Zapping. Na RTPN, Joana Amaral Dias fala em três milhões de pessoas (números dos sindicatos) e diz que a greve geral de hoje mostra que há uma “alternativa” às medidas “duríssimas” do Governo. Falta é explicar qual é a alternativa. Mas isso já seria pedir demasiado.
A alternativa
eventhorizon,

Medidas alternativas? Cá vão algumas, apesar de só serem aplicáveis a nível europeu.
1. Uma política keynesiana de despesa pública, de modo a aumentar os rendimentos a procura no mercado interno europeu.
2. Barreiras alfandegárias a produtos extra-comunitários . Estas barreiras seriam úteis mesmo que correspondessem ao proteccionismo estúpido do passado; mas seria preferível que se adoptasse um proteccionismo inteligente, que tivesse em conta as condições laborais e de direitos humanos em que esses bens tivessem sido produzidos.
3. Voltar a pôr o socialismo nos partidos “socialistas” e “sociais-democratas” europeus; enterrar duma vez o cadáver da “Terceira Via”, que já fede.
4. Rever todas as cláusulas dos tratados europeus que favorecem a proliferação de oligarquias e favorecem o sector financeiro em detrimento do sector produtivo. Se não for possível obter o acordo de todos os Estados, devem aqueles cujas economias estão a ser devastadas em consequência destas cláusulas denunciá-las unilateralmente, assumindo declaradamente esta desobediência.
5. No que respeita especificamente a Portugal, guilhotinar (metaforicamente, é claro) a oligarquia corrupta, parasitária e improdutiva que anda há mais de cem anos a travar qualquer veleidade de desenvolvimento económico do país; se isto implicasse a reforma total do PS e do PSD de modo a pôr de parte os dirigentes integrados nesta oligarquia, tanto melhor.
6. Começar a ter vergonha, e deixar de chamar “socialista” a um partido em que milita o Vitalino Canas. Esta medida não teria qualquer efeito material, mas teria um enorme efeito simbólico.
A greve mostrou uma porção de coisas, excepto que há uma alternativa. Mas isto sou eu a pensar mal, perante a douta opinião de quem sabe muito disto.
Ora bem. Essa é a parte mais difícil, fica para quem não é estrela da rádio, tv e cassette pirata.