1. Apresentou-se aos portugueses com um programa vago, impreciso e tardio.
2. Suprimiu das listas eleitorais vários militantes destacados que se opuseram a ela no congresso do PSD, nomeadamente Pedro Passos Coelho, o segundo mais votado nessa reunião magna do partido.
3. Permitiu a inclusão, em lugares elegíveis por Lisboa, de dois sociais-democratas que estão a ser alvos de processos-crime – António Preto e Helena Lopes da Costa – comprometendo assim a imagem de seriedade com que se apresentou aos portugueses.
4. Em vez de alargar o discurso ao centro-esquerda, como fizeram Francisco Sá Carneiro em 1979 e Aníbal Cavaco Silva em 1985, enquistou-o à direita, dando assim a imagem do PSD como um partido conservador.
5. Prejudicou o diálogo pós-eleitoral com o CDS, eventual futuro parceiro de coligação, ao incluir na quarta posição por Lisboa Maria José Nogueira Pinto, que há poucos anos disputou com Paulo Portas a liderança do CDS.
6. Revelou uma preocupante falta de autoridade política ao ser confrontada com as críticas do candidato autárquico Francisco Moita Flores, que apesar de encabeçar a lista do PSD a uma das principais câmaras do país vota PS nas legislativas.
7. Deixou consolidar a ideia, verdadeira ou falsa, de que é comandada politicamente pelo Presidente da República, seu amigo de longa data e de quem foi chefe de gabinete no Ministério das Finanças.
8. Geriu com uma inacreditável falta de tacto político as relações com Alberto João Jardim: depois de uma ausência de última hora da festa do Chão da Lagoa, passeou-se com ele na pré-campanha numa viatura oficial e validou os comportamentos autocráticos do líder madeirense, desqualificando assim os seus próprios esforços para contestar a ‘asfixia democrática’ no continente.
9. Apresentou-se muito mal preparada nos debates televisivos, dando sempre a ideia que nem se deu ao trabalho de ler as propostas eleitorais dos outros partidos e mostrando-se imprecisa sobre o próprio programa eleitoral do PSD (na avaliação dos juízes, por exemplo).
10. Confundiu IRS com IRC num desses debates, prejudicando assim um dos seus melhores trunfos eleitorais – a capacidade técnica, no domínio das finanças.


Lugares elegíveis. Embora por vezes não perdessem em também ser ‘ lidos ‘…
Elegíveis, claro. Já corrigido. Obrigado pela sua atenção, Chloé. E tem razão: não perderiam nada em ser ‘lidos’.
E ainda assim pode ganhar.
Pois pode. No continente há sempre mais suspense do que na Madeira.
Veja lá bem que, apesar de tudo isso, vai ganhar!
É obra, não?
Pode ou vai? Entendam-se lá.
Que diabo!
Masoquistas, mas não tanto…
Fale-me disso na noite de domingo a oito dias.
Vamos falar muito, não duvide.
Certo. Mas eu, agora, não estava a falar consigo…
No entanto, cada um toma para si aquilo que pensa que lhe serve.
OK. Mas serve na mesma. Havemos de falar – e muito. Espero que com o seu contributo também.
É isso mesmo: a Tia Manuela cometeu montes de erros e mesmo assim arrisca-se a ganhar.
Tanto basta para se avaliar a imensa rejeição que Sócrates provoca, mesmo nas pessoas que à partida seriam da sua área política.
Tem razão, meu caro. Se ganhar, essa é uma leitura inevitável. E uma prova indiscutível de que o índice de rejeição de Sócrates é muito superior ao que indicam as sondagens.
Desafio-o agora a elencar as dez virtudes de Manuela. So far, claro, porque a “outra senhora ” não cessa de surpreender, e pela positiva, todos os dias.
É uma boa ideia. Quer começar por dar umas sugestões?
Semelhante exercício poder-se-ia fazer com Sócrates. Mas, francamente, não encontrou pontos mais negativos, preocupantes ou relevantes que esses? Se MFL tiver como seus piores defeitos os apontados… então dará, sem dúvida, uma melhor governante que Sócrates. Vá lá, faça um pequeno esforço para encontrar críticas fundadas, sérias e factuais!
Na sua perspectiva, estas críticas não são “fundadas, sérias e factuais”. Aguardo então as suas sugestões.
Na verdade é como se diz ” o pior cego é aquele que não quer ver”, ou algo assim…
Devemos fazer um esforço de memória e lembrar o passado, por onde esta senhora andou e também em plena consciência fazer a leitura correcta de todos os pontos do Pedro Correia.
Mas o povo português é desmemorizado e como diz mesmo o escritor Jorge de Sena, cujos ossinhos resolveram ir buscar aos states ” Portugal não precisa de ser salvo, porque estará sempre perdido como merece”.
A falta de memória é um mal nacional. Devemos usar os blogues também para combater isso.
Vais apanhar poucas, vais. Quem se mete com o PSD, leva. Hehe…
Tirando o Moita Flores. Esse pode meter-se à vontade com o PSD. Pode ir até à procura de fornos crematórios na Suíça(!) no dia em que MFL faz campanha em Santarém, que ‘no pasa nada’.
Pedro:
Não concordando com a totalidade dos erros que apontas a MFL mesmo assim entre ela e o actual presidente do conselho de ministros a escolha é evidente, estou farto das mentiras deste engº.
Eu ainda sou da politica à antiga e leio os programas, as pessoas são importantes, mas não são tudo e aí entre mais do mesmo e as promessas do costume opto sem dúvidas nenhumas por MFL.
Eu também ainda sou da política à antiga, Carlos, vê lá: leio os programas, analiso as personalidades dos líderes e as contradições dos seus discursos e as promessas não cumpridas. Tudo isso.
Desta vez, Pedro, estou de acordo com o João: meteste-te numa boa alhada. Logo tu…
Rui
Logo eu, Rui, logo eu…
Terei um dia o prazer, caro Pedro Correia, de o ver a elencar os erros de Sócrates? Ou acha que ele não os fez?
Caro Luís, só quem não acompanha o que escrevo neste blogue desde o início (e não só aqui) pode supor que não critico Sócrates.
Abraço
Eu sei, Pedro, eu sei. Mas olhe que ultimamente parece que MFL é o seu inimigo número 1. O que é pena. Apesar de tudo, ela é uma melhor alternativa do que Sócrates. E mesmo do que PPC, mas isso são contas de outro rosário.
Luís, o importante é debatermos as questões e não nos sentirmos coagidos pelo ‘politicamente correcto’. Se alinhássemos todos pela mesma bitola, isto não teria graça nenhuma. De qualquer modo, amanhã vem a segunda parte. Desta vez sobre Sócrates.
Caro Luís Serpa:
Se se der ao trabalho vai verificar por aqui no DO e noutros blogs onde o Pedro escreve que criticas a Sócrates são mais que muitas e geralmente com uma qualidade evidente é que são verdadeiras e transparentes. Nós na politica temos a tendência da clubite mas muito sinceramente devemos pensar pela nossa cabeça talvez este país assim avance e quando se critica com factos como o Pedro o faz a única coisa a fazer é elogiar esta sua faceta de isenção e verdade, mas atenção não sou advogado dele, os textos falam por si.
Obrigado pelas palavras amigas, Carlos. Mas sei que o Luís fará a justiça de me reconhecer isso.
Luís, tem andado distraído. O Pedro tem revelado sempre uma isenção notável e uma independência de opinião que muitos gostariam de ter. Essa crítica não pode ser mais injusta.
Obrigado, Ana. Tenho a certeza de que o Luís, que já me lê há muito tempo, reconhecerá isso.
É por estas e por outras que eu gosto do Pedro. Mas juro que “as outras” pesam mais. São elas as referências literárias, a maratona pelas praias nacionais (ah, campeão!) e a simpatia.
(Sim, estou a tentar redimir-me depois da minha costela esquerda se ter pronunciado naquele que foi um claro aproveitamento político deste post. Sou reles.)
A minha vénia, Menina Limão.
Só 10? Eu jurava que eram mais de 100.
São mais que muitos, como dizia o outro.
Alguns dos pontos parecem-me elogios a MFL.
Vejamos:
4- Não alargou o discurso ao centro-esquerda. Como é que o Pedro Correia sugeriria que isso fosse feito? Prometendo mais despesa pública, mais prestações sociais, aumento do salário mínimo, aumento do subsídio de desemprego, enfim, todo o tipo de políticas demagógicas e que levarão ao ao crescimento do peso do Estado no PIB, à asfixia das empresas e das pessoas com impostos, ao aumento do endividamento, etc…? Acho muito bem que MFL não faça esse discurso. Portugal só será uma sociedade mais liberal se as pessoas experimentarem viver sem um Estado asfixiante. E as pessoas só saberão se gostam do liberalismo se fizerem essa experiência. Se MFL fizesse essas promessas e depois as traísse acabava-se com qualquer hipótese de reforma da sociedade portuguesa.
9 – Apresentou mal preparada para os debates. Tal facto até ajudou Ferreira leite, em primeiro lugar, porque lhe permitiu responder segundo o que pensa e não segundo o que seria estratégico dizer-se em certos pontos da discussão; permitiu-lhe parecer autêntica e séria; permitiu-lhe que a discussão se centrasse sobre as suas ideias como se ela fosse primeira-ministra e o Sócrates o líder da oposição, assim passando a ilusão de uma pose de Estado que em nenhuma outra altura lhe foi atribuída pelos comentadores.
Noutros casos, simplesmente acho as críticas pouco relevantes:
5 – Em que é que a nomeação de Nogueira Pinto vai prejudicar uma coligação de que o PP necessita como pão para a boca?
10 – Foi uma gaffe. Todos as têm em debates e não vejo que isso seja significativo, desde que o candidato passe a sua mensagem relativamente aos impostos. E acho que Ferreira Leite ganhou pontos ao dizer que não prometia baixá-los, porque não sabia ainda o estado das contas públicas, mas que o faria mal tivesse folga orçamental.
Noutros ainda, não concordo:
7 – Em que episódios é que isso aconteceu? Nem vejo ninguém a dizê-lo, tão pouco, mesmo da parte do PS.
1 – Em que é que o programa é mau? Eu acho-o razoável. Não é tão liberal quanto gostaria, mas se essa era a vontade do Pedro Correia, então tal colide com o ponto 4 (falar para o centro-esquerda), porquanto mais liberalismo significaria menos votos nessa área eleitoral. Não se pode ser preso por ter cão e preso por não ter.
2- Passos Coelho teve um comportamento semelhante ao de Moita Flores. Por isso devia ter sido afastado.
Finalmente, de resto, estou de acordo com:
8 – Um tiro no pé a visita à Madeira que a colocou numa situação insustentável e desviou as atenções do caso TVI.
6 – Moita Flores devia ter sido afastado. Mas isso sou eu que não critico Ferreira Leite por afastar Passos Coelho. Vindo de quem fala em purgas a propósito de Passos Coelho não faz sentido exigir que Moita Flores fosse afastado.
3- Não por uma questão ética, porque a presunção de inocência também é um princípio ético que impede juízos éticos nesta matéria. Mas por uma questão de bom senso.
É a sua opinião, que expressou muito bem e com a sua habitual frontalidade.
A verdade (ops!) é que a fazer fé no volume e qualidade dos epítetos de que Sócrates é alvo na opinião publicada e na veemência das criticas, será crível que o homem tenha uma derrota estrondosa nas legislativas. Veremos. Veremos também até que ponto opinião publica e opinião publicada emanam da mesma realidade. Veremos.
No fim seria interessante fazer-se um levantamento de tudo quanto ficou escrito, em jornais e blogues. Vale a pena confrontar as opiniões com a realidade.
É verdadeiramente impressionante a onda que algumas “vedetas” da comunicação em Portugal criaram, relativamente a Sócrates.
Se isto acontece sem substância em que se baseie, o que seria se tivesse sido ele a sugerir que a democracia fosse suspensa (ironicamente claro), se tivesse sido ele a declarar categórico que não podiam ser os jornalistas a decidir o que publicavam (já se esqueceram?) ou tivesse sido ele a expurgar das listas do PS quem não é seu incondicional.
De facto a direita não suporta mais estar afastada do poder, sem entrar numa profunda crise existencial e como último fôlego , faz este esforço monstruoso de denegrir os adversários, para o que conseguiu arregimentar, para além dos interesseiros como era suposto, os incautos e desmemoriados que se acham mais felizes por se julgarem na moda.
Eu cidadão comum, pagador de impostos e eleitor quando a isso sou chamado, preferia que no meu país os governantes fossem escolhidos por serem as melhores pessoas, terem as melhores ideias e a maior disponibilidade e competência para as pôr em prática.
Se assim fosse poupar-se-iam imensas energias a branquear a negritude política de uns e a denegrir o esforço de outros.
“Preferia que no meu país os governantes fossem escolhidos por serem as melhores pessoas.” Certíssimo. Meu caro, isso está nas nossas mãos. Somos nós que elegemos os governantes.
Por o Continente não ser felizmente a Madeira é que dia 27 vou votar PS. E não votaria caso o perigo MFL ) não estivesse atalaia… É que mesmo não querendo acreditar é sempre possível ser muito pior.
Faça-lhe bom proveito!
1. Porquê tardio? Memória curta?
2. Manuel Alegre? Cravinho? Carrilho? Escolhas políticas são feitas com base na confiança política. Não basta ter quotas em dia…
3.Imagem de seriedade é seguir uma linha coerente e sem manobra eleitoralistas: ao que é da justiça a ela pertence, ou não?
4. Também vai na privatização da SS? Quem foi a primeira a falar na emergência social?
5. Ribeiro e Castro também se tinha zangado e agora até arruadas faz ao lado de Portas. Meu caro, o diálogo não voa com pormenores menores.
6. Mais uma vez, a ditadura já foi. Liberdade. E mais, Governo da República não é o mesmo que governo Autárquico…
7. Esta, francamente, não compreendi. Explique-me sff
8. Concordo parcialmente. MFL não tem, é um facto, elasticidade política suficiente para Jardim. Mas Gama é exemplar!
9. Opinião subjectiva. A minha é completamente diferente. Vá lá rever os debates. Ah, e não confunda MFL com Louçã.
10. De acordo. Um lapso. Quem não os tem. Quanto à substância, MFL está certa: a carga de impostos é absurda. Ou pensa que não?
Agora, diga-me lá os 10 erros do PM. Mas atenção, só 10, não se deixe entusiasmar.
Espere lá mais um pouco, Joaquim. Um por dia já é dose quanto baste.
Concordo (com uma dúvida) em meia dúzia de erros de entre a dezena arrolada:
2º – foi brilhante foi no que para si foi um erro; resgatou o PSD de uma implosão que se afigurava irremediável.
4º – fez muito bem em virar as costas à “estratégia” e representar-se a si própria (e não será um pouco exagerado esse “enquistar à direita”? –A direita mais conservadora lamenta-se do “esquerdismo” de MFL…)
5º – (não estou certo de que não tenha sido um erro. Mas a sê-lo não será certamente pela razão invocada)
7º – Não me parece que se tenha consolidado tal ideia. Aliás, o que se consolida é a ideia de que MFL não é muito dada a ser “comandada politicamente”.
Na meia dúzia que sobra, não posso estar mais de acordo com a sua análise.
________________________
E já agora – muito à revelia das conclusões induzidas pelas sondagens – consinto-me acrescentar que o único erro estratégico para estas legislativas por parte do PS foi não ter tido a inteligência de persuadir JS a declarar-se indisponível para um novo mandato.
Muito bem. É a sua opinião, sem dúvida respeitável. Sempre bem-vinda para o debate de ideias.
Tem razão, é apenas uma opinião.
Ainda por cima volúvel; cansadinho, em fim de jorna, centrei-me excessivamente no 2. – o seu principiis obsta, estou em crer.
Mais ponderadamente:
3.
6.
8.
Talvez não da maneira que os descreve, parecem-me esdrúxulos, mesmo assim.
Resumindo e concluindo: mesmo na dezena da sua hipótese, um score absolutamente notável .
Bem, mais logo publico o decálogo de erros de José Sócrates. Depois diga o que achou também.
Evidentemente a maior parte das suas críticas não são sérias. Aliás, os pontos 2 e 6, reproduzidos abaixo, contradizem-se obviamente entre si. É presa por ter cão e presa por não ter. Eu pessoalmente tomei como boa a distinção que MFL fez entre legislativas e locais. Aliás, se Pedro Passos Incertos tivesse um pingo de hombridade não vinha pedir-lhe um lugar de deputado. Mas podia tentar uma câmara. E até a da Amadora, take-2. Já agora pergunto-lhe: o Sr. é uma Passista? É que parece.
2. Suprimiu das listas eleitorais vários militantes destacados que se opuseram a ela no congresso do PSD, nomeadamente Pedro Passos Coelho, o segundo mais votado nessa reunião magna do partido.
6. Revelou uma preocupante falta de autoridade política ao ser confrontada com as críticas do candidato autárquico Francisco Moita Flores, que apesar de encabeçar a lista do PSD a uma das principais câmaras do país vota PS nas legislativas.
Em comparação, as suas críticas são muito sérias. E, assim revestidas com a autoridade moral de um nome falso, mais sérias ainda se tornam. Registo também que não se contradiz nada ao achar bem que Passos Coelho tenha sido excluído e Moita Flores, que até já revelou que vai votar PS, sem papas na língua, se mantenha como cabeça de lista do PSD mesmo depois de ter enxovalhado publicamente a presidente do partido. Isto é que é coerência e desassombro político, sem dúvida alguma.
Meu Caro,
não me respondeu à pergunta ‘É um Passista?’ Quanto a mim, adianto desde já que apoio MFL. Se lhe for necessário usar um pseudónimo para assumir o seu ‘passismo’ , não hesite. Já agora uma pequena correcção: Moita Flores disse que não votava em MFL, mas não disse que votava PS. E quanto a mim ele não enxovalhou ninguém, a não ser a ele próprio. E, lamento repetir-me, MFL foi cristalina a explicar a distinção que faz entre legislativas e locais. Para as legislativas é necessário que os deputados estejam no essencial de acordo com o projecto político que a actual liderança e comissáo política defendem para o País. Não foi isso que o Sr. Pedro Passos Incertos mostrou à saciedade. Esse Sr. aceitar um lugar de deputado nas listas actuais seria como MFL aceitar fazer um governo de coligação com Sócrates. Aí, meu caro senhor, é que está a diferença. Velyn.
Você e a sua facção, com o vosso sectarismo digno da direcção do PCP, estão a levar o PSD a um belo resultado nas urnas. Os socialistas agradecem a vossa inteligentíssima campanha, extremamente mobilizadora e eficaz.
Aponte aí na sua agenda: dia 27, ao cair da noite, voltaremos a conversar.
Acha? Pois a mim, parece-me que de todos os debates, ficam para a memória uns 20 segundos: exactamente protagonizados por Manuela ferreira Leite, a propósito das manobras espanholas e do TGV. Tudo o resto já lá vai. lembra-se de algo a não ser disto mesmo? Se sim, parabéns pela boa memória…
Nuno: esse é um dos problemas. O frente-a-frente desviou o curso da campanha eleitoral para a falsa questão das relações com Espanha no país com 600 mil desempregados, dois milhões de pobres e as maiores assimetrias sociais da UE. Estes factos que agora mencionei são mais do que suficientes para uma oposição com cabeça fazer uma campanha eficaz. Mas o PSD, de Manuela Ferreira Leite, optou por desenterrar o fantasma espanhol. Curiosamente, poucos dias antes de os eurodeputados espanhóis – incluindo os socialistas – votarem no português Durão Barroso para presidente da Comissão Europeia.
Não tinha pensado voltar a este assunto, mas este post (http://holehorror.blogspot.com/2009/09/ontem-na-quadratura-do-circulo-antonio.html) de Joana Carvalho Dias parece-me interessante.
Caro Luís: se a arma escolhida para esgrimir argumentos são as citações de blogues, aqui vai já esta para a troca. Jogando em casa, se me permite: é do Paulo Gorjão, no DELITO.
Parece-me muito interessante – e cada vez mais oportuna:
delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/656286.htm l
Pedro, começo por lhe pedir desculpa: aquele link não era só uma resposta ao seu post. E continuo a pedir-lhe que não me interprete mal: se Pedro Passos Coelho não me seduz, de todo, tenho o maior respeito por si e pelos seus argumentos.
Parece-me contudo que há, nos apoiantes de PPC, uma agressividade na oposição a MFL que me parecia incompreensível.
Claro que nunca poderemos verificar isto, e por hábito não gosto muito de discutir hipóteses: creio que PPC não teria feito tão bons resultados nas europeias como MFL, e o mesmo nas legislativas, qualquer que seja o resultado de MFL.
E penso que Paulo Gorjão tem toda a razão: PPC é neste momento um dos incontornáveis eixos de PSD. Mas isso não invalida a minha tese: os apoiantes de PPC deviam apoiar MFL.
Mas, todos o sabemos e há muito tempo, a política não se faz com bons sentimentos.
Isto dito, é com prazer que o continuo a ler – prefiro uam opinião com a qual estou em desacordo bem fundamentada e bem defendida; e o politicamente corrceco é, sempre foi, para mim um país estrangeiro. No qual nunca me aventurei nem – deve ser dos poucos – tenho vontade de.
Não esperava outra coisa de si, Luís. Revejo-me no que escreveu: também sou assim.
Abraço