa o militante n.º 1 do PSD nestas memórias em que ajusta velhas contas com Cavaco Silva e desfaz a ilusória unanimidade nacional em torno de Marcelo.
Saiu da política «enojado». De tal modo que jamais cedeu à tentação de regressar ao poder. Nem sequer em 1995, quando se aproximava o fim do mandato presidencial de Mário Soares e foi incentivado por várias vozes a concorrer a Belém.
Sim, teve inegável êxito em 1973 como fundador do Expresso, o jornal que antecipou a democracia. E em 1992, como fundador da SIC, primeiro canal privado de televisão em Portugal. Mas custou-lhe cara a lealdade póstuma a Sá Carneiro. «Na política, a uma opção tem de corresponder uma posição. E esta não pode ser só de amizade pessoal», escreveu em 1970 Marcello Caetano a José Pedro Pinto Leite, seu antigo aluno e malogrado líder da Ala Liberal. Advertindo-o contra os riscos e os limites das relações pessoais na vida pública. Podia servir de epígrafe à autobiografia de Balsemão.
Texto publicado no semanário Novo

E mais a frontalidade com que abriu a porta de saída ao atrelado do morador no palacete de S. Bento que lesto se desenfiou para ir picar o ponto a Belém.
Não diria que alguém que detém um grupo de comunicação “resiste ao Poder”.
Balsemão veio revolucionar a comunicação em Portugal, com o Expresso (que não conheci aquando da fundação), e depois com a SIC que, goste-se ou não do estilo, veio abanar o status quo confortavelmente instalado. A SIC Notícias na altura era um projecto condenado, diziam, pois em Portugal um canal noticioso 24/7 nunca seria viável. Hoje tomamos estas coisas das televisões privadas e dos canais de notícias como algo banal, mas foi preciso alguém que desbravasse o caminho.
É verdade que, com outra postura, podia estar confortável numa qualquer cadeirinha, ou em Belém, ou numa dessas múltiplas Fundações que por aí andam, preferiu outra vida. Se por desgosto para com a política, se por vocação, só ele o saberá e dirá (porque não costuma deixar coisas por dizer).
Quando se for, se calhar também será recordado como um homem bom, veremos.
Não é por acaso que se diz que os media são o quarto poder.
A SIC e cia. ajudaram a afagar e a queimar muitos egos políticos ao longo destes anos.
Não era este Pinto Balsemão que tinha como braço direito um tal de Emídio Rangel, que se gabava de vender políticos como quem vende sabonetes? Ora, ora…
“Não é por acaso que se diz que os media são o quarto poder.”
São o primeiro. São os jornalistas que fazem o trabalho que os padres faziam no passado. Constroem a moral de uma sociedade . Quando você vê o telejornal ou lê um jornal está a ir à missa.
A religião dessa igreja -chamada SIC no caso de Balsemão- é a única que resta no Ocidente:
Política. As pessoas acreditam piamente na politica como demonstra a maioria acreditar numa religião que lhes diz que consegue controlar o clima em decimas de grau.
Nenhum jornalista vai para a profissão para dar notícias, vai para converter almas para a sua moral.
Você delira. Já não é a primeira vez e não será a última.
Exagerei quando disse nenhum, mas a larga maioria. É o maior problema que existe.
Conhecem-se muitas situações, sendo esta a regra das últimas décadas, em que para se ter poder não é necessário estar no “poder”, mas colocar aí alguém e muitos, inclusive nas diversas assembleias pelo mundo distribuídas, para que se exerça o poder que se deseja e que a muitos seduz.
As ágoras políticas actuais são disto exemplo efectivo. O facto de Costa ter coreografado a homenagem, revela também esta sedução de poder da parte dele e submissão ao poder que não tem.
Sobre Francisco Pinto Balsemão não tenho muito a dizer sobre seu livro, pois ainda não comprei. Mas é uma referência política antes e após a passeata que os militares fizeram em Abril.
Mas sobre Marcelo R. de S. não me restam dúvidas. Na homenagem feita a Jorge Sampaio sobre o percurso autárquico deste último, pôde-se constatar que Marcelo acepilha para poder envenenar o acepilhamento dizendo que ele também esteve em todas. Ele governa no sentido do “espelho meu, há alguém mais belo que eu?”.
‘…após a passeata que os militares fizeram em Abril’
Realmente, os geriátricos do poder levaram uma grande banhada que ainda hoje arranjam ‘passeata’, ‘nem balas traziam’, ‘estava tudo combinado’ (até parecia como agora os talibãs),
‘o navio da NATO no Tejo controlava’ e outras desculpas para responderem a ‘então vocês não fizeram nada?’ , pois e tal o problema foi os comunistas clandestinos.
Mas Balsemão não é só o Expresso, o Diário Popular também tem/teve que se lhe diga.
Quem não sente não é filho de boa gente.
Este testemunho de F. Pinto Balsemão é o exemplo acabado de que o formato de selecionar e consequentemente preencher o mister de político, em Portugal, cativa personagens que tipicamente se ajuntam num qualquer molhe partidário e claramente afasta quem do poder político tem outra forma de pensar e viver.
O eleitorado, mais conscientemente ou mais intuitivamente, assiste àquele alheio degladiar e abstem-se.
Tipicamente nada que preocupe os que estão discutivelmente alojados no exercício do poder político e na dita caricata, ferozmente defendida e preciosa, estabilidade.
Depois de Jorge Sampaio, receio que me tomem pelo má língua desmancha-prazeres. Não li e não sei se irei ler as Memórias de Balsemão, de quem guardo memórias antigas.
Antes do mais, foi um herdeiro. Herdeiro de seu tio, figura grada da maçonaria, da boa (se tal se pode dizer por comparação com a outra) a de rito escocês e do clube de Bilderberg. Não tenho conhecimentos internos mas corre que Balsemão tinha pés pequenos para os sapatos do tio. O que não me espanta porque se licenciou com o mínimo de 10 valores e desde muito novo era amigo de Juan Carlos de Borbón; frequentavam o Jardim da Parada e jogavam “tennis”. Línguas viperinas e que não admirariam a família pretendente espanhola – eu gostei muito do príncipe Alfonso que morreu num trágico acidente – diziam que a maior virtude de Juan Carlos era fazer Balsemão parecer inteligente.
Como todos os interessados por política, vibrei e acompanhei o Expresso dos primeiros tempos. Mas não foi por muito tempo. Tinha grande interesse em política internacional e esse capítulo cedo foi dominado no Expresso pela extrema-esquerda. Dizia-se que os redactores do internacional podiam escrever o que quisessem, desde que à saída no fim da tarde não se esquecessem de dizer boa tarde ao sr. dr.. “Si non e vero…”.
Recentemente o seu grupo esteve em dificuldades e podia ter aceite um investidor externo mas Balsemão foi intransigente e quiz manter o grupo familiar. Nada teria a criticar se não visse agora o grupo miseravelmente encostado ao poder socialista que considero pior do que o pior dos investidores externos.
A “estória” da Casa Pia também merecia comentário mas não quero exagerar.
Claro que, como toda a gente, também teve os seus momentos. O plano de navegabilidade do Douro, que vinha dos últimos tempos do anterior regime, era sistematicamente esquecido porque nenhum ministro queria assumir a responsabilidade política do que parecia apenas um interesse lúdico. Balsemão, no seu curto governo, impôs a execução do plano. Bem haja por isso.
A verdade não é má língua !
WW
A propósito de verdade: Balsemão licenciou-se com 13 valores.
“Nada teria a criticar se não visse agora o grupo miseravelmente encostado ao poder socialista que considero pior do que o pior dos investidores externos.”
O Grupo Balsemão já há muito está encostado ao Poder Socialista. Desde o fim do Cavaquismo e Guterres.
O Expresso é também o jornal que ano sim ano não nos diz que Portugal deve deixar de existir e passarmos a ser espanhoís…
Gostei particularmente quando o Balsemão começa a desancar em toda gente principalmente na Cristina Ferreira .
É possível que a dor de cotovelo de Balsemão relativamente a Marcelo se deva também ao papel deste in illo tempore na luta por audiências entre SIC e TVI nos famosos domingos à noite.
São contas mais antigas.
passou o 28 de setembro debaixo da cama
na sede do PPD estavam Sá Carneiro e 9 militantes
Poderia esclarecer o que se passou a 28 de Setembro ?
WW
Um sem-nome a espalhar atoardas. Típico “herói” de sofá acusando outros de cobardia.
Um empresário que gera tantos postos de trabalho no nosso país, deverá ser á partida, uma pessoa de mérito, ainda que possa ter alguma falha. É sempre uma “matéria prima” valiosa, e que gera produto fabricado…
Ouvi comentar que se refere á D.Cristina Ferreira, no seu livro – essa referência é que era escusada. Não havia necessidade…
Cá se fazem, cá se pagam…
D. Cristina Ferreira, sim senhor. D ponto, não se vá pensar ‘Cristina Ferreira é de origem monárquica’, calma, sabe-se lá.
Estou à espera de mais uma ‘Cristina Ferreira em biquíni de férias nas Ilhas dos Cágados Encantados’ e vai tudo ver a notícia para ver o corpinho da D. que está num barco e pronto.
E a D. apresentou o barco e a roupinha e está feita a viagem(?). Andamos nisto hás uns anos, ou seja a levarmos com atestados de estupidez. Só lhe falta fazer de coxa e ceguinha a fazer propaganda a canadianas e ao oculista da avenida, e dizer que gosta muito de ‘Cristina Ferreira provou pela primeira vez sardinhas cruas’
E temos que levar com esta tv privada da Cristina, Goucha & tretas.
A D.Cristina Ferreira vindo referenciada no livro do empresário, seja pelo que for; isto vai ajudá-la a vender mais uns óculos e uns vernizes amarelos…
Essa Cristina e o Goucha são decadentes.
Ele é(foi) um piores problemas de Portugal com o jornalismo anti-Ocidente que ajudou a criar.
E um recente exemplo das mentiras , oops! Fake News que vêm daquelas casas:
https://corta-fitas.blogs.sapo.pt
“Ontem, 15 de Setembro, às 20 horas, 11 minutos e alguns segundos, a SIC faz uma peça de quatro minutos sobre o processo disciplinar que a Ordem dos Médicos instaurou a Fernando Nobre (não, a orientação da peça não era a questionar a Ordem dos Médicos sobre a instauração de processos por delito de opinião).
Depois faz outra peça, também com quatro ou cinco minutos, sobre a desinformação promovida pelas negacionistas e a proliferação de informação falsa (agora chamam-se fake news e afins).
E a ironia?
A ironia é que a primeira peça, sobre a instauração de um processo a Fernando Nobre, era totalmente falsa e foi rapidamente desmentida pela Ordem dos Médicos.”
O acima foi escrito por henrique pereira dos santos, em 16.09.21
A pergunta que eu faço é se a SIC estava a “pedir” um processo a Fernando Nobre ou a “avisá-lo”….