Vestia-se e falava como os mais novos, para não se deixar ultrapassar. Pintava os cabelos, combatia as rugas com tratamentos anti-envelhecimento e a celulite com massagens e banhos de algas. Malhava no ginásio para evitar a acumulação de gordura localizada e um dia perdeu a cabeça e até investiu numa mamoplastia, para continuar a tê-las no sítio. “A idade é a que se tem no espírito”, repetia ao espelho, enquanto aplicava os cremes tonificantes.
Foi jovem até ao dia em que se viu sem emprego e sem dinheiro. Percebeu então que a juventude era uma amante exigente, leviana e cara. Quando se deixaram para sempre primeiro estranhou, mas depois sentiu-se bastante aliviada.

Um final feliz, coisa que tanta falta nos faz.
Também gostei do final.

Apesar de tudo é um final feliz
Tens muita razão: a juventude é uma amante exigente e caríssima. E, pior do que isso, infiel. Não se lhe pode fazer todas as vontades, porque tem uma tendência fatal para criar dependências em quem lhe dá confiança a mais. 🙂
E acaba sempre por nos trair, Ana.
Sempre. É ingrata e volúvel por natureza, acaba sempre por pirar-se à procura de novos amantes. 🙂

Chamemos-lhe então amásia, assim reservamos a palavra amante para quem o merece, palavra de gajo
Tem razão, passante. Preservemos então a palavra “amante” para amores mais fecundos
Parece-me justo. Amante é um assunto muito mais sério e delicado, coisa de tenente francês. 🙂

Ana, como eu gostei de ler esse livro e ver esse filme!
E como a Streep e o Irons envelheceram tão bem, cada vez estão mais melhores…
🙂
Antonieta
Ups, cada vez estão melhor…
😉
Antonieta
Achei que tinha escrito assim de propósito, para reforçar a ideia. Porque estes merecem mesmo a expressão “mais melhores”. 🙂
Também eu, Antonieta. São dois fabulosos actores e têm melhorado com o tempo, é verdade. 🙂
E a Diva até que abordou este tema num filme, a comédia “A Morte Fica-vos Tão Bem / Death Becomes Her”.
Para já não vejo outra forma de abordagem a este assunto tão velho quanto a humanidade que não seja o humor.
É justo mas, justiça seja feita, não é preciso ir tão longe, tb temos o nosso Major Alvega, the One and Only Jaime Eduardo de Cook e Alvega (http://pt.wikipedia.org/wiki/Major_Alvega)

«Quando se deixaram para sempre primeiro estranhou, mas depois sentiu-se bastante aliviada, e muito mais jóvem.»
Pois, só todos aqueles trabalhos tiravam-lhe anos de vida 🙂