A anedota europeia.


Luís Menezes Leitão,

Se há coisa que a crise na Catalunha está a demonstrar — para quem tinha dúvidas, o que nunca foi o meu caso — é a verdadeira anedota que constitui a União Europeia, absolutamente incapaz de desafiar um Estado grande, enquanto se acirra furiosamente sobre os Estados pequenos. É assim que, enquanto a Hungria é ameaçada com os tribunais europeus só porque fez uma lei sobre ONGs, a repressão de Espanha aos independentistas catalães merece apenas o comentário de que é um assunto do foro judicial. Que cidadãos europeus possam ser punidos em 30 anos de prisão por delito de opinião e que estejam presos sem culpa formada nem possibilidade de caução é algo que não importa nada às instituições europeias. Se estiver em causa um Estado grande, a Carta dos Direitos Fundamentais da União Europeia nem para embrulho serve.

 

Já agora, porque é que a União Europeia não aproveita o bom exemplo espanhol para resolver de vez o problema do Brexit? É muito simples. Acusa-se os actuais governantes ingleses dos crimes de rebelião, sedição e peculato por terem organizado um referendo destinado a separar o Reino Unido da União Europeia, e decreta-se desde já a demissão do governo britânico e a sua prisão preventiva. A seguir, nomeia-se um comissário europeu para gerir o território britânico, avisando-se que, se os apoiantes do Brexit ganharem as novas eleições, estarão sujeitos às mesmas penas de prisão. Um processo altamente eficiente, com a vantagem de que Theresa May nem sequer poderia imitar Puigdemont e fugir para Bruxelas, pois iria imediatamente cair no covil do inimigo.

17 comentários em “A anedota europeia.”

  1. Um delito de opinião? À falta de assunto você inventa e mistura a prima do empreiteiro que fez a obra com a obra prima, ao confundir políticos presos com presos políticos.

  2. “É assim que enquanto a Hungria é ameaçada com os tribunais europeus só porque fez uma lei sobre ONGs”

    Provavelmente relaciona-se com a exigência de rotulagem especifica….a Monsanto lá conseguiu “comprar” os eurocratas.

    Sobre transgénicos isto:

    Cauliflower mosaic virus (CaMV) is a member of the genus Caulimovirus, one of the six genera in the Caulimoviridae family, which are pararetroviruses that infect plants. Pararetroviruses replicate through reverse transcription just like retroviruses, but the viral particles contain DNA instead of RNA.

    Cauliflower mosaic virus possesses a number of mechanisms that allow it to counteract host plant cell defenses. While the pregenomic 35S RNA is responsible for genome replication by reverse transcriptase, it also contains a non-coding 600 base pair leader sequence that serves as an important mRNA for the production of factors involved in viral counter-defense

    Recently, some concerns have been raised about using the CaMV 35S promoter for expression in transgenic plants because sequence overlap exists between this promoter and the coding sequences of P6. Fifty four transgenic events certified for release in the USA contain up to 528 bp of ORF VI (encoding C-terminal domains of P6). As P6 is a multifunctional protein whose full range of functions is unknown, there is some concern that expression of one or more of its domains may have unforeseen consequences in the transgenic organisms. Recent studies have attempted to determine what length of CaMV 35S promoter has the least chance of inadvertently producing P6 domains, while still retaining full promoter activity. As one might expect, using shorter promoter lengths decreases the number of P6 domains included and also decreases the likelihood of unwanted effects

    Sobre a Catalunha e a Europa, isto:

    https://pbs.twimg.com/media/C_JAsYgWAAEPLxL.jpg

      1. Mea culpa! Deveria estar mais atento. Mas Luís, a mim não me engana. Embora concordemos, nesta matéria, o Vlad sabe, que o Luís é perigoso! ! Monárquico ou Nacionalista. Um Tradicionalista. A sua defesa da Liberdade, catalã, é apenas instrumental.

        Muito Perigoso!!!

  3. un fait d’hyver

    die Welt
    Wo steckt Carles Puigdemont?

    Der Exil-Präsident von Katalonien ist in Brüssel abgetaucht. Ab und zu meldet er sich kurz zu Wort oder twittert ein Lebenszeichen – und verschwindet wieder. Was hat er vor? Eine Spurensuche.

    Onde está Carles Puigdemont?

    O presidente do exílio da Catalunha desapareceu em Bruxelas. De vez em quando ele fala brevemente ou tweets um sinal de vida – e desaparece novamente. O que ele está fazendo? Uma busca por traços.

    ‘acta est fabula?
    plaudite!’

  4. delito de opinião!!!??? que eu saiba não foram presos por nenhum delito de opinião apenas pelos seus actos…

    1. Exactamente!
      > «Delito de opinião? Que se saiba ninguém foi acusado por ser favorável à independência. Os membros do governo regional catalão são acusados por organizarem um referendo inconstitucional e por declarem a independência de uma região da Espanha, um Estado unitário segundo a constituição referendada por todos os espanhóis, incluindo os catalães.»

  5. mas isto está bonito…Na Europa, movimentos jacobinos apoiam a destruição do Reino Católico de Espanha…no Libano, o Reino Islâmico da Arabia Saudita ordenou a queda do Governo no Libano ao seu cão Libanês, Hariri of Meca…o Mediterraneo continua a ferro e fogo com a expansão Islamica…o Cristianismo Mediterrânico vive tempos tormentosos…a expansão islamica segue a todo o vapor…

  6. Qual delito de opinião?!!! O meu caro já parece o venezuelano Iglesias. Quem é que está acusado de delito de opinião?!!!

    O Puigdemont lá conseguiu transformar uma questão de interesses pessoais de meia dúzia de paspalhos da catalunha, que arrebanham e apascentam multidões ignorantes, para a frente e para trás ao sabor das cotações bolsistas, num assunto internacional.

    Rajoy é um ignorante, um falhado e outras coisas que os políticos da nossa pátria também são. Isso dá razão intrínseca aos secessionistas?

    O melhor será criar um enclave espanhol na catalunha independente. Para albergar os unionistas.

    E, sim, a culpa deve ser da união europeia.
    É a vantagem da esquerda radical. Quando dispara dispara para todo o lado, qual kalashnikov nas mãos de um afegão ébrio em dia de casamento.

  7. Luís Menezes Leitão,

    Diz um jornalista de um jornal espanhol (Marhuenda, La Razón), que “ser catalán es mi forma de ser español”.
    Este pensamento (que parafraseia de certo modo o de Ortega e Gasset sobre o catalão absorto em si mesmo) expressa um conceito que acredito que muita gente fora de Espanha não pode compreender.

    Achar simpâtica a pretensão catalã é aconchegador, mantém o mundo bem dividido em duas partes, em duas cores e, no caso, em dois povos convenientemente separados. Simples.

    Mas Espanha é um país bem mais complexo que outros, os exemplos seriam óbvios.

    O ódio do espanhol ao catalão é mais uma das suas injustas generalizações. O ódio está a ser sembrado com grande sucesso por todos os que (dentro e fora) olham para Espanha a partir do desconhecimento histórico e a manipulação. De parte a parte, claro.

    Espanha é um projecto difícil. A Catalunha de raça pura, pequenina, eterna víctima que alguns, muitos, querem impingir, é o nacionalismo bafiento que agora, pelos vistos, é a moda das esquerdas…

    Como espanhola, não percebo os que acham demasiado complicado ser-se galego e espanhol, andaluz e espanhol, etc. Foi assim durante 500 anos. Há arrufos, sim. E quê? Não percebo que o supremacismo seja moderno. Não percebo que a falta de solidariedade e de lealdade seja uma virtude. Não percebo que haja espanhóis que não se sintam “mestizos de pura raza”, na feliz expressão de alguém, e orgulhosos de o ser.

    O governo de Rajoy é mau e parolo? Mas nada mais poderá fazer se não cumprir a lei, evidente. E ainda bem.
    A lei é imperfeita, os tribunais não sei quê? Sim, como em toda a parte… Mas são democráticos.

    Delito de opinião (não de acção?), parece-me que no resto de Europa poucos opinaram tanto, e tantos anos, e com tanta liberdade como em Espanha. Acontece, porém, que em Espanha, como em 99,9 % dos países, a secessão de facto, não é legal. E na maioria penso que não se pode levar no ideário partidário, nem sequer pode haver partidos nacionalistas… Espanha não pode levar com lições sobre democracia e liberdade de opinião.

    Tudo isto para dizer que, reconhecendo falhas por todos os lados, o maniqueísmo é errado e injusto. A solução é cooperação leal, não divisão. Se não dá, no fim pois molt bé, pues adiós. A história sempre nos atropela, e isso pode ser bom, mau ou igual.

    Portugal é uma nação, mas de resto…: quando vou a Barcelona, servem-me um cortado intragável igualzinho ao que bebi em Salamanca. Quando vou a Vilar Formoso, entro noutra dimensão caféeira. Isto deve querer dizer qualquer coisa, não?
    Obrigada
    Carmen Formigo

  8. Acontece que, neste particular do secessionismo catalão, já há muito o prezado Luís Menezes Leitão deixou o mais ou menos sólido terreno do “delito de opinião” para se deslocar para as movediças areias do “delírio de opinião”. Ele e os Puigdemnot e Junqueras desta vida.

  9. O Luís devia explicar que a agenda em Bruxelas é transformar a Europa num grande Estado. Porém, um Estado com cabeças bem definidas e apoiadas por um círculo que permita perpetuar o ideal. Para isto é necessário contar também com Espanha.
    Acontece que Espanha não é uma nação, é um país de nações. E o que aí acontece baralha por completo a ordem da agenda. Como tal, e pelo facto da Europa se ter transformado numa frágil coesão precisamente pela sua adesão à globalização sem ordem, apesar de uma agenda ordenada, por quem ordena, é necessário compreender que a Catalunha será sempre, para esta Europa, o bode sacrificial. Vamos ver se conseguem.

    Todavia creio que Portugal está a salvo, pois, como já aqui foi comentado, não se bebe melhor café em parte alguma que o nosso. Estamos a salvo, porque somos especialistas em fazer um excelente blend. É pena que nesta matéria só nos fique o aroma da torra.

  10. O pokemon catalão foi acolher-se num partido de extrema-direita belga!, o Sr.Luis Leitão devia ir ao oculista…

  11. Sucede que a opção do Reino Unido estava prevista no tratado. E, mesmo assim, um acordo positivo para o futuro é uma complicação de proporções difíceis de imaginar.

    A Europa, o Reino Unido, a Espanha e a Catalunha vão passar anos, se não décadas nisto, a tentar reconstruir versões mais complexas do que já existia sobre as ruínas do que foi destruído, para que alguns possam preservar uma identidade que nunca esteve em causa.

    Porque no fundo, mais alá do puro egoísmo, nem uns, nem outros, querem ficar à margem da construção europeia e de tantas coisas que exigem soberania partilhada.

    E nem uns, nem outros, na sua cegueira soberanista foram capazes de deixar de olhar para o umbigo e considerar as necessidades da outra parte. A ninguém passou pela cabeça pergutar-se porque é que deve haver um esforço do outro para oferecer vantagens aos que querem sair. E admiram-se de ser difícil o diálogo.

    O acordo depende de ambos. Se não houver vantagens para ambos, não há um bom acordo. E nesse caso a verdadeira soberania é ficar sozinho. Façam bom proveito.

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