Faz falta ter generais com sorte


Pedro Correia,

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 Foto: Miguel Manso/Público

 

Napoleão costumava dar preferência, no seu estado-maior, aos generais com sorte. Tenho-me lembrado disto desde o fim de semana a propósito da pouco afortunada escolha pessoal assumida por Rui Rio para uma das vice-presidências do PSD: Elina Fraga, a recordista das vaias do recente congresso social-democrata.

 

O novo presidente do partido laranja, preocupado em insuflar “um banho de ética” na política portuguesa, terá andado mal informado. Se não andasse, saberia decerto que enquanto bastonária da Ordem dos Advogados a sua vice-presidente encabeçou os protestos contra a reforma judiciária do Executivo de Passos Coelho – que, convém recordar, era uma das medidas incluídas no memorando de entendimento negociado e assinado em 2011 por José Sócrates com a Comissão Europeia, o Banco Central Europeu e o Fundo Monetário Internacional em troca do pacote financeiro de emergência.

Não lhe bastando isso, Elina Fraga avançou na altura com queixas-crime contra todos os ministros do XIX Governo Constitucional – incluindo o próprio Passos, agora tão elogiado por Rio – por considerar que o mapa judiciário não servia os interesses dos cidadãos. Não será das mais populares cartas de recomendação da novíssima dirigente laranja para se impor perante os militantes do partido.

 

Acontece que Elina Fraga, a advogada tão lesta a mandar investigar terceiros, está ela própria a ser investigada pelo Ministério Público, na sequência de uma auditoria pedida pelo bastonário que lhe sucedeu. Em causa estão suspeitas sobre contas e procedimentos na gestão da Ordem entre 2013 e 2017. Em causa, por exemplo, está o pagamento de honorários a sociedades de advogados por determinados serviços jurídicos.

Que tudo isto tenha sido tornado público, por extraordinária coincidência, no dia seguinte ao do encerramento do congresso do PSD reconduz-me afinal a Napoleão Bonaparte e à sua necessidade de ter em torno de si generais com sorte. Sem ela, nenhuma batalha consegue ser vencida.

28 comentários em “Faz falta ter generais com sorte”

  1. Antes Elina, que Salvador!

    São banhos checos de ética! (lembrando RAP)

    Salvador Malheiro diz que não está preocupado com o facto de alguns militantes social-democratas terem sido transportados para as urnas por uma carrinha de uma associação local. O caso foi denunciado pelo jornal online Observador, após as eleições diretas do partido. O diretor nacional de campanha de Rui Rio desvaloriza a acusação de caciquismo em Ovar.

    http://rd3.videos.sapo.pt/PH8tTZN20KZPhoJcRJTz

      1. Pedro, secunda o seu outro presidente? Ou ainda nos dará o excelso prazer de o ler leoninamente?

  2. Dedo podre … pé frio … etc, etc, isso não ajuda, mesmo.
    Mas a verdade é que as alternativas disponíveis são cada vez menos estimulantes. A começar pelos próprios Generais … este, claramente, falta-lhe “pegada”. Zero!

    1. Não deixa de ser curioso ver o novo presidente do PSD escolher como seu braço direito alguém que quis levar a tribunal não só o presidente anterior mas todo o anterior governo liderado pelo partido.
      A política portuguesa nunca cessa de me espantar.

      1. House of Cards, Pedro, está lá tudo …
        Ou então, é a parábola do escorpião. O que no fundo, dá no mesmo.

  3. Já eu fiquei-me pelo “tão rápido que eles se mexem!”.

    E se à Geringonça dá jeito ter uma oposição apenas em si mesma, o País precisa de pluralismo e de diálog… oh, bolas, São Bento sempre teve mais queda para o teatro de revista, o argumento que procuro não é diálogo, é assim mais uma espécia de malta a jogar ao lencinho – e de quando em vez acontece alinharem-se os planetas, e alguns tipos rimam verbo com proposta e o lenço cai e a coisa vai.

    Rio não entra na roda, e os amiguinhos não o querem lá.
    Bolas, parece o CREP – Contra Rio, Empurrar e Parar!

      1. Sabe o que lhe digo, Pedro?
        Não sei se é da febre ou do cansaço, mas sobre esta matéria só me ocorrem relíquias da sabedoria popular…

        Triste de assistir. O País merecia políticos mais dignos. Mas como os cidadãos nem por isso, temos o que deixámos acontecer: políticos que discutem partidos em vez de estratégias, partidos que discutem pessoas em vez de políticas.

        1. Mas alegremo-nos: Rio e Costa estiveram hoje reunidos durante duas horas e meia. A conversa só pode ter corrido bem: saíram ambos com sorrisos de orelha a orelha.
          Delicioso país este, cada vez com mais governo e cada vez com menos oposição.

  4. Vale tudo, Pedro… Vale tudo… Além de quem em política o que parece é, até alguém (muitos) dizer(em) basta…

  5. 48 horas depois de tomar posse como presidente do PSD, Rui Rio reuniu-se com o 1º ministro. Ontem, 24 horas depois da posse, não tinha nada para discutir, mas hoje já tem. A não ser que Rio e Costa tenham passado 2,5 horas a discutir se o jogo de ontem em Tondela devia ter acabado mais cedo.
    Com dois partidos Sociais-Democratas e o BE rendido à Social-Democracia, só nos resta esperar que surja quanto antes o tal Partido Liberal de que há tantos anos se fala, quanto mais não seja, para “recentrar” verdadeiramente a politica aqui no cantinho à beira-mar.
    A Fraga é apenas um acidente de percurso, apenas o padrinho veio defender publicamente a honra da senhora.

    1. Pois é, Alexandre. Temos agora dois grandes partidos “genuinamente sociais-democratas” a ocuparem todo o centro da política portuguesa e ainda um partido “social-democrata de esquerda”, que é cada vez mais o BE.
      Receio que, pelo andar da carruagem, o PCP e o CDS acabem ilegalizados por fuga à norma. A menos que se socialdemocratizem também.

  6. Rui Rio faz-me lembrar o seu ex-adversário Pedro Santana Lopes, o “menino-guerreiro” a quem, quando ainda bebé primeiro-ministro, os irmãos do PSD davam pontapés no berço. Agora Rui Rio está na mesma situação, ainda está no berço de secretário-geral e já os seus irmãos do PSD lhe dão pontapés.

    Agora estão a pontapeá-lo com a Fraga. É claro que eu não gosto da Fraga (tem uma voz de homem absolutamente horrorosa, só comparável, na política portuguesa, à da Marisa Matias do BE), mas não tenho qualquer dúvida de que, em relação a ela como em relação a muitos outros (o último foi Mário Centeno), o Ministério Público não passa de cão que ladra mas não morde.

  7. Com tanto vira e tanto gira nesta terra de mel, voto na Geninha de Melo e Castro… pelo menos não me parece enredada em rabos de palha, sei lá…

    Ah, vira, virou, meu coração navegador
    Ah, gira, girou, essa galera …( Ei galeraaa !!!)…

  8. É o enclave de retornados do PSD (ainda por cima retornados de 2ª categoria) a querer fazer a folha ao nortenho. Nada de novo desde 1975.

  9. Mas seja como for nem era necessário tentar tramá-lo. Rio poderia bem fazê-lo sozinho. Da maneira como está a posicionar o PSD o objectivo deve ser mesmo desaparecer.

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