
O Túmulo dos Pirilampos
Título original: Hotaru no haka
Realização e argumento: Isao Takahata
Baseado no conto homónimo de Akiyuki Nosaka (1967)
Produção: Estúdios Ghibli
Ano: 1988
Duração: 89 minutos
País: Japão
O Túmulo dos Pirilampos é um dos mais espantosos filmes de animação que já vi – e talvez o único até à data que jamais quererei rever.
Isao Takahata, colega de Hayao Miyazaki nos Estúdios Ghibli, adaptou para animação o conto semi-autobiográfico de Akiyuki Nosaka que decorre durante os últimos meses da Segunda Guerra Mundial. A acção, porém, decorre longe das grandes batalhas navais ou das linhas de combate, mas na região da cidade de Kobe, arrasada durante um bombardeamento dos Aliados. Por entre as ruínas seguimos o adolescente Seita e a sua irmã Setsuko, deixadas à sua sorte quando a mãe sucumbe aos ferimentos causados pelo ataque.
Sabemos desde os primeiros momentos como o filme vai acabar: Takahata mostra-o desde logo. Mas isso não retira nem um pouco da força da história que está a contar, da tragédia daqueles dois irmãos arrancados às suas infâncias por uma guerra que não desejavam ou sequer compreendiam, e a sua odisseia desesperada pela destruição que lhes roubará tudo. A animação colorida e vibrante de Takahata não disfarça o impacto emocional devastador daquela hora e meia. Bem pelo contrário: amplifica-o, torna-o ainda mais comovente e angustiante.
Se O Túmulo dos Pirilampos fosse um filme “convencional”, com actores e imagens reais, seria, com toda a justiça, considerado um dos grandes dramas de guerra do cinema mundial, e não seria menos falado e aclamado do que, por exemplo, A Lista de Schindler. O preconceito contra a animação ter-lhe-á retirado alcance, mas não retirou nem um pouco do seu poder. Takahata mostra como poucos quem são as verdadeiras vítimas daquela guerra, de qualquer guerra: as pessoas comuns, forçadas a sobreviver em desespero, obrigadas a tudo para aguentar mais um dia. E sobretudo as crianças, sempre as crianças. Pela natureza dos seres humanos, será um filme sempre actual: dificílimo de ver, e impossível de se lhe ficar indiferente.




Takahata mostra quem são as verdadeiras vítimas de qualquer guerra: as pessoas comuns, forçadas a sobreviver em desespero, obrigadas a tudo para aguentar mais um dia.
Pois. É por isso que, como o PCP muito bem diz, é urgente restaurar a paz. Ao contrário do que diz, por exemplo, Van der Leyen, para quem o que é preciso é vencer a guerra.
Lavourov. A papaguear Lavrov.
Um filme de animação maior, brutal mas não deixando de ser de grande beleza e sensibilidade, que me deixou completamente de rastos como poucos até agora o fizeram. Ao contrário dos restantes dos Estúdios Ghibli, o enredo é mais directo e, portanto, a moral mais óbvia.
Como o João, vi-o uma única vez; luto há muitos anos com o dilema de o rever. Talvez um dia…
Muito obrigado e melhores cumprimentos.
O filme é lindíssimo, mas devastador. Os Estúdios Ghibli nunca desiludem.
Obrigado pelo comentário. Cumprimentos e bom fim-de-semana.
É exactamente como escreveu: é um belo filme, mas é muito duro.
Há outros muito bons, por exemplo dos Miyazaki (pai e filho, respectivamente): “As Asas do Vento”, “A Colina das Papoilas”
Miyazaki (pai) é absolutamente excepcional. Quanto ao filho, ainda não sei.
Em tempos calhou aos Estúdios Ghibli adaptarem para animação a magnífica trilogia “Earthsea” da Ursula K. Le Guin. Hayao Miyazaki não quis pegar no projecto (consta que mais tarde arrependeu-se um pouco) e passou-o ao filho. Consta que o resultado não foi brilhante.
É uma adaptação muito livre das aventuras de Gavião (não vou escrever o seu verdadeiro nome aqui…). É bonito como desenho animado, mas muito longe do espírito de Ursula Le Guin. Fica muito aquém do livro. “A Colina das Papoilas”, realizado também pelo filho Miyazaki, é muito mais conseguido em minha opinião.
Tenho de ver esse.
Quanto a Terramar, tenho pena de a adaptação não ter sido feita pelo Miyazaki pai; seria certamente qualquer coisa… Tenho para mim que a trilogia Terramar é o segundo texto mais importante e bem conseguido da fantasia literária, praticamente a par de Tolkien.
Não sabia que a tradução portuguesa tinha Sparrowhawk por Gavião. Mas faz muito bem em não dizer o nome verdadeiro dele; quem não sabe, soubesse 🙂
Este filme vi. Chorei como uma perdida. É difícil dissociar os bonecos animados de pessoas de carne e osso.
É absolutamente devastador.
Compreendo bem esse sentimento a que se refere: filmes que gostei muito mas que não me atreveria a rever dada a carga emocional que carregam.
O Túmulo dos Pirilampos foi um filme que escolhi não ver. Isto porque há limites para a infelicidade que devemos infringir a nós próprios. E, depois de ter filhos, fiquei demasiado sensível às histórias que envolvem crianças órfãs. Aliás, fico emocionada só de ser as imagens. Não, obrigada. Passo.
Percebo perfeitamente. E posso até dizer-lhe que o pormenor de as crianças ficarem orfãs está muito longe de ser o mais triste do filme.
Sim, eu sei…😢
Choro tanto pela pequenita como também pela responsabilidade enorme que pesa sobre o irmão mais velho…
Talvez depois de os meus filhos crescerem e antes de ter netos, eu me consiga persuadir a ver…
Como disse, vale muito a pena, mas percebo perfeitamente que possa não querer vê-lo. É mesmo muito duro.