A agência nacional para a emigração


Luís Menezes Leitão,

 

Esta história do convite à emigração fez surgir uma competição entre os políticos para ver qual deles diz mais disparates. Mas neste momento quem ganha o prémio é seguramente Paulo Rangel com a sua proposta de criação de uma agência nacional para a emigração. Neste país infelizmente tudo serve de pretexto para criar novas instituições absolutamente inúteis, que só servem para aumentar a despesa pública. Há dificuldades de controlo das finanças públicas? Cria-se um Conselho para as Finanças Públicas. Celebrou-se um memorando com a troika? É obviamente necessário criar uma estrutura para acompanhamento do memorando. O Primeiro-Ministro apelou à emigração? Óptimo pretexto para se criar desde já uma agência para facilitar a emigração.

 

Estou mesmo a imaginar como irá funcionar esta agência. Paulo Rangel, com a sua experiência de emigrante no Parlamento Europeu, é a pessoa ideal para assumir as funções de Presidente. Depois é necessário arranjar instalações condignas no centro de Lisboa. A seguir será preciso contratar cem funcionários em ordem a que a agência possa atender a todos os pedidos dos que querem emigrar. Como essa estimativa deve provavelmente ser insuficiente, o número deverá ser rapidamente elevado para mil, com delegações em todo o território, pois a emigração pode fazer-se por qualquer fronteira. Se se verificar que os portugueses emigram sem darem cavaco à agência, é necessário contratar uma agência de publicidade para a tornar conhecida. Há vários slogans que essa agência de publicidade poderá criar, tais como: “Antes de deixar a nossa nação, visite a agência para a emigração” ou “não dê o salto para Argel sem falar com o Rangel”.

 

Com este potencial de crescimento, a agência será mais um sorvedouro de dinheiros públicos, só contribuindo para aumentar o défice e provavelmente os portugueses continuarão a emigrar sem lhe ligar nenhuma. Mas ninguém depois se atreverá a extingui-la. Afinal de contas foram criados mil postos de trabalho na função pública que não se podem extinguir. E a agência até é capaz de fazer um balanço muito positivo, referindo o enorme sucesso que constituiu a sua criação: afinal houve mil portugueses que deixaram de emigrar. 

6 comentários em “A agência nacional para a emigração”

  1. Em vez de criarem uma Agência Nova, podiam instalar um género de catapulta no Terreiro do Paço.
    Com a emigração a tornar-se num novo desígnio nacional, quem quisesse atirava-se literalmente na direcção do destino…

  2. Até que enfim alguém à direita começa a ver o absurdo desta campanha pela emigração. Eu ia fazer um post neste sentido, mas com este não faz sentido eu escrever uma linha sobre o assunto: o Luís já o fez melhor do que eu o conseguiria.

    Um outro ponto surge antes em relação a parte das declarações de Rangel:

    «Isto não se aplica a “profissionais que já estão na casa dos 40 anos, que já têm as suas famílias formadas, que têm filhos em idade escolar”, ressalvou, insistindo que não se deve “diabolizar a emigração, especialmente de quadros qualificados, como uma saída provisória, como uma má saída, mas uma saída para a crise”.»

    Ou seja, para Rangel quem deve emigrar são os profissionais qualificados, de preferência jovens. Acreditando que está de boa fé, Rangel deve pensar que os jovens são todos como os jotinhas que farão estágio nos gabinetes de eurodeputados portugueses e a seguir voltam ao país para uma qualquer empresa apadrinhados pelos seus chefes de Bruxelas.

    Espero que o governo, um dia destes, comece a compreender que esta geração de jovens qualificados que parte não irá voltar (na sua maioria), não enviará grandes remessas nem se preocupará muito com os laços com um país que os desprezou. É uma geração perdida. Dentro de cem anos o país terá uns 8 milhões de habitantes, se tivermos sorte. Talvez seja essa a intenção…

  3. Que família é esta que expulsa os seus ” filhos ” de casa ?

    Que ” pais ” são estes que escolhem ficar com os filhos ricos e dão um pontapé no rabo dos filhos pobres?

    É assustador pensar que os nossos políticos nos querem ver pelas costas, para puderem ter mais dinheiro e vidinha melhorada.

    Querem á força fazer-nos desaparecer das estatísticas, é isso?

    O melhor mesmo é falarem com o estripador (agora que já o têm) e ele faz uma ” limpeza “…

    Que se passa neste pais, alguém sabe dizer-me?

  4. Não é preciso criar nenhuma agência, basta ressuscitar a Direcção-Geral da Emigração, criada pelo Dr. Oliveira Salazar, e até poupam dinheiro a todos nós contribuintes, pois não precisam criar mais uma comissão para estudar, o que foi extinto quando do 25 Abril, não será isto que os nossos governantes querem de novo? Imaginem os governantes europeus a incentivar também os seus cidadãos a emigrar. Só mesmo de quem não tem soluções para Portugal, pode fazer uma proposta destas.

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