A amante


Teresa Ribeiro,

Vestia-se e falava como os mais novos, para não se deixar ultrapassar. Pintava os cabelos, combatia as rugas com tratamentos anti-envelhecimento e a celulite com massagens e banhos de algas. Malhava no ginásio para evitar a acumulação de gordura localizada e um dia perdeu a cabeça e até investiu numa mamoplastia, para continuar a tê-las no sítio. “A idade é a que se tem no espírito”, repetia ao espelho, enquanto aplicava os cremes tonificantes.

Foi jovem até ao dia em que se viu sem emprego e sem dinheiro. Percebeu então que a juventude era uma amante exigente, leviana e cara. Quando se deixaram para sempre primeiro estranhou, mas depois sentiu-se bastante aliviada.

18 comentários em “A amante”

  1. Tens muita razão: a juventude é uma amante exigente e caríssima. E, pior do que isso, infiel. Não se lhe pode fazer todas as vontades, porque tem uma tendência fatal para criar dependências em quem lhe dá confiança a mais. 🙂

        1. Ana, como eu gostei de ler esse livro e ver esse filme!
          E como a Streep e o Irons envelheceram tão bem, cada vez estão mais melhores…
          🙂
          Antonieta

          1. Achei que tinha escrito assim de propósito, para reforçar a ideia. Porque estes merecem mesmo a expressão “mais melhores”. 🙂

          2. E a Diva até que abordou este tema num filme, a comédia “A Morte Fica-vos Tão Bem / Death Becomes Her”.
            Para já não vejo outra forma de abordagem a este assunto tão velho quanto a humanidade que não seja o humor.

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