
Mais uma vez se verifica que a justiça espanhola continua incapaz de lidar de forma isenta e imparcial com o problema da Catalunha. Dizer que há risco de continuação da actividade criminosa para manter na prisão líderes independentistas cujo único crime foi executar o programa já duas vezes sufragado pelos catalães, da última vez em eleições conduzidas a partir da prisão e do exílio mostra uma incapacidade total de Espanha lidar com a questão da Catalunha, uma questão que é política e não jurídica.
Quando Ghandi foi preso e julgado pelos ingleses na ìndia, assim como toda a Comissão de Trabalho do Partido do Congresso, o juiz perguntou-lhe se queria apresentar a sua defesa. Ghandi limitou-se a dizer que não tinha qualquer defesa e que, se o juiz acreditasse na justiça que estava a aplicar, tinha que o condenar à pena máxima. Foi de facto condenado e esteve dois anos na prisão, mas isso foi o denotador do movimento “Quit India“, que levou os britânicos a sair da Índia. A Espanha pode estar a criar um “Quit Catalonia“, com esta incapacidade de reconhecer a realidade que está debaixo dos seus olhos. Aguardemos pelas cenas dos próximos capítulos.

Os juízes espanhóis estão corretos. Eles acham que a atividade governamental de Junqueras a favor da independência foi criminosa. Ora, é um facto indesmentível que, se ele fosse libertado, poderia regressar ao governo e voltar a praticar a mesma atividade criminosa. Portanto, deve manter-se preso.
A actividade dos opositores à ditadura salazarista antes do 25 de Abril também era “criminosa”. Não vá por aí.
Eu escrevi: Os juízes espanhóis acham que a atividade governamental de Junqueras a favor da independência foi criminosa. Não escrevi que eu achasse o mesmo.
o movimento “Quit India” levou os britânicos a sair da Índia
Isso não é bem verdade. Aquilo que levou os britânicos a sair da Índia foi a sua participação na Segunda Guerra Mundial, que fez o Reino Unido (RU) ficar altissimamente endividado e sem condições para continuar a manter uma máquina administrativa e militar na Índia. A Índia tinha-se tornado um custo, e não uma vantagem, para o RU, e o RU não estava em condições de comportar com esse custo.
Diz isso, mas não refere que os britânicos foram buscar para suas fileiras na II GG os soldados indianos. Tudo isto sem custo.
Além disso não refere que houve uma fome na Índia em 1943 na qual morreram 2 milhões de indianos e o governo britânico nada fez para a evitar.
o único crime [de Junqueras] foi executar o programa já duas vezes sufragado pelos catalães
Sem dúvida. Só que, esse programa é, de acordo com a Constituição espanhola, ilegal e, portanto, criminoso.
O povo catalão quer mas a Constituição espanhola proíbe. Não há volta a dar-lhe.
Trata-se de um choque de nacionalismos. Não pode haver solução negocial para esse choque, dado que a atual Constituição espanhola proíbe tal negociação e dado que essa Constituição só muitíssimo dificilmente pode ser alterada.
A maioria do povo catalão não quer! É o Povo que não quer. A constituição é a expressão do Povo.
por cá enche-se a boca com a constituição, apesar de não saciar a fome aos carenciados. que diria o sr leitão se o algarve pedisse a independência?
Leitão, Constituição e Algarve: três palavras escritas em minúsculas. A sua tecla das maiúsculas entrou em greve, Anónimo?
Eu não sei o que o sr Leitão diria, mas o facto é que o Algarve foi largamente independente de Portugal até ao século 19, pois até essa altura a serra algarvia era basicamente intransponível para os transportes e a única forma de alcançar o Algarve era por mar. O Algarve foi uma propriedade da Ordem de Cristo, largamente separada do poder real – o rei mandava em Portugal e a Ordem de Cristo mandava no Algarve. Ainda hoje os algarvios são largamente considerados como não-portugueses (veja-se a reação de muitos quando o algarvio Cavaco Silva foi para primeiro-ministro).
Eu o que diria é que gosto muito de ir ao Algarve, mas tanto se me dá ir lá utilizando o bilhete de identidade como usando o passaporte. Os algarvios que cozinhem a sua soberania como muito bem entenderem.
“veja-se a reação de muitos quando o algarvio Cavaco Silva foi para primeiro-ministro”
Acho que a reacção seria a mesma se Cavaco fosse de outra região portuguesa qualquer.
O próximo passo será nomear líderes independentistas interinos no parlamento catalão. E a guerra vai ser administrativa. Por favor, registe isto.
Ignorância da História e total permeabilidade ao “numerito” montado pelos ventríloquos do “dummy” Cabeça de Esfregona.
“Numerito”, atenção, encenado
para o “mercado externo” – que na “piel del toro” não têm aceitação.
Uma pena este galego não estar à altura ( ia dizer “do outro”, mas há que evitar ferir susceptibilidades…).
Conclusão do seu comentário: “Viva Franco. Arriba España”.
Claro que deve ficar preso , até se ter a certeza que não provoca mais danos na Catalunha , é na prisão que deve estar.
E já agora , visca Tabarnia lliure !
Como muito bem disse Aznar há uns anos , mais depressa se separa a Catalunha que Espanha. Uma coisa linda , sem dúvida. E a esse cromos se deve.
Catalonia is not Spain. Por muito que arranjem Tabarnias ou Tabernas.
e “Barcelona is not Catalonia”… o condado de Barcelona é muito anterior. E se Madrid é uma Comunidade Autónoma separada de Castela porque não Barcelona separada de Catalunha ? é perfeitamente legal.
Quem é que provoca mais danos na Catalunha, quem reconhece o direito à autodeterminação ou quem bate em 900 eleitores catalães e prende opositores políticos?
A essa questão , melhor do que eu , responde um catalão :
“Jordi Pujol, no sólo nos robaste, sino que sembraste vientos y odio. Te sucedió tu adoctrinado hijo político Artur Mas, y siguió sembrando vientos, odio, falsas ilusiones y mentiras…hoy estamos recogiendo las tempestades con un demente y ególatra Puigdemont, cobarde y huido de la justicia…”
Fugido da justiça, não. Fugido dos carrascos.
Responde um catalão em castelhano. E o que pensam os dois milhões de catalães que correram o risco de serem agredidos pela Guarda Civil (900 deles foram mesmo) por quererem exercer o mais elementar dos direitos democráticos não conta?
Muito bem.Houve agora eleições legais e Barcelona e Tarragona falaram : querem continuar na Espanha , ganharam os constituicionalistas nessas duas províncias . Portanto os tratores dos labregos ( em galego, lavradores) que avançem sobre Barcelona e a tomem à força ou habituem-se à ideia de mudar a capital da Catalunha , sei lá , para Girona , talvez , onde o Puigdemente já foi alcalde.
Veja lá se percebe : nas zonas interiores , pobres e rurais da Catalunha ganham sempre os independentistas tal e qual como no Alentejo ganham sempre os comunistas. Manias e manipulação da ignorância e sonhos , tão só.
Resposta típica de espanholistas. Chama “demente” a um líder democraticamente eleito pois não tem argumentos (não estou a encontrar trocadilhos para fazer com Rajoy, que é bem mais demente que o presidente legítimo da Catalunha). E revela ainda o preconceito relativamente às “zonas, interiores e rurais” fazendo uma comparação com o Alentejo (esquecendo-se que os comunistas já não ganham no Alentejo mas a sua gaffe não surpreende tendo em conta que muitos espanholistas ainda vivem no tempo da Guerra Fria).
Pois eu vou explicar-lhe a diferença. Mesmo quando os comunistas ganhavam no Alentejo, a nível nacional tinham por volta de 15% dos votos. Os independentistas catalães tiveram uma clara vitória (47.5%), a não ser que ache que a maioria absoluta de Rajoy (45%) em 2011 não foi uma “vitória”.
Já agora, a quem é que chama “constitucionalistas”? Àqueles que não respeitam direitos básicos da constituição espanhola como o direito à liberdade de expressão, o direito à habitação e o direito a um trabalho digno? É que aí eu chamaria ao bloco PP/PSOE/C’s o bloco anti-constitucionalista. Parece-me que Podemos (que é neutro na questão catalã invalidando assim qualquer alegada “vitória” dos espanholistas) e os partidos independentistas catalães são bem mais constitucionalistas que esse trio.
Bom poste de Sua Excelência o Embaixador Honorário da República da Catalunha em “Portugalo”
AM