A Alimentação Escolar


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Quando aos 18 anos tirei a carta de condução herdei o Fiat 600 (DI-51-56) da minha mãe. O carro não tinha cintos de segurança, nem isso era obrigatório pois já algo antigo. Antes eu, como tantos outros, crescera a andar no banco da frente – e lembro-me de um magnífico volante de plástico, com manete de mudanças e ventosa para colar ao tablier, que tive cerca dos meus 8 anos. Pois até isso era costume. Só anos depois de eu conduzir é que começou o controlo do consumo alcoólico aos condutores – e de início apenas se os procurava sensibilizar (e aos polícias) para o assunto. Entretanto perdi alguns amigos no asfalto. E, para ser honesto, tantos de nós estamos aqui apenas porque “ao menino e ao borracho põe Deus a mão por baixo”. Lembro-me bem que todas essas alterações e as campanhas que as acompanharam foram acompanhadas dos exaltados dislates de muitos – clamando contra o Estado totalitário, fascista/comunista, a intrometer-se nas questões da liberdade individual, etc. 

Agora o governo decidiu proibir a venda nas escolas de uma série de produtos alimentares prejudiciais. É consabido que há um crescendo de obesidade infantil/juvenil, principalmente entre os mais pobres. E de imediato, de novo, surge o mesmo tipo de gente aos gritos, defendendo o que julgam ser as tais liberdades individuais. Ora o Estado existe para isto, não para termos um primeiro-ministro corrupto, um ministro de negócios estrangeiros “parolo” conivente com essa corrupção, ou um secretário de estado também conivente com essa roubalheira e que depois vai para presidente da câmara denunciar cidadãos a países estrangeiros. Isso é que são os inaceitáveis ataques às liberdades individuais. Ao contrário, regulamentar algo racionalmente a dieta que se vende nas escolas é o necessário exercício estatal. 

Os pretensos inteligentes dirão que estes meus exemplos, a segurança rodoviária e a alimentação escolar, são diferentes coisas. São, claro, mas não seja por isso: há cerca de uma década o governo regulamentou o nível máximo de sal a incluir na produção panificadora. Instaurou-se o fascismo? O comunismo? Fomos acorrentados a uma hidra dietética?

65 comentários em “A Alimentação Escolar”

  1. Acordo total – e entusiástico aplauso à certeira adjectivação com que os três bípedes são mimoseados…
    JSP

  2. Portugal é um país de badochas!
    A obesidade de hoje de rapazes e raparigas e os problemas de saúde, desta cambada de banhudos/as julgo não ser comparável com a geração de há 30 ou 40 anos atrás. Para não falar dos Mac e das pizzarias que os alimentam ao almoço e ao jantar.

    1. Portugal é um país de badochas!. É uma constatação ou uma exclamação de ‘não pode ser’?
      Lembremo-nos das imagens, p.ex., das eleições nos EUA e vemos uma população de badochas.
      Pudera quem não comer hamburgrs, hot dogs, pizzas não é um verdadeiro americano.

      1. Dá para perceber o quanto tens de badocha incomodado!
        É por causa de gordurentos mamalhudos como tu que o governo toma estas medidas extraordinárias e espero que em breve delibere sobre a obrigatoriedade de tomar banho todos os dias para acabar de vez com cheiro a bedum que anónimos como tu imanam por todos os poros.

        Maria Rita

        1. Maria Rita, deixe que este badocha mamalhudo contribua, sem qualquer acinte: é “emanar” (“imanar” é outra coisa). Insisto, não comento para menosprezar, é solidariedade vinda da “experiência feita”. Pois esse seu erro (tal vários semelhantes que cometo) vem do maldito sotaque lisboeta, que é o meu e presumo o seu.

      2. Anónimos, é consabido que há cada vez mais obesidade (infanto-juvenil), tal como noutros países (o sempre exemplo americano serve como demonstração). Comida rápida (a dita “junk food”), falta de informação, poucos recursos económicos familiares, vida apressada (longas distâncias entre habitação e local de trabalho é um dos factores). E o vício de açúcar e sal.

  3. Estaria tentado a concordar se uma senhora, bastonária da ordem dos nutricionistas, não tivesse levantado a hipótese de estender as proibições a estabelecimentos nas proximidades das escolas. E deixou no ar a questão dos alimentos levados de casa (imaginei uma revista à americana, não por pistolas e navalhas, mas por salames e rissóis).
    Uma sociedade que impõe “boas” normas de alimentação e de exercício físico é aquela em que queremos viver? E para retirar dúvidas, o meu rebento não come nas cafetarias ou máquinas. Prefiro ter a opção de viver pecaminosamente.
    Por outro lado estou curioso para ver a questão da inspecção da qualidade. A empresa que servia o agrupamento da petiza era tão bom que foi corrido a meio do ano (isto depois do envio de fotos para um jornal de um prato só com batatas e comida com bolor, que antes qualquer denúncia era ignorada, ou tratada com “inspecções” previamente comunicadas à empresa), mas no ano seguinte lá estava novamente a concurso, e venceu.

    1. Anonimus, mas isso são coisas diferentes. Uma coisa é o que é permitido vender dentro das escolas outra é o controlo em torno dos espaços escolares – noto que, em princípio, não me choca que seja demarcado uma área de evitamento de máquinas de comercialização de comida industrial direccionados para o público escolar (de facto é disso que se trata). Quanto ao controlo da comida enviada pelas famílias é temática que se resume desta forma: “inadmissível”.

        1. (riso) Vamos ver. Se qualquer bastonária ou seus afins vierem defender a revista aos farnéis lá terei eu que vir chatear os visitantes do DO (e do meu Nenhures) a resmungar contra isso.

  4. É evidente que o Estado tem todo o direito de regulamentar aquilo que se pode vender nas cantinas ou outros serviços das escolas públicas.
    Já quanto às escolas privadas, tenho bastantes dúvidas.

    1. É evidente que o Estado tem todo o direito de regulamentar aquilo que se pode vender nas cantinas ou outros serviços das escolas públicas.

      A mim não me parece nada evidente. O Estado não tem direitos nenhuns. Tem é de servir as pessoas. E as pessoas têm de ter auto-controle sem ser a merda do Estado a escolher a dieta delas. Puta que pariu este gente de merda.

      1. V. sem recorrer a trejeitos de linguagem jurídica: o Estado tem deveres, e prerrogativas para os cumprir. Entre esses o de intervir no conteúdo das actividades comerciais (que faz), de produção alimentar e da sua comercialização (que faz) e das actividades e conteúdos do que se passa nas escolas (privadas e públicas), o que também faz. Ou seja, o Estado intervém imensamente na dieta das pessoas (basta notar os subsídios à produção alimentar ou os conteúdos dos alimentos que estão disponibilizados, entre tanta outra coisa). Mais, ao mudar um pouco os constrangimentos aos produtos alimentares pré-preparados disponíveis no interior das escolas para menores – coitados que nem podem beber um bom copo de vinho na escola -, o Estado não está a escolher a dieta deles. Só gente de merda (e de mães de dúbia moralidade) é que pode argumentar nesse sentido.

        1. Acho que é apenas uma questão de princípio. Este tipo de controlo não é necessário — é paternalismo. E é programado. E o resultado é tornar as pessoas menos independentes, menos determinadas e menos resilientes. Uma sociedade civil forte vem das dinâmicas de descoberta que se geram lá dentro, nunca vem de um bando de escravos que come o que os deixam comer.

          1. V. respondo-lhe com toda a franqueza, isso é um completo disparate. Um completo disparate, que até fica mal botar (e também por isso tanto defendo que se devem identificar os comentários, porque as pessoas totalmente identificadas têm, pelo menos algumas, algo pejo em botar coisas extremadas. Raisparta, a produção alimentar, desde a indução dos produtos à sua composição, bem como a sua comercialização, interna e externa (import-export) (e, até, em alguns casos, à sua publicitação) está imensamente regulada pelo Estado. E ainda bem, em termos gerais. E do que se trata aqui é vedar que se vendam produtos de merda aos putos das escolas no interior destas. Nem é um controlo sobre as dietas familiares (é aliás o controlo das dietas exo-familiares sub tutela estatal, coisa que foi sendo estipulada ao lado de décadas, na luta pelo controlo sanitário e qualitativo das cantinas escolares. Ou, quantas vezes, pela atribuição de suplementos alimentares [leite, acima de tudo] às crianças em sítios muito “desfavorecidos” como se diz agora]. E é muito menos uma escravização. Insisto, esses seu tipo de argumentação (que outros partilham) é desvairado. Não é mais nada do que isso.

          2. Pois parece, mas as questões de princípio parecem sempre desvairadas diante das casuísticas que se desviam deles.

            Disseram o mesmo quando chamei atenção para o facto de que exigir um certificado para uma circunstância particular — oh que exagero, é só uma circunstância particular que não se vai repetir — ia levar a máquina e os estúpidos que lubrificam a máquina a exigir que passasse a ser necessário um certificado até para entrar num supermercado vazio. Em França já está. E por cá copia-se o que se faz em França. E este precedente, esta intromissão do Estado em domínios particulares e no espaço público (do qual não é dono) vai ficar para tudo, porque os Lavouras deste mundo estão sempre prontos a defendê-las. E vai servir para outras doenças porque a mania das doenças veio para ficar — já andavam a preparar isso há muito nos telejornais logo de manhã com entrevistas imbecis a médicos e a gente da comida saudável. Da mesma forma, o controle das comidas vai passar para os cafés, e vai ser obrigatório ter comida para árabes e monhés inclusivamente. Porque a questão não é as comidas serem saudáveis ou não (e até dar jeito), a questão é o exercício do controlo que se banaliza — é o princípio que foi quebrado — e é repetido pelos medíocres como um progresso e pelos imbecis como ideologia e política.

            As pessoas vão aceitando tudo e não vêem dois passos à frente. Isso é que é lamentável. Enfim, é a velha tragédia dos países católicos não terem ética individual e a razão maior do seu atraso. A velha carneirada.

          3. “porque a mania das doenças veio para ficar “.
            Exactamente.
            Um número considerável de conhecidos meus (e conheço bastante gente por força da vida que levei e levo) tornou-se “de repente” hipocondríaco em maior ou menor grau, o ambiente geral criado agora despertou neles a ideia de que se pode ter doenças e eventualmente morrer, algo que aparentemente lhes andava a passar ao lado ,,,

          4. Anónimo, de modo mais ou menos jocoso, tem razão. Ano e meio subordinados aos constrangimentos de uma pandemia e a um incessante fluxo noticioso sobre doença e mortes é normal que as pessoas se acabrunhem e se percebam … mortais

          5. não contesto que V., V, possa ser ou ter sido profético em outras situações. Pura e simplesmente neste caso está a ver mal.

          6. Não será o jpt que neste caso está a ver mal?
            Já viu que diariamente somos obrigados a ouvir uma narrativa que não corresponde à realidade?
            Veja por exemplo o caso do pseudo levantamento da proibição do uso de máscara ao ar livre em 12 de Setembro. Será que alguma vez foi obrigatório?
            O que é que se pode chamar a isto senão manipulação, para poder controlar as massas pelo medo?
            Não é com proibições e obrigações que se educam as crianças, é pelo exemplo.
            Isto não é sério é fundamentalismo puro.
            O que engorda as crianças não é a comida é o sedentarismo, é a falta de ginástica escolar.
            Vou a caminho dos 70 e lembro-me bem das aulas de ginástica às 8 da manhã, dos ovos mexidos com açúcar, das carcaças com açúcar amarelo, dos pirolitos com açúcar derretido que a minha mãe fazia e outras coisas que fariam agora os sanitários deitar mãos à cabeça.
            Como diz o V é tudo uma questão de princípio. E a pouco e pouco, se não estivermos atentos, pode crer que para viver em liberdade vai precisar dum certificado.

          7. 1. É evidente que posso ser eu que estou a ver mal. Essa é sempre uma possibilidade. Às vezes estou mais certo disso, outras mais suspeitoso. Outros descrente. Desta vez estou muito descrente.
            2. Não ouvi essa da “máscara (afinal) mas acredito. Desde Março de 2020 que tenho botado (até em texto muito longo) sobre os processos erráticos de comunicação sobre o Covid, que conduzem a um excesso de controlo (e de angústia), tantas vezes ineficaz porque ineficiente. E também, aqui, alguns dos co-bloguistas o têm feito. Mas estamos a discutir processos e questões diferentes. E ainda que se possa referir uma mundivisão estatal (funcionária) que funciona em diversos campos de acção administrativa, são mesmo diversos. Até porque, como já repeti nesta caixa de comentários, o controlo estatal sobre a produção alimentar e sua comercialização, bem como sobre o seu comércio (e até consumo) nas instituições escolares, não é uma novidade e não temos a sensação nem a realidade de vivermos espartilhados por uma dieta estatal que nos ofenda a autonomia alimentar. Ou seja, as preocupações neste caso – mais patanisca, menos queque – parecem-me francamente excessivas e algo exasperadas, nisso refractando mal-estar com os poderes que, por legítimo que seja, advém de outros problemas.
            3. Tem toda a razão – e, tal como em todos os Jogos Olímpicos, a nossa Patrícia Mamona acabou de o salientar – quando critica a insuficiência estatal na educação física. Mas essa constatação, a da necessidde de incrementar o desporto escolar (e associativo juvenil), não é avessa a uma atenção sobre a alimentação infanto-juvenil. Bem pelo contrário.
            4. Como disse acima, respondendo ao comentador balio, não me vou repetir até à exaustão. Mas ainda assim insisto: quando V. convoca as suas memórias dos alimentos que a sua mãe lhe preparava (memórias que nós partilhamos, cada um com os seus saudosos deleites), é isso mesmo que é o argumento que invalida toda esta excitação: uma coisa é controlar os produtos alimentares vendidos nas escolas, geridas por tutela estatal (ou por concessão, por assim dizer). É o espaço público, a ser balizado por ditames nutriocionistas segundo princípios ligados à saúde pública. É só disso que se trata. Outra coisa completamente diferente é o que as famílias propiciam aos seus petizes. E aí o EStado pode (deve, até) informar (e intervir em caso de famílias incapazes de alimentar a prole). Mas não deve controlar. É só isto, e tudo isto que avanço tem – logicamente – que reduzir os protestos demasiado acalorados que uma medida que é virtuosa tem levantado.

  5. Lá estamos nós a confundir a estrada da Beira com a beira da estrada.
    Que se proíba o tabaco em recintos fechados, tudo bem porque prejudica terceiros.
    Que se obrigue o cinto de segurança, tudo bem porque prejudica terceiros.
    Estamos a falar de proibições e obrigações em adultos.
    Em crianças a responsabilidade da alimentação cabe aos pais e não ao governo. Porque o facto de ser proibido ou obrigatório nas escolas públicas não implica que não possam ter acesso a coisas piores nas imediações. A não ser que comecem a aplicar multas aos putos por estar a comer um pastel de nata ou um rissol.
    Desde que vi um idoso a apanhar uma multa por estar a comer uma sandes, já não fico admirado com nada. Só me causa apreensão é haver pessoas que em pleno regime democrático continuem a apoiar este tipo de obrigações e proibições.

    1. Em crianças a responsabilidade da alimentação cabe aos pais e não ao governo.

      (1) Isto não é bem assim. As crianças não são propriedade dos pais. Os pais têm a responsabilidade de as alimentar, mas têm também a obrigação de as alimentar bem.

      (2) O governo não proibiu as crianças de se alimentarem como os pais quiserem. O governo apenas proibiu que nas escolas públicas, que são propriedade dele, governo, se vendessem certos produtos. Todo e qualquer proprietário tem o direito de proibir que na sua propriedade se vendam certos produtos, e ninguém tem nada que se queixar.

      1. Ninguém disse que as crianças eram propriedade dos pais. Mas se o governo reconhece a responsabilidade dos pais na vacinação das crianças, também tem de reconhecer a responsabilidade dos pais na sua alimentação. Não é o governo que me vai obrigar ou proibir de dar certos alimentos aos meus filhos.
        Eu não consigo compreender como é que se pode aceitar esta tentativa de estupidificação de massas. Será que as pessoas agora, vacinadas ou não, perderam alguma capacidade intelectual que eu não tivesse dado conta?
        Já nos obrigam a respirar por um trapo, já fazem assédio moral para tomar uma vacina que é facultativa, querem controlar a comida dos putos.
        Não será melhor aproveitar esta onda covidal e obrigar os putos a fazer também uma análise às fezes para identificar aqueles que estavam infectados com pizza?
        Ó balio, por favor…se você gosta que decidam por si, tudo bem. Agora que não é normal, não é. É simplesmente ridículo.

      2. O governo apenas proibiu que nas escolas públicas, que são propriedade dele, governo, se vendessem certos produtos.

        Ai as escolas públicas agora são propriedade do Governo. Isto está bonito, está. Que mentalidade.

      3. Terei lido bem? As escolas públicas “são propriedade do governo”?
        Nem no tempo do Salazar havia gente a debitar dislates destes.
        Caramba, isto anda pior do que eu pensava. O Costa nem precisa de assobiar para eles darem a pata.

        1. balio, o nosso honorável comentador, sempre tão meticuloso com os termos, assumiu-se aqui fiel da nossa comissária Elisa Ferreira, no seu afamado “Esqueceram-se de vos dizer que o dinheiro é do Estado, é do PS”. O Estado é propriedade do governo, e por arrasto do partido que o domina.

        2. Sim, você leu bem, eu é que escrevi mal e descuidadamente. As escolas públicas são propriedade do Estado (acho que foi assim que escrevi noutro comentário). Como tudo que é propriedade do Estado, o Governo é o responsável pela sua gestão.

          Peço desculpa pela forma rápida e descuidada de escrever.

          1. Obrigado pelo seu esclarecimento. Como sabe, balio, de si esperamos sempre o mais extremado cuidado na formulação das suas críticas.

          2. A questão é que sendo criado e gerido pelo Estado (neste caso pelo Poder Local) não se trata de propriedade. E existem conselhos escolares (teoricamente plurais, mas estão controlados pelos sindicalistas e os professores avençados do regime) para decidir estas coisas. E ser o Governo (um pançudo gordurento) a decidir coisas, a impôr coisas ao Poder Local e aos próprios conselhos directivos das escolas por input de Bruxelas, não só é mau como é péssimo.

            O Estado é, não tem

    2. ‘…um idoso a apanhar uma multa por estar a comer uma sandes,….’
      Essa é melhor ou pior que a do miúdo ser castigado por estar a mexer na areia da praia.

      1. foi um pateta de um polícia, inspirado pela histeria deste covidoceno, que veio multar um tipo que comia uma sandes na rua durante o confinamento.

    3. Carlos Sousa se estou correcto o caso da multa sobre quem comia uma sandes é coisa completamente diferente. Uma inadmissível violação (e coisa psicótica, socialmente psicótica, induzida pela péssima gestão comunicacional-política desta pandemia). Portanto misturar os casos é apenas desconversar.
      Quanto à sua argumentação inicial tudo incorrecto (já havia respondido no postal, mas enfim…). Por exemplo, passou a ser obrigatório que os menores (menos de 12? ou por peso, se não estou enganado) viajassem no banco traseiro, etc. Mas isso nem sequer é o relevante.

      Finalmente, o relevante é isto: se o Estado viesse proibir-nos de comer e de alimentar os nossos menores com pizzas ou rissóis (como V. deixa entender) seria um caso. Mas é evidente que não é disso que se trata – e nem sequer se trata de uma medida nova, uma “revolução”, apenas de um alargar intelectualmente pacífico do que já acontece, e felizmente. E evocar isso é apenas uma desconversa, um finca-pé descabido.

      1. jpt a relação do estado com o cidadão não é, nem pode ser uma relação paternalista. A função do estado é apenas gerir a coisa pública e não gerir comportamentos.
        Quando se entra no campo das obrigações e proibições, o que separa um país livre dum país totalitário são precisamente as violações.
        Os produtos que estão a querer proibir, são produtos que são vendidos muito mais baratos nas escolas do que nas imediações. Não vai melhorar em nada a alimentação dos putos, vai apenas obrigá-los a comer pior e pagar mais caro.
        E aquilo que para si é um alargar intelectualmente pacifico, para mim é uma desautorização e intromissão na minha responsabilidade parental.

        1. Grosso modo já lhe respondi acima, em resposta a comentário de V. Mas aduzo: nas escolas não se pode vender bebidas alcoólicas. No seguimento da sua douta exaltação isso está a violar-lhe a responsabilidade parental. Há (e há imenso tempo) uma proibição de venda de bebidas alcoólicas a menores (que é muito violada, a gente sabe, mas essa não é a questão). Segundo a sua douta exaltação isso assalta a sua responsabilidade. Lamento, mas V. e os outros comentadores que surgem aqui (e alhures) com dores contestatárias com esta pequena medida são completamente impertinentes. Não têm ponta por onde se vos pegue…

          Ninguém o proíbirá, nem a mim, de dar uma pizza ou outra tralha qualquer aos seus filhos e netos, em casa, no restaurante, no piquenique, etc. Que desvairadas gentes.

  6. “Ora o Estado existe para isto, não para termos um primeiro-ministro corrupto, um ministro de negócios estrangeiros “parolo” conivente com essa corrupção, ou um secretário de estado também conivente com essa roubalheira e que depois vai para presidente da câmara denunciar cidadãos a países estrangeiros.”
    Essa é que é essa! Tristemente, neste país, metade são avestruzes com a cabeça enfiada na areia e a outra metade ovelhas mansas.
    …e ganhando o benfica, cegam de vez.
    Quanto aos obesos em idade escolar que invadem os supermercados à hora de almoço para se empanturrarem com pizzas congeladas, litros de refrigerantes manhosos e gigantes pacotes de batatas fritas e bolachas de chocolate que levam debaixo do braço pela rua fora, há primeiro que ensinar os seus boçais progenitores a tirar o palito do canto da boca e a deixarem de cuspir para o chão.
    Levará décadas a resolver, se se resolver. Continuo a pensar que é genético. Como povo, nunca faremos nada por nós nem deixaremos que alguém o faça.
    …e a bazuca que já vai rota.

    1. ‘Levará décadas a resolver, se se resolver.’
      Isso mesmo, deixando de haver avestruzes, ovelhas mansas e o perdendo o benfica temos o problema resolvido, não é com a proibição da venda desses produtos nos supermercados que isso é contra a livre escolha de toda a gente

      1. Pedro Nogueira e Anónimo, eu distingo muito as coisas: uma coisa é vedar a comercialização de tralha alimentar nas escolas. Outra, aparentada, e que não me choca, é demarcar pequenas zonas circunvizinhas das escolas, nas quais não possam ser instaladas máquinas de venda dessa tralha ou mesmo a sua comercialização avulsa.Outra coisa é proibir a venda das tralhas alimentares ou outras no comércio geral. Isso não.

  7. o governo decidiu proibir a venda nas escolas

    Somente nas escolas públicas: veja-se por exemplo

    https://www.dnoticias.pt/2021/8/17/273365-governo-proibe-sandes-de-enchidos-hamburgueres-pizzas-e-refrigerantes-nos-bares-das-escolas/

    Naturalmente, sendo as escolas públicas propriedade do Estado, o governo tem 100% o direito de proibir a venda nelas de seja o que fôr. Ninguém tem nada que protestar. Quem não gostar, que coloque o seu filho numa escola privada.

    1. O Tribunal Constitucional tem que apreciar se não há discriminação. Se é obrigatório um prato vegetariano, também devia ser obrigatório um prato paleo. Direitos iguais.

    2. balio, a escola pública é estatal. Ou seja, é nossa propriedade e não do “Estado”. Em suma, temos todo o direito, e até a obrigação, de discutir e protestar com o que lá se passa. Pois somos nós que temos a tutela sobre o Estado e não vice-versa. Lamentavelmente muitos se deixam ir e acabam a pensar (E aceitar) como V. aqui deixa.

      1. O balio vê o Estado como o ps vê: pertence-lhe, o resto é clientela.
        Volto a dizer, de nada vale legislar quando actualmente não se fiscaliza ou cumpre. É pesquisar, isto quem não tiver filhos em idade escolar. Péssima comida, pessoal não qualificado, transporte de comida em condições duvidosas. Andar a medir calorias está a anos-luz. Ou então o desempenho da ICA na zona é uma excepção e somos uns azarados.

        1. Anonimus, como digo no postal, o atentado às liberdades individuais é termos as pessoas no poder (e, entenda-se, na administração pública) que temos, seguindo as práticas que seguem. Não é impedir os petizes que se atafulhem de porcaria nos intervalos da escola.

  8. “há cerca de uma década o governo regulamentou o nível máximo de sal a incluir na produção panificadora. Instaurou-se o fascismo? O comunismo? Fomos acorrentados a uma hidra dietética?” Não, meu caro homónimo, como comer o pão a seco ficou execrável (há excepções, mas não divulgo) passámos a comê-lo com coisas bem salgadinhas, como manteiga, queijos, enchidos, patés e molhos de vária ordem.

    1. caro maiúsculo, num registo jocoso tudo bem. Falando sério? a) não temos estudos que mostrem que haja uma alteração dos hábitos de consumo de pão, correlacionado com a (saudável) redução dos limites de sal na sua composição; b) e é este o cerne: face a um controlo estatal dos componentes do pão, que não lhe piora a qualidade intrínseca, em função da saúde pública [e que é pacífico para a sociedade], somos livres no nosso espaço (pessoal, familiar, de sociabilidade) de acompanhar esse pão como quisermos e pudermos (pondo-lhe sal fino, por exemplo, ou um belo chourição ou quejandos). E é isso que são as liberdades individuais convivendo com a intervenção estatal. Claro que V. percebe isso mas há muita gente que segue algo desvairada nesta mania de demonizar tudo o que lhe parece intervenção estatal. Mas depois, sabe-se lá porquê, param nos semáforos aquando vermelhos.

  9. jpt,
    Por partes:
    a) Conheço muito bem a realidade. Não me oponho mas, por outro lado, sou contra a imposição do que se quer ou do que apetece.
    b) Se um aluno quiser um croissant e um copo de leite ou um bolo e um sumo porque há-de só ter à disposição uma sandes de alface, queijo magro ou fiambrino?
    c) A maioria das vezes, os bares escolares são usados nos intervalos. quando se têm dezenas de alunos a recorrerem a eles, a logística terá que ser muito funcional para poder satisfazer a grande maioria de pedidos.
    d) Quanto ao espaço exterior à escola, o Estado não pode impôr medidas a espaços públicos, independentemente de estarem a 10 ou 500 metros do edifício escolar.
    e) Se o problema é o dos alunos se deslocarem ao exterior para comer “alimentos não indicados”, a solução passa por não disponibilizar dinheiro aos filhos. Sempre se disse “quem não tem dinheiro não tem vícios”.
    f) As cantinas escolares seguem todas as indicações dos nutricionista, incluindo refeições vegetarianas, para que se saiba.
    g) O Estado pode e deve regulamentar. Não pode ou não deve impor o que cada um deve ou não fazer.
    h) A maioria dos alunos (os mais pequenos) traz de casa, pelo que a verificação é feita pelos pais.

    João Moreira

    1. h) é o fundamental. Se o Estado quisesse intervir nisso “outro galo cantaria”. Não é nada disso que se trata,como ambos sabemos mas parece que há muita gente que não quer perceber isso.
      a) e g) mas não é isso que se trata, não se trata de uma imposição. Apenas regulamentar o que se pode comprar nas escolas, não se impõe o que “se pode fazer”.
      c) será, mas já o é agora.
      b) não sou nutricionista. O que me parece é que se quer melhorar a qualidade da alimentação disponibilizada pelas escolas. Temos um problema com isso? Francamente…
      Saudações

      1. a) e g) A realidade das escola/agrupamentos é a de que os directores seguem as indicações superiores. É necessário “fazer” porque há apoios a receber e preferem não levantar obstáculos.
        b) Também não e sou cuidadoso com o que como (muito mesmo).
        c) A tendência será a de diminuir a frequência. Muitos dos produtos autorizados são de consumo diário, pelo que quase terão de ser preparados e disponibilizados com agendamento.
        Os alunos de maior idade, poucos frequentam os refeitórios. Preferem sair e ir comprar e comer a outro lado. Claro que não se dirigem ao restaurante/snack-bar, mais ou menos próximos. Além disso, escolhendo bem ou mal, em termos nutricionais, preferem outros locais, à oferta da cantina.

        1. a) sim, mas isso é o normal funcionamento da administração pública. Certo, é desejável que haja uma cultura de relativa autonomia, de elasticidade, mas enquadrada por ditames condutores. Ou seja, passamos a debater (o que é louvável) não medidas avulsas de saúde pública relativas à dieta escolar mas sim “cultura do funcionalismo” e funcionamento do Estado. E essas sim são questões fundamentais – que se articulam, claro, com estas medidas mas a estas tornam muito secundárias.
          c) sim, mas é o que tenho insistido: as crianças na escola terão uma dieta regulamentada (nos produtos disponibilizados), outros mais velhos serão mais conduzidos (por autonomia) pelas suas famílias (por autorizações, implícitas e/ou explícitas, por disponibilades financeiras).

  10. Uma coisa é certa: será sempre mais fácil para o governo tomar medidas destas do que valorizar e impulsionar o desporto escolar (como acertadamente um post aqui no DO advogava por ocasião do encerramento dos Jogos Olímpicos).

  11. Eu até ia mais longe: era enfiar em cada escola um nutricionista.
    O país está a precisar tanto de funcionários públicos…

    1. O país está a precisar de melhor Estado. Mas também está a precisar de melhor alimentação infanto-juvenil. E de melhor Escola.

  12. Eu sou do tempo em que tinha de levar uma chávena de plástico para tomar o leite fervido em panelões pela empregada da escola à hora do recreio. Era o que havia. E já foi um grande passo. Mas daí até aos nossos dias, em que a escola tratou de assumir quase por inteiro a responsabilidade de alimentação das crianças, a ponto de ter abertas as cantinas durante os períodos de férias para os meninos não morrerem de fome… Cada vez mais os filhos são do Estado.

    1. Os filhos não são do Estado. O Estado tem responsabilidades (a escolaridade obrigatória, por exemplo) que são benéficas. E os seus conteúdos são discutidos pelas Famílias. A questão não é haver rissóis na cantina…

    1. Por mera questão de higiene eu não faço finezas a negacionistas adeptos do PS. Se você tem a indecência de ainda duvidar dessa corrupção leia a documentação [https://eco.sapo.pt/2021/04/09/estas-sao-as-6-728-paginas-da-decisao-instrutoria-da-operacao-marques/]. Ou, caso lhe falte tempo para tamanha leitura, procure um resumo que aluda ao “mercadejar” realizado com o apoio de militantes e adeptos, bem como da mole circundante que se mantém no poder.

  13. Belas notícias para os vendedores de gelados e bolas de berlim nas praias: a partir de agora vão ter emprego a tempo pleno. Na época baixa podem dedicar-se doravante ao tráfico de rissois e alheiras junto dos gradeamentos das escolas. Os putos dão lá um salto para ir buscar o charro do dia e, aproveitando, levam também um pão com chouriço.
    À atenção dos nossos irmãos brazucas, especialistas nas comidinhas de rua: a mina do ouro abriu!

    1. Ou seja, um governo que é excessivamente estatista (veja-se o culto da “companhia de bandeira” ou os resultados do Concílio da Bazuca) tem pelo menos esta medida de apoio à iniciativa privada, ao empreendedorismo individual. E, também, de inclusão das “minorias” “étnicas” aqui imigradas. Saúde-se este passo…

      1. Já se devia saber qual o resultado duma Lei Seca.
        Não é por acaso que a venda de máquinas de pão caseiras tem crescido exponencialmente…

  14. Já a alguns anos atrás houve o mesmo cuidado. Mudando os governos e as politicas e o faz e desfaz por gosto ou por conveniência estas regulamentações de tempos a tempos passam a desregulamentações…é pena.

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