A agenda está carregada


joaomsandre,

Marcelo anunciou que convocou um Conselho de Estado para quarta-feira para decidir se convoca um Estado de Emergência. Para daqui a 3 dias. Sobre uma emergência nacional. Certamente que isto foi porque é uma emergência, se fosse assim apenas, sei lá, urgentezito, talvez o convocasse para depois das férias… do Verão… que ainda tem que ir lavar a louça e ler uns 145 livros antes de se deitar e amanhã tem que passar a ferro. É pá, o pessoal tem coisas pra fazer, né? Não pode ser assim do pé pá mão.

Hipotético diálogo em 1384:

– Ó sô presidente, os castelhanos invadiram Portugal!
– Ó pá, isso não pode ser. Mandem selar o meu cavalo que tenho que ir aos paços convocar as cortes e decidir sobre o estado de emergência. Mas esperem, primeiro tenho que lavar aqui esta tina de mantos e capas e tenho de ir ali à biblioteca do mosteiro ler uns manuscritos. E vistas bem as coisas os nobres e o povo têm mais que fazer, né?, não os vamos chatear. Mandem antes uns correios para descobrir quando têm uns tempinhos para falar.
-…
(Nuno Álvares Pereira) – já os despachei de volta.

21 comentários em “A agenda está carregada”

  1. Sem querer ir contra a corrente, mas como não tenho a certeza se aqueles lugarzitos nos semáforos de Frankfurt (BCE) e Nova Iorque (FMI) ainda estarão vagos para o pedinte do costume, lembro que o IRS (reembolso) começa no dia 1 de Abril.

    Smoreira

  2. Já ninguém fala da Greta, do aquecimento global, do pan e das touradas. A Joacine desapareceu. O Ventura eclipsou-se. Nem Marquês, Vistos Gold, vouchers e mala ciao, Alcochete.

    1. Nem no papel de parede do Camané. É um escândalo. O anonimus deveria ser o novo editor de todos os meios de comunicação social. Tem as prioridades que o povo precisa.

      1. Desconheço tal questão.
        Mas os outros pontos não deixaram de existir e têm a sua importância. Reservar uns minutos era de bem. Ou então era tudo conversa para entreter, afinal não eram assim tão relevantes.

        E o Centeno? Tão interventivo que era.

  3. Certo, é ridículo. Mas vai-se invocar estado de emergência para quê exactamente?

    Passámos de um extremo onde nem sequer o sinal de fechar as escolas queríamos dar (que antes de mais é um sinal: fiquem em casa, cuidem dos vossos) para, num fim de semana em que não aconteceu nada de novo (a doença segue o seu percurso expectável, a partir do momento em que se reconhece que estamos na fase exponencial da coisa), dizermos que um supermercado pequeno só pode atender 8 pessoas de cada vez.

    É o quê, estão à espera que isto sejam 4 semanas e passa? Não, isto vai durar mais. O próprio governo anda a falar em ter o pico perto de maio. Ou que se vejam resultados em 2 dias?

    Eu sei que a doença se propaga, mas se os supers cumprirem isso vai haver mais gente a passar mal por falta de comida (etc) e pelas zaragatas na fila que qualquer vírus. Porque hoje pode estar tudo ordeiro, mas quando já não houver comida a semana em casa, e as pessoas passarem o dia sem conseguir entrar, não vai estar.

  4. O Estado de Emergência vai servir para fechar as fronteiras a tudo menos a mercadorias, encerrar tudo o que não for mercados e farmácias, decretar o recolher obrigatório para tentar domar a curva exponencial do número de infectados e desviar dinheiro do OE ou excedentes para comprar pelo menos 50 mil ventiladores à China rapidamente.

    Tudo o que for menos do que isto é insuficiente para o que vem aí.

    1. É por isso que é inaceitável o modo como esta crise tem sido “gerida”. Não temos governo, há apenas uns idiotas a ocupar uns lugares. Quarta-feira haverá cerca de 600 casos. Isto não é Pedrógão, e sim, tenho bem noção do que escrevi.

    2. Para fazer isso não é preciso conselho de estado nem estado de emergência, só num regime caduco como o nosso é que é necessário.
      Como o comentador Nuno disse bem em cima, até agora está tudo mais ou menos, quando começar a faltar a net, os telefones, a luz, a água, o combustível e depois a comida, eu quero ver. Venderam-nos a UE (vários países da UE) estão bem pior que nós e agora amanhem-se. Não temos nada nosso, não produzimos sequer metade daquilo que consumimos e nem as forças armadas têm capacidade de fechar as fronteiras por mais do que 15 dias.

      Fraco Rei faz fraca a Forte gente

      WW

    3. Resta saber se quem presta os serviços essenciais está disposto ficar fora da quarentena, Os médicos já começam a dar sinal de que querem ir para casa, a seguir vão os caixas de supermercado, depois os motoristas de mercadorias e os polícias.

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