Gasta que está a palavra ‘excepções’, o governo resolveu adoptar à maneira de Orwell uma outra expressão: ‘adaptações’. As ‘adaptações’ são ‘excepções’ mas dá menos nas vistas dizer ‘adaptações’ e até é mais bonito. Pode ser que o povo engula. Fiquem pois a saber que “no corte salarial aos trabalhadores, uma medida que reduziu os salários entre 3,5% e 10% em 2011 – mas que foi mantida este ano –, também há «adaptações», segundo a expressão utilizada por membros do Governo. Em três empresas, está a ser seguida esta opção. Quem trabalha na CGD, na TAP e_na SATA vai receber o seu ordenado por inteiro este ano, sem os cortes médios de 5% para todos os trabalhadores do Estado que recebem mais de 1.500 euros mensais. Só na TAP e no banco público – os dados da SATA estão indisponíveis – esta alteração agrava a factura anual com os trabalhadores em cerca de 66 milhões de euros. Esta subida terá de ser compensada com cortes equivalentes noutras áreas.” Por mim fazia-se já uma ‘adaptação’ neste governo de ‘excepção’. Quem engana o eleitorado não merece respeito a não ser que seja em Singapura.
A adaptação da excepção
cronicasnofeminino,

1,- Neste espaço já aqui o disse: o corte de salários representa uma quebra de confiança intolerável. Ha os sacrificios a fazer. Há! Assim, pessoal de 1º necessidade (a meu ver única) do Estado (Seguranç, Defesa e Ordem Pública) aumento de horas de serviço público (seja mais 8 horas, p. ex. sábados abertos ao público), pessoal de segunda necessidade (prestações) aumento de horas adequadamente ao interesse concreto (educação diferente de saúde).
2,-Obviamente retirar os subsídios de ferias e natal.
3,-Que necessidade primária serve o funcionário da caixa ou da tap? será preciso verem o que dentro de semanas vamos ver na Grécia? Perceberem que pilotos da tap ou gravatinhas da caixa podem levar no lombo como gente grande? Mas querem socorrer-se do PSP…
4,-A falta de noção de Estado deste país é monstra, mais pior é a falta de confiança que este Estado dá aos Portugueses.
5,-Por isso, menos Portugueses no Estado…
Não me importo de fazer sacrifícios, como já disse várias vezes, mas indigna-me que os cidadãos sejam tratados de forma diferente e que seja o próprio Estado a fazê-lo e a dar lições de moral. Se fizéssemos todos sacríficos por igual não seria mais fácil recuperar? Seria.
Já anteriormente a Leonor tinha dado destaque ao caso da SATA. E eis que o nome da empresa volta a surgir, convenientemente colado a casos anteriores.
Eu sei que dá muito trabalho ler as notícias com calma. Mas, afinal, quem autorizou a excepção da SATA?
Pois, pois…
O nome da empresa volta a surgir porque é mais umas das empresas que vai beneficiar destas aviltantes ‘adaptações’. Não distorça a intenção do meu post. Não é sobre a SATA, como muito bem leu ou mal, dado que não percebeu.
Claro que percebi: o post tenta veicular a indignação da sua autora para com um governo de “adaptações” e “excepções”.
Que, no caso da SATA, se trata do… governo regional dos Açores. Sim, o nosso Hollande de S. Miguel, o paizinho socialista de Ponta Delgada. Que já é useiro e vezeiro em adaptações excepcionais.
E assim se fica a saber quem (mais) é que a Leonor quer que emigre para Singapura…
Se está à espera que eu me vá desdobrar em desculpas em relação à SATA apenas por causa da cor política do governo regional dos Açores está muitíssimo enganado. O problema deste país são os políticos, da esquerda à direita. PS, PSD e CDS estiveram no governo nos últimos anos, foram eles que deixaram o país chegar a este estado. O que não suporto é que agora se tolere de Passos Coelho o que não se tolerou, e muito bem, de Sócrates porque em termos de respeito pelos portugueses já percebemos muito bem que apesar da cor política são ‘farinha do mesmo saco’. E isso é triste. Muito triste.
Eu contento-me em pedir que, na hora da denúncia (ou do louvor), se atribuam correctamente as responsabilidades. Em abono da verdade.
Também eu, mas perdi a esperança. Algo que me diz que é uma esperança vã. Neste país mais depressa se é condenado por roubar um champô num supermercado do que por dolo ao país e aos cidadãos.
Mais uma vez acompanho-a na indignação. Todos os dias aparecem mais e mais “adaptações” . Começa a cheirar muito mal. Tomara já 2014.
A minha indignação devia ser a de todos nós, M. Martins, já que como é referido na notícia esta adaptação vai trazer um agravamento na despesa. Infelizmente há quem sofra de partidarite e que não consiga ver o óbvio
Cara L. Barros,
Não entendi a referência final a Singapura. Poderia explicar? Fiquei curioso.
Cump., A. F.
A referência a Singapura tem a ver com as afirmações do Primeiro-ministro na Feira do Livro. Dizia ele que leu um livro do Presidente de Singapura que o inspirou: http://expresso.sapo.pt/feira-do-li vro-um-primeiro-ministro-inspirado-por-s ingapura-passou-pelo-ultimo-dia-da-feira=f 725694
Cumprimentos
Obrigado pelo esclarecimento. Nesse caso, posso dizer que Passos Coelho (PC) subiu alguns pontos na minha consideração.
Embora Singapura seja uma democracia muito limitada em alguns aspectos, é uma verdadeira democracia liberal noutros; precisamente naqueles aspectos que Portugal não é ainda um País do 1º mundo (Educação e Justiça, por ex.). O trabalho político feito em Singapura desde a sua independência no final dos anos sessenta foi notável e ímpar, ao contrário de Portugal que desde o 25 de Abril não teve um planeamento racional e eficaz.
Cump, A. F.
Comissões, Agências, Observatórios, Entidades, Centros, Institutos, Grupos de Trabalho…
E ainda bem que as excepções vão para empresas todas com lucros do quilé… !! Já a minha, ali a AN(A)inhas da Portela, soma melhor resultado de sempre atrás um do outro, vide já os resultados de 2011 ! E para créme de la créme, a produtividade dos seus trabalhadores é 20% superior aos das congéneres europeias, ela própria o disse. Mas parece que só cuidou de pedir excepção para os membros da administração…ou pelo menos essa já lhe terá sido dada. O resto da malta…é sorrir e acenar …
São sempre os mesmos a ser ‘excepcionais’, Fernando.